Capítulo 28: A Travessia dos Ecos

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AS VEZES TOMO BANHO E ESPERO QUE JUNTO DA ÁGUA AS DORES TAMBÉM DESÇAM PELO RALO.

     

   SADNESSABSURD



Harry fitava o Patrono, fascinado pela forma como ele havia mudado. O cervo prateado, sempre tão familiar, agora se transformara em um pássaro-trovão majestoso, brilhando intensamente enquanto sobrevoava o corredor à frente. Ele não entendia a razão da mudança, mas havia algo poderoso e reconfortante naquela criatura. Era como se carregasse consigo uma força que ele mal podia compreender. Harry decidiu que deixaria as respostas para depois – havia um caminho a seguir.

O corredor parecia infinito. As paredes, opressivamente escuras, pareciam pulsar com vida própria, enquanto sombras dançavam de forma inquietante. No final do caminho, uma porta distinta surgia, ladeada por molduras góticas intricadas. A visão era ao mesmo tempo hipnotizante e aterrorizante. Harry sabia que aquele era o destino.

– Precisamos passar por aqui para chegar ao centro – disse em voz firme, embora baixa.

À medida que avançavam, figuras começaram a emergir das sombras. Rostos conhecidos, mas impossíveis. Pessoas que ele sabia estarem mortas. A visão ameaçou abalar sua concentração. Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha e parou abruptamente, voltando-se para seus companheiros que seguiam de perto.

– Deem-me suas mãos – ordenou, a seriedade em sua voz cortando o silêncio. Ele estendeu a própria mão, esperando sem questionamentos. – Apenas façam.

Sem hesitação, os outros obedeceram. Agora formavam uma corrente sólida, e Harry apertou as mãos com força, olhando cada um nos olhos.

– Não soltem por nada. E lembrem-se: nada do que virem ou ouvirem é real. Nada. Mantenham o foco no Patrono. Se olharem para os lados, estarão perdidos.

Com passos firmes e medidos, o grupo avançou. A escuridão ao redor parecia engolir tudo, enquanto o som da água ressoava sob seus pés. Foi o primeiro sinal de que estavam se aproximando do destino.

Um salão vasto surgiu diante deles, sua magnitude ainda mais impressionante do que o corredor. No centro, um poço brilhava com uma luz estranha e cativante, quase como um convite perigoso. No entanto, o caminho até ele era traiçoeiro. A água que cobria o chão estava viva. Criaturas disformes emergiam, sussurrando em tons que perfuravam a mente e despertavam inseguranças há muito enterradas.

O Patrono de Harry reluziu mais forte, afastando os murmúrios e banindo as figuras que ousavam se aproximar. Contudo, o peso no ar era quase insuportável. Cada passo parecia mais difícil do que o último, como se o próprio espaço resistisse à sua passagem.

– Abram-se – Harry disse com uma voz que não parecia totalmente sua. As palavras reverberaram como trovões, sacudindo o ar ao redor.

As criaturas recuaram, gritando em agonia, enquanto as sombras se dissipavam temporariamente. A luz do poço intensificou-se, pulsando como o coração de algo desconhecido.

Sobre Lados - TomarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora