Capítulo 23: Brigas e Machucados...

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     As vezes é necessário se afasta de tudo.






     Draco estava observando Potter sentado à beira do Lago Negro, jogando pedrinhas na água. Ele se lembrava nitidamente das palavras de seu pai sobre o garoto. O próprio Lorde das Trevas havia deixado claro: não toleraria mais inimizades entre os dois, ordenando que Draco mantivesse distância de Harry. Isso pegaria muito mal, especialmente com Draco prestes a ser marcado. Ainda assim, Draco não conseguia ligar Harry Potter à imagem de alguém alinhado às trevas, mesmo depois de vê-lo lutar com habilidade e ferocidade, como na Copa de Quadribol. Ele suspirou, frustrado.

— Você acha que ele é tão importante assim? — Pansy perguntou, quebrando seus pensamentos enquanto lançava um olhar breve para Harry. — Meu pai me disse para nem chegar perto dele.

— Minha mãe foi mais flexível — Zabini comentou, com seu habitual tom descontraído. — Só disse para eu pensar bem se deveria me aliar a ele. Pode ser vantajoso se o Lorde aprová-lo. E você, Draco?

— Meu pai disse para eu parar com as "inimizades" — Draco respondeu com relutância, desviando o olhar. — Foi uma ordem direta... do próprio Senhor das Trevas.

— E você vai obedecer? — Pansy ergueu as sobrancelhas.

— Acho que vou, sim. — Draco suspirou, levantando-se. — Vou falar com ele.

— Você ficou louco? — Pansy e Blaise disseram quase ao mesmo tempo.

— Ele é meu problema, não de vocês.

Quando Draco se afastou do grupo, o coração batendo rápido, ele viu Harry arremessando mais uma pedra no lago, o rosto franzido. À medida que se aproximava, ouviu o garoto murmurar algo irritado.

— Potter — chamou Draco, hesitante.

Harry virou-se bruscamente, com os olhos estreitados.

— Malfoy. O que você quer?

— Disseram-me para... ficar longe de você. — Draco respirou fundo, tentando não gaguejar. — E estou aqui para... pedir desculpas. Pelas nossas inimizades passadas.

Harry arqueou as sobrancelhas, uma expressão de pura descrença em seu rosto.

— E você veio só para isso? Parece falso.

— Não estou aqui para fazer você gostar de mim, Potter. — Draco rebateu, o desconforto evidente na voz.

Harry, para surpresa de Draco, deu um meio sorriso.

— Isso soa mais como você.

— Você acha isso engraçado? Pare de rir! As pessoas podem começar a achar que somos... amigos.

— Duvido muito. — Harry soltou uma risada breve. — Mas, considerando que estamos conversando há alguns minutos sem tentar nos matar, isso deve contar como algum tipo de milagre.

Draco hesitou, mas acabou se sentando na grama, próximo a Harry.

— E quanto ao que aconteceu na Copa de Quadribol? Você lutou bem. Mais do que eu esperava.

— Não lutei por diversão, Malfoy. Lutei porque precisei.

— Sempre com essa conversa de mártir. — Draco revirou os olhos, mas logo mudou de assunto. — Parece que você está jogando essas pedras com um pouco mais de ódio do que o normal.

Harry bufou, lançando outra pedra na água.

— É o Ron. Ele andou dizendo umas coisas... irritantes.

— Weasley? Não diga que vocês brigaram por causa da Granger ou da Weasleyzinha.

— Algo assim. Não importa.

Antes que Draco pudesse responder, ambos ouviram passos pesados. Ron se aproximava, vermelho de raiva.

— Potter, levanta — Draco murmurou, mas Harry apenas permaneceu sentado, calmo.

— O que você está fazendo aqui, Harry? Conversando com esse... esse Comensal em treinamento? — Ron gritou, seus punhos cerrados.

— Talvez porque ele seja mais civilizado que você neste momento? — Harry rebateu com sarcasmo.

Isso foi o suficiente para Ron explodir. Ele se lançou contra Harry, agarrando-o pela camisa e derrubando-o de costas no chão.

— Solta! — Harry resmungou, tentando empurrá-lo, mas Ron era mais pesado e usava sua vantagem.

Draco ficou paralisado por um instante, observando. Zabini, que assistia de longe, começou a correr para chamar ajuda.

Harry conseguiu finalmente libertar-se com um chute que desequilibrou Ron. Ele se levantou rápido, mas antes que pudesse reagir, Ron deu um soco direto no estômago de Harry, fazendo-o cambalear.

