— Me deixe ir com você. Por favor.
— Já conversamos sobre isso, Helena. — Caíque dirige, enquanto conversamos. — Vou deixá-la no apartamento com dona Camélia e vou até a casa do Harry. Se conseguirmos algo, você será a primeira a saber.
— Nada do que eu diga ou faça, fará você mudar de ideia?
— Não mesmo.
— Droga. — Recosto-me no banco, cruzando os braços, contrariada.
Caíque sorri do meu semblante emburrado.
Minutos mais tarde, chegamos ao prédio.
— Se cuide enquanto eu estiver longe, ok? Nada de ficar andando sozinha por aí. Ah, e se Otávio fizer contato, me ligue imediatamente...
— Está bem. — Interrompo-o, com um pequeno sorriso. — E você me prometa que não tentará resgatar Alice sozinho.
— Eu prometo.
Fixo meus olhos nos seus. Eles possuem um brilho hipnotizador.
Nossas bocas se aproximam lentamente, mas Caíque desvia, depositando um beijo em minha testa.
— Eu volto logo.
— Está bem.
Desço do carro e aceno para ele, que me espera entrar no prédio para dar partida no carro.
Entro a passos rápidos na recepção, numa tentativa frustrada de passar despercebida.
— Helena? Bom dia! — Israel me cumprimenta.
— Ah, oi Israel... Bom dia.
— Está tudo bem?
— Está, — minto — está sim. Eu... Vou subir, estou um pouco atrasada. Tudo bem?
— É claro. — Israel me olha com desconfiança. — Até logo.
— Até.
Sorrio rápido e subo pelo elevador. Logo estou na porta de nosso apartamento. Respiro fundo, antes de abrí-la.
— Bom dia.
— Bom dia, querida. — Camélia sorri, enquanto prepara um café. — Finalmente apareceu alguém nesse apartamento.
— Pois é. Eu acabei tendo alguns imprevistos na noite anterior.
— Imprevistos, sei. Por acaso um desses "imprevistos" tem braços fortes, olhos azuis e um belo sorriso? — Camélia analisa a camisa de Caíque, que ainda visto.
— É... Talvez. — Sorrio, escondendo uma meia mentira.
— E Alice, onde está? Nathan disse que ela precisou esticar o trabalho depois da faculdade, mas que voltaria pela manhã.
— Ah, ela também teve um imprevisto. Se é que você me entende. — Gesticulo. — Logo, logo ela chega.
— Minha menina se tornou uma mulher tão rápido. Chega até a dar um aperto no meu coração.
Vou até Camélia, abraçando-a de lado.
— Como foi passar a noite sozinha?
— Uma aventura e tanto. Já tomou café da manhã?
— Ainda não.
— Então, sente-se. Vou lhe contar minhas peripécias noturnas, enquanto você come.
— Ótima ideia.
As horas vão passando e eu continuo a distrair Camélia, evitando ao máximo perguntas sobre Alice. Nesse meio tempo, Caíque me manda uma mensagem:
"Localizamos. Estou indo para aí."
Respiro aliviada e continuo a conversa com Camélia, até ser interrompida por uma ligação.
Analiso a tela. Número desconhecido.
— Ah, é do trabalho. — Minto.
— Atenda, filha. Vou procurar uma receita de sobremesa para mais tarde, enquanto isso.
— Ok.
Sorrio e me afasto para atender.
— Alô.
— Você está falhando comigo, Helena. O que foi que combinamos?
— Otávio, eu... Eu já estou indo para a empresa.
— Não minta para mim. Você está tentando ganhar tempo, não está? Quer achar e resgatar sua irmã antes de precisar trair a família de seu amado marido.
— É claro que não. Eu nem cogitei essa possibilidade.
— Não foi o que pareceu quando fez seu amigo invadir aquele galpão.
— Foi você, não é? Você armou a emboscada e mandou que atirassem no Leo!
— Para a sorte de seu amigo, não cumpriram corretamente minha ordem.
— Você é doente!
— Não, eu sou um homem determinado. Determinado e de palavra, diferente de você, pelo o que vejo. — Otávio suspira, dramaticamente. — Pensei que se importasse mais com sua irmã, Helena. Vejo que me enganei. É uma pena.
— Não! Eu cumprirei com minha palavra, Otávio. Eu juro!
— Eu sei que cumprirá. Até porque darei um ótimo incentivo para você.
— O que... O que você quer dizer com isso?
— Logo você saberá.
— Não! Otávio, pelo amor de Deus!
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Plano B
RomanceHelena perdeu seus pais em um trágico acidente, ainda muito nova. Desde então, trabalha duro para sustentar a casa e oferecer uma vida digna à sua irmã, Alice. As dificuldades a fizeram ter sede de vitória e traçar um plano para sua vida: se formar...
