Alvo Dumbledore não esperava que seu castelo de ouro cairia tão rapidamente. Para ele, Harry Potter não tinha ninguém que se importasse em ajudá-lo.
Acho que o pobre Alvo Dumbledore não esperava que seu salvador teria ajuda de quem ele menos esperav...
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Nem tudo aquilo que vemos, é verdadeiro. As vezes é bijuteria- Narcisa Malfoy fala
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Suspirei profundamente, meus olhos presos no reflexo à minha frente. As sombras sob meus olhos não podiam ser disfarçadas, tampouco a estranha sensação de inquietação que parecia pulsar em minha pele. Hoje seria diferente, uma promessa que soava tanto como alívio quanto desafio. Pela primeira vez em anos, decidi largar o fardo de ser “o menino que sobreviveu”. Hoje, eu seria apenas Harry. Não o herói das manchetes, nem o símbolo de esperança de um mundo quebrado. Apenas o garoto comum que tinha permanecido oculto sob o peso daquela cicatriz maldita.
Passei a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais, enquanto permitia que meus pensamentos se perdessem. Sempre rejeitei qualquer indício de que algo mais, algo… sombrio, corria em minhas veias. Havia uma relutância quase instintiva em explorar o lado sonserino de minha alma, como se temesse me perder ao fazê-lo. Mas ultimamente... talvez por teimosia, talvez por desespero, comecei a pensar diferente. Talvez estivesse na hora de confrontar o que sempre evitei.
Mesmo Voldemort, o maior inimigo que o mundo mágico já viu, parecia reconhecer algo em mim que eu mesmo ignorava. E a verdade desconfortável? Aquela atenção peculiar, perigosamente sedutora, havia mexido comigo mais vezes do que eu queria admitir.
Uma batida firme na porta interrompeu meus pensamentos. Já sabia quem era, mas ainda hesitei antes de me virar. Uma última olhada no espelho, uma última tentativa de encontrar aquele Harry oculto. Com um suspiro, caminhei até a porta.
Severus Snape estava ali, envolto na habitual aura sombria que parecia parte dele. Sua capa preta flutuava em um movimento quase sobrenatural, complementando seu olhar impassível. Ele não disse nada enquanto me avaliava, seus olhos negros penetrantes analisando cada aspecto da minha postura.
— Como vai, Severus? — perguntei, tentando soar despreocupado.
— Melhor do que deveria estar, considerando minha companhia. — Seu sarcasmo afiou as palavras, mas não consegui evitar um sorriso discreto.
— Ótimo humor, como sempre. — Retruquei enquanto começávamos a caminhar lado a lado pelos corredores estreitos. Mas algo me intrigava. Não resisti: — Sério, sua capa flutua assim naturalmente, ou você lançou algum feitiço? Pode me ensinar?
Um suspiro longo escapou dele, seguido por um olhar que parecia avaliar minha sanidade.
— Não é um feitiço, Potter. Apenas uma consequência da sua falta de conhecimento em moda bruxa. Satisfeito? — Sua voz tinha uma ponta de exasperação enquanto ele aumentava o ritmo, claramente terminando a conversa.
Aparatamos diretamente para o Gringotes. O ar frio do banco foi um alívio imediato, afastando a leve opressão que se acumulava em meus ombros. Ninguém pareceu me reconhecer, o que, considerando minha vida até agora, parecia um pequeno milagre.
— Gostaria de realizar um teste de herança geral. — Disse ao duende no balcão principal.
Seus olhos rápidos foram de minha cicatriz, parcialmente escondida pelo cabelo, até meus olhos. Ele assentiu brevemente e chamou um colega. Acompanhados em silêncio, fomos conduzidos por um corredor longo e pouco iluminado, que parecia vibrar com uma magia antiga.
A sala em que entramos era majestosa e intimidadora. Mármore branco cruzado por veios negros brilhava sob a luz de candelabros flutuantes, dando a impressão de estarmos dentro de uma joia preciosa. No centro, uma mesa gigantesca e uma cadeira que parecia digna de um rei. Severus manteve-se afastado, cruzando os braços enquanto se recostava contra uma parede.
O duende que entrou tinha algo diferente. Sua presença exalava autoridade e mistério, e seus olhos pareciam alcançar minha alma.
— Boa tarde, Lorde Potter. Sou Ragnok, líder deste banco. Entendo que deseja realizar um teste de herança geral.
Assenti, educado. — Sim, senhor Ragnok. Obrigado por sua disponibilidade.
Ele acenou e entregou-me uma adaga de prata com detalhes intrincados. Seu brilho parecia pulsar com uma energia própria.
— Pingue algumas gotas de sangue no pergaminho. Tudo será revelado.
Minha hesitação durou apenas um segundo antes de cortar a palma da minha mão. O sangue gotejou na superfície do pergaminho, que imediatamente brilhou com um dourado intenso antes de exibir palavras que, à primeira vista, pareciam irreais.
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Herança de Harry James Potter-Black-Peverell-Morten-Sonserina
Pais: James Potter Lily Evans
Padrinhos: Sirius Orion Black Severus Snape
Cofres e Posses: Potter Black Evans Peverell Sonserina (conquista) Morte (conquista)
Lealdades impostas: Albus Dumbledore Família Weasley Lado da luz Hermione Jean Granger Ronald Bilius Weasley Ginerva Bilius Weasley Molly Weasley Grifinória
— Ele fez mais do que imaginei. — A voz saiu como um sussurro.
Ragnok observou-me com atenção antes de responder: — Remover esses bloqueios será complicado e perigoso. Sua magia parece ter começado a rompê-los naturalmente, o que pode ser um bom sinal...
Antes que pudesse processar completamente, Severus interrompeu.
— Claro que está envolvido em algo assim, Potter. Não consegue passar um dia sem transformar tudo em caos, consegue?
Rangi os dentes, mas acabei rindo. — Juro que não procuro por isso, Severus.
Ragnok nos interrompeu novamente, explicando os riscos do processo. Eu precisava decidir: continuar em frente ou aceitar os bloqueios como parte de mim. A escolha era clara, ainda que carregasse o peso da incerteza.
Após assinar os documentos, segui as instruções para o ritual. Deitado na superfície fria da maca, um nervosismo crescente tomava conta de mim. O feitiço começou, acompanhado por uma dor que parecia dilacerar minha alma. Fechei os olhos, lutando para me manter consciente, até que senti algo inesperado: uma mão fria em meus cabelos.
Era o toque da Morte. E, por algum motivo, foi reconfortante.