Helena já enfrentou mais perdas do que muitos aguentariam. Órfã desde cedo, foi criada pela avó e, depois, por Camélia - a mulher que lhe deu abrigo quando tudo desmoronou. Cresceu entre contas apertadas, promessas silenciosas e a certeza de que só...
— Está tudo bem? — Encontro Caíque sentado no deck da piscina, com o olhar distante. — Ah... Sim. Está sim. — Ele me olha rápido e volta seu olhar para frente. — Posso? — Aponto o lugar ao seu lado.
Caíque concorda com a cabeça.
— Parece que vai chover. — Também acho.
Ficamos observando o céu por alguns minutos, até que resolvo quebrar o silêncio entre nós.
— Por que você está assim? — Assim, como? — Quieto, com o olhar distante. — Não é nada. — Tem certeza?
Ele consente.
— Que bom. Pensei que estava assim por minha causa. — Quanta prepotência, Helena. — Ri pelo nariz. — Por que eu estaria mal por você?
Encolho os ombros.
— E então, conversou com o Nathan? — Ele finalmente pergunta. — Sim. — Se resolveram?
Concordo com a cabeça.
— Que bom. Fico feliz por vocês.
Ergo uma sobrancelha, sorrindo.
— O que foi? — Você mente tão mal! — Eu não estou mentindo... E não me olha com essa cara!
Continuo o encarando com um sorriso malicioso nos lábios.
— Ah, deixa pra lá. Pense como quiser. — Nunca dá o braço a torcer, Gama? — Não mesmo.
Sorrio fraco.
O silêncio toma o ambiente novamente, até que um delicioso aroma de comida chega até nós.
— Hum, que cheiro bom! — Lúcia deve estar preparando o jantar. — Que bom, estou varada de fome. — Você tem um apetite invejável. — Ele ri. — Não sobrevivo só de folhas e suplementos, igual a você. — Eu não como só isso, chatinha. — Caíque se levanta e me estende a mão. — Vamos? — Vamos.
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Depois do jantar, já no quarto, convenço Caíque a assistir "Um amor para Recordar".
— Esses filmes me deprimem. — Ele resmunga. — À mim também. — E por que insiste em assisti-los, então? — Me olha com descrença. — Não sei. — Encolho os ombros. — Mulheres! — Caíque revira os olhos, rindo. — Talvez seja por essa idealização de amor perfeito. Olhe só para eles... — Indico a TV. — São perfeitos em suas imperfeições, se completam. — Sonha em viver um amor assim? — Não. — Por que? — Porque isso só funciona na ficção. A vida real é bem menos romântica. — Você sempre pensou assim? — Caíque me olha.
Faço que "não" com a cabeça.
— E por que o amor perfeito te deprime? — Você sabe como essa história termina? — Não. — Assista e tire suas próprias conclusões, então. — Ok.
Seguimos assistindo em silêncio até o final.
— Agora eu entendi. — Caíque sussurra. — É deprimente, não é? — E inspirador ao mesmo tempo.
Sorrio, até que um raio ilumina todo o quarto, seguido de um estrondoso trovão.
Tampo meus ouvidos com as mãos e fecho os olhos.
— Ei, calma. É só a chuva chegando. — Não gosto disso. — Me encolho. — Tem medo? — Desde criança. Mas piorou depois do acidente.
Outro trovão me faz tremer, mas logo Caíque me acolhe em seus braços.
— Ei, está tudo bem. Eu estou aqui com você. — Ele sussurra.
Me aconchego em seu peito, enquanto ele puxa o edredom para nos cobrir. Sua pele é quente mesmo estando descoberta e seu perfume é leve e agradável. Caíque delicadamente acaricia meus cabelos e tampa meu ouvido sempre que um raio ilumina o céu. Sua atitude me faz sorrir.
A chuva cai pesadamente lá fora e quando os raios cessam, o sono começa a me tomar. Olho para Caíque, que já dorme profundamente e lhe aplico um beijo na testa.
Após lutar contra o sono por alguns minutos, cedo, exausta.
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— Demorou a dormir ontem? — Caíque me pergunta, enquanto se troca no closet. — Não muito. — Eu tentei ficar acordado, mas chuva me dá muito sono. — Ai, que inveja. — Dou uma pequena risada. — Caíque, obrigada. — Paro na porta, observando-o abotoar a camisa. — Pelo o quê? — Fazer com que eu me sentisse protegida.
Ele sorri.
— Não foi nada. Obrigado você por me deixar te proteger. — Ele vem até mim e beija minha testa. — Já está pronta? — Já sim. — Então... Lá vamos nós de novo enfrentar os leões.
Consinto e abraçando-o de lado, descemos as escadas, rumo à Exxon.
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— Bom dia, casal do ano. — Laila nos recepciona logo na entrada, com um sorriso irônico nos lábios. — Bom dia. — Caíque responde rispidamente, sem parar de andar. — Quem te viu e quem te vê, Caíque Gama. A órfãzinha está realmente fazendo um bom trabalho. — Não ouse se dirigir à Helena assim! — Caíque avança sobre ela, mas eu o detenho.
Os funcionários param para observar a discussão.
— Caíque, deixa. Eu não me importo. — Mas eu me importo. — Ele responde, sem tirar os olhos de Laila. — E não admito que você a desrespeite. — Uau. E o que é que você vai fazer? Me bater? — Dá de ombros. — Não me surpreenderia. — Você é patética. — Ele a olha com desprezo. — Fique longe da Helena. Não vou avisar outra vez, Laila.
Caíque me puxa pela mão até o elevador.
— Por que você fez isso? — Pergunto, quando as portas se fecham. — Não acredito que você está brava comigo. Eu te defendi e...
Interrompo-o com um beijo. De gratidão, de carinho, de... Desejo.
— Obrigada. — Sorrio, quando terminamos o beijo. — Mas nunca mais faça isso aqui na empresa. Não quero te causar problemas.
Ele sorri.
— Eu já sou o problema, Helena. Você é minha salvação.