— Você é um idiota, Weasley! — Harry gritou, revidando com um soco no queixo de Ron, que caiu de joelhos.

Ron, com o nariz sangrando, avançou novamente, mas desta vez Harry não estava despreparado. Ele puxou Ron pela gola e os dois rolaram pelo chão, trocando socos selvagens. Harry o empurrou com força, mas Ron conseguiu segurar um punhado de terra e jogá-lo no rosto de Harry, aproveitando a distração para desferir mais um soco.

Harry, furioso, sentiu sua magia crepitar ao seu redor. O ar parecia pesado, carregado de energia bruta, o suficiente para fazer Draco dar um passo involuntário para trás. Harry avançou com um chute nas costelas de Ron e, sem pensar, pegou uma pedra próxima, ameaçando usá-la.

— CHEGA! — a voz de Snape ecoou, finalmente chegando ao local. Ele agarrou Harry com força, impedindo-o de continuar o ataque. — Malfoy, tire Potter daqui! Agora!

Ainda sem saber o que fazer, Draco obedeceu, segurando Harry pelo braço e o puxando enquanto os outros estudantes corriam para ajudar um Ron derrotado e coberto de sangue.

Enquanto eles se afastavam, Draco olhou para Harry, ainda ofegante e visivelmente transtornado.

— Você é insano, Potter. Totalmente insano.

— É isso que as pessoas continuam me dizendo. — Harry respondeu com um meio sorriso, embora seus olhos ainda estivessem brilhando com raiva.

    Draco permaneceu em silêncio, ainda segurando firmemente o pulso de Harry enquanto o arrastava para o escritório de Severo. Ao entrar, finalmente o soltou. Harry caminhou até um dos armários, pegando algumas poções e uma bebida.

    — Meu padrinho não gosta que mexam nas coisas dele, Harry.

    — Eu sei — respondeu Harry, rindo baixo —, mas eu não posso matar o Ron... então é a bebida no lugar.

    — Você fala como se já tivesse matado alguém — Draco sussurrou da porta, o olhar frio, porém curioso.

    — Eu nunca matei, mas sei que, se estiver com raiva, ela me cega, e eu acabo fazendo besteiras.Já torturei o Rato... mas foi há muito tempo — Harry murmurou, com a voz baixa.

    De repente, a porta se abriu com força, batendo na parede, e Severo entrou apressado, os passos largos e pesados.Ele não hesitou, foi direto até Harry, segurando-o pelo colarinho sem se importar com o copo que escorregava da mão do garoto, derramando o líquido.

    — Eu sei — começou Harry, olhando para Severo.

    — Não, você não sabe! — a voz de Severo se elevou, ríspida. — Como você acha que pode se controlar?

   Passou a semana toda brigando com aquele moleque, e agora isso! Você ainda tenta matá-lo e acha que Dumbledore não vai estar no seu encalço?!

    — Eu posso me virar, Severo — Harry sussurrou, desviando o olhar.
   
— Não, você pode! — Severo gritou, interrompendo-o. — Você é uma criança mimada que ainda não aprendeu que nem tudo pode resolver sozinho! Eu tive que parar você, ou teria ido até o fim. Acha que gosto de ser interrompido para resolver as brigas de crianças?

    — E acha que eu não teria? — Harry rebateu, puxando a mão de Severo para longe dele. — Eu o mataria na mesma hora! E não, não me importo com Dumbledore no meu encalço. Sempre vivi assim, acha que agora vou mudar? E sabe o que mais, Severo? Mimado... eu?

    Harry sorriu, mas algo naquele sorriso traiu a dor que ele sentia. Seus olhos brilharam com lágrimas que ele não deixaria cair.Baixou o olhar, permitindo que os cabelos cobrissem seu rosto.

    — Sinto muito se o ofendi — disse, a voz trêmula, controlada. — Não vou mais causar problemas.Tenho certeza de que minhas brigas não irão mais atrapalhar o seu trabalho.

    Ele deixou a poção e a bebida sobre a mesa antes de caminhar para fora, passando por Draco sem nem olhar para trás.

    — Nosso Senhor convocou você para hoje à noite — murmurou Severo, sem se virar, tentando controlar a própria culpa ao olhar para o garoto de costas.  Ele não sabia se o que havia dito causara mais danos do que ajudara.

    — Já vejo isso — respondeu Harry antes de desaparecer pela porta.

Sobre Lados - TomarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora