Capítulo 59: Uma pequena explosão...

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"merecemos alguém que nos enxergue como algo importante demais para perder

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"merecemos alguém que nos enxergue como algo importante demais para perder."








Tom estava profundamente preocupado. Os gritos de Harry cortavam o ar como navalhas afiadas, cheios de dor e desespero. Cada súplica fazia o coração de Tom apertar em angústia. O chão começou a tremer, as paredes pareciam vibrar com uma energia sombria. Ele sabia exatamente o que estava acontecendo—o veneno do lobisomem estava se espalhando, corroendo Harry por dentro.

— Está se espalhando pelo corpo dele — murmurou o curandeiro, a voz trêmula de preocupação. — Mas há algo... algo nele que o impede de sucumbir completamente.

Tom virou-se para ele, os olhos brilhando de urgência.

— Ele é um necromante.

O curandeiro piscou, surpreso. De repente, a compreensão iluminou seu rosto.

— Isso explica o sangue... — murmurou, observando Harry se contorcer na cama. — O veneno não pode matá-lo, mas o tortura sem piedade até ser expelido. Eu tentei de tudo para aliviar a dor, mas nada funciona.

Harry estava encolhido, o rosto pálido e coberto de suor. Seus olhos se apertavam em agonia, e lágrimas escorriam silenciosamente. Tom ajoelhou-se ao seu lado, segurando sua mão com cuidado.

— Tom... — a voz de Harry era apenas um sussurro entre gemidos. — A faca... corta... meu braço...

Tom ficou imóvel por um instante, sentindo o peso da decisão esmagá-lo.

— Você tem certeza?

Harry abriu os olhos, o verde brilhando entre a dor. Ele cravou os dedos na manga de Tom e, com uma força surpreendente, rosnou:

— Corta. O veneno precisa sair! Meu corpo vai se curar sozinho...

Tom não hesitou mais. Pegou a faca com mãos firmes e deslizou a lâmina contra o pulso de Harry. Seu coração pesava como chumbo. Ele já havia perdido Harry uma vez—não suportaria perdê-lo de novo.

O sangue jorrou, mas algo estava terrivelmente errado. Não era vermelho. Era negro. Uma escuridão densa, pulsante, carregada de maldição e sofrimento. Fumaça branca começou a se erguer do ferimento, e Tom sentiu a energia no ar mudar. Algo poderoso e ancestral envolvia Harry, algo que Tom não compreendia totalmente.

Por fim, os espasmos começaram a diminuir. A respiração de Harry, antes ofegante e irregular, foi voltando ao normal.

Tom soltou um suspiro aliviado. Ele estava vivo.

Então, Harry abriu os olhos. Mas não eram mais os mesmos. As íris verdes haviam sido tomadas por um negro profundo, sem fim. Seu olhar fixou-se em Tom, e sua voz saiu rouca, carregada de algo que Tom não conseguia identificar:

— Tom...

O coração de Tom parou por um segundo.

A pele de Harry começou a mudar, um tom esverdeado tomando conta de seu corpo. O sofrimento ainda não havia terminado.

Sobre Lados - TomarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora