Capítulo 47: Um Dia Calmo!?...

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Harry despertou em seu quarto, cercado por um silêncio quase opressor. A ausência de sons comuns trazia uma sensação de vazio que contrastava com o cheiro de ar fresco. Ele respirou fundo e deixou um riso involuntário escapar. Era surreal. Morrera, mas estava ali, vivo novamente.

Com um gesto hesitante, tentou movimentar as pernas. A princípio, uma pontada de dúvida, mas logo um alívio percorreu seu corpo ao perceber que conseguia se manter em pé. Caminhou devagar até o guarda-roupa, os dedos deslizando pela madeira fria antes de escolher roupas limpas. Mas não era apenas isso que o incomodava; havia um peso em sua consciência e um cheiro - de morte e terra - que parecia impregnado em sua pele.

No banheiro, ligou a banheira, deixando a água morna preencher o espaço e envolver seus sentidos. Ele entrou na água, esfregando a pele com vigor, como se quisesse não apenas limpá-la, mas apagar a sensação claustrofóbica de ter estado preso em um caixão. O pensamento o fez estremecer, mas ele continuou. Depois de esvaziar a banheira, encheu-a novamente. Precisava de um momento para relaxar, para sentir que ainda era humano. Passou os dedos pelos cabelos, retirando a terra grudada, e escovou os dentes como se pudesse limpar o gosto amargo da morte. Uma generosa quantidade de perfume finalizou o processo, trazendo-lhe uma falsa sensação de normalidade.

Ao terminar, vestiu-se e desceu lentamente pelas escadas, cada passo ecoando nos longos corredores da mansão. A sala de estar estava iluminada, preenchida pelo burburinho de vozes conhecidas. Assim que ele empurrou as grandes portas e entrou, o som cessou. Barty Crouch Jr., distraído com seu pão, acabou engasgando.

- Harry? Meu Deus, ele foi possuído! Olhem os olhos dele, meu senhor! - Barty exclamou, erguendo a varinha, só para ser interrompido por um Protego conjurado pelo Lorde das Trevas.

- Ele está perfeitamente normal - Voldemort declarou com calma irritante, levantando-se. - Esses olhos são apenas um efeito colateral... da ressurreição.

- Ontem Draco Malfoy realizou o ritual para trazê-lo de volta - completou o lorde, o olhar frio fixo em Harry.

Harry estreitou os olhos, ainda brilhando em tons sobrenaturais de magia. Seu tom era rouco, quase frustrado:
- Os meus olhos... ficaram assim por causa da morte. Mas eu posso mudá-los... - Fechando as pálpebras, concentrou-se, e ao abri-las novamente, o familiar verde resplandecia. - Pronto. Mudo quando quero.

No canto, Bellatrix o encarava com desconfiança e um sorriso desafiador.
- Então... você é mesmo o bebê Potter, como antes? - A incredulidade em sua voz era cortante.

Harry revirou os olhos, a irritação evidente.
- Quer que eu invoque outro demônio, Bella? - grunhiu, aproximando-se do grupo, apenas para ser interrompido quando Voldemort se levantou e indicou com um gesto que ele se sentasse ao seu lado.

Harry não escondeu o tom de provocação:
- Então, Tom, pensei que este lugar pertencesse a Miranda.

O ar no salão tornou-se denso. Até mesmo Severus, que acabava de entrar acompanhado de Lucius e Draco, calou-se ao ouvir o nome. Voldemort cerrou o maxilar antes de responder:
- Miranda era uma traidora. Fugiu, se é isso que deseja saber.

Harry sorriu divertido, os olhos brilhando com um traço de malícia.
- Então talvez você deva considerar aumentar as portas.

Voldemort o encarou com a expressão vazia, confuso.
- E por que faria isso? Elas são suficientemente grandes.

Draco, vendo onde aquilo iria, já escondia o rosto para não rir. Harry sorriu largamente:
- Para que seus chifres passem sem problemas, Tom. Afinal, eles brilham tanto que quase me furaram ontem.

A xícara de chá de Voldemort caiu da mão com um estrondo. Um silêncio profundo tomou o ambiente antes que Harry começasse a gargalhar, ecoando pela sala. Rodolphus engasgou com sua bebida, enquanto Bellatrix olhava incrédula, entre surpresa e irritação. Por um momento, a tensão desapareceu, deixando para trás apenas a mistura de escândalo e risos contidos.

Sobre Lados - TomarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora