Alvo Dumbledore não esperava que seu castelo de ouro cairia tão rapidamente. Para ele, Harry Potter não tinha ninguém que se importasse em ajudá-lo.
Acho que o pobre Alvo Dumbledore não esperava que seu salvador teria ajuda de quem ele menos esperav...
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hoje cedo contei para as flores o que eu faria por você e elas se abriram
Harry nem sabia quando, mas, ao recuperar a consciência, percebeu que estava nos braços de Severus, sentado no sofá da sala dele. Sua visão ainda estava embaçada pelas lágrimas, mas o calor reconfortante do abraço trouxe-lhe alguma paz.
— Tudo bem? Voltou? — Severus perguntou, o tom carregado de preocupação, uma preocupação genuína que contrastava com a frieza de Sirius. Nem mesmo Sirius tivera a decência de fingir se importar, e essa constatação fez novas lágrimas deslizarem pelo rosto de Harry.
— Não... Não está tudo bem... — murmurou Harry, abraçando Severus com força. Ele precisava se ancorar em algo, em alguém. — Sirius e Remus, Sev... eles são horríveis comigo...
— Eles não se importam comigo... — Harry fungou, a voz embargada pela emoção. — Dumbledore encheu a cabeça deles de mentiras, e daí eles vieram me acusar, Sev... Eu não fiz aquilo. Eu nunca faria aquilo!
— Acalme-se, Harry. Eu sei que você não fez isso — Severus respondeu, com um tom firme, enquanto fazia movimentos reconfortantes nas costas do garoto. — Continue, se quiser.
— Eu explodi, Sev... Eu contei tudo para eles. Disse que eles não têm nada comigo, que eu não sou James e Lily... Eles já se foram, e era melhor que eles aceitassem isso! — Harry fez uma pausa, soltando um soluço sufocado antes de continuar. — Eles viam James em mim, e eu falei que nunca gostei das pegadinhas, que aquilo era bullying. Mas eles nem quiseram saber da verdade antes de acreditarem em Dumbledore! E ainda por cima tentaram me afastar de tudo... Eles me chamaram de criança mimada e disseram que eu precisava parar com minha "rebeldia".
Severus engoliu em seco. Sentia raiva pela forma como Harry estava sendo tratado. Não era apenas a dor das comparações, mas as acusações cruéis e injustas que o devastavam. Chamar Harry de "mimado" e "rebelde" era uma ironia cruel, considerando como fora criado pelos Dursley.
— E então... eu joguei na cara deles o que os meus parentes faziam comigo. Disse que nenhum dos dois se preocupou em me criar! — Harry soluçou, apertando ainda mais Severus, como se temesse que ele o soltasse. — E também... também disse que, para mim, eles estão mortos, Sev. Mas dói... dói muito...
— Oh, meu amor... — Severus murmurou, segurando Harry com firmeza, como se isso pudesse aliviar sua dor. Ele entendia perfeitamente. Já havia sentido esse tipo de vazio ao dizer algo semelhante para os próprios pais, antes de partir de vez. — Eu sei como isso dói, Harry... Eu também já passei por isso. É uma dor que parece nunca ir embora, mas você não está sozinho.
Severus continuou a segurar Harry enquanto ele chorava, o som do choro ecoando pela sala silenciosa. Não importava quanto tempo fosse necessário; Severus estaria ali, ao lado dele, para apoiar cada pedaço quebrado de sua alma.