Helena perdeu seus pais em um trágico acidente, ainda muito nova. Desde então, trabalha duro para sustentar a casa e oferecer uma vida digna à sua irmã, Alice.
As dificuldades a fizeram ter sede de vitória e traçar um plano para sua vida: se formar...
— Você vai ficar sem falar comigo até quando? — Caíque me pergunta, enquanto dirige. — Eu não estou sem falar com você.
Ele ri, sem humor.
— É a primeira palavra que trocamos desde que deixamos o hotel. Vai me dizer o que está acontecendo ou não? — É você quem tem que me dizer. — Eu? Do que você está falando? — Onde você estava às duas da manhã? — Como assim, onde eu estava? Eu estava dormindo.
É a minha vez de rir.
— Ok. — Me viro para a janela. — Ah, qual é? Helena! — Ele para o carro. — Ok. O que você quer que eu diga? — Não sei. Talvez... "Ah, Helena, me perdoe por te preocupar à toa. Eu perdi o sono na madrugada e resolvi jogar uma partida de bilhar."
Ele baixa a cabeça e suspira.
— Ah, droga. Você viu, não é? — Infelizmente. Juro que preferia não ter visto. — Helena, eu... Que merda! Olha, me perdoa... — Você é livre, Caíque. Pode transar com quem quiser. Só não precisa mentir para mim.
Ele fica em silêncio.
— E nem sei porque fiquei tão chocada. Sempre soube da sua fama. — Merda. — Caíque encosta a cabeça no volante. — Não queria ter feito isso. — Ah, eu vi como você estava sendo obrigado a beijá-la. — Ironizo. — Eu fiz por medo. — Ele trava o maxilar. — Medo? De quê? Não ser mais tão desejado? — De estar apaixonado por você. —Ele me olha. — Isso nunca aconteceu comigo antes. — Aí por medo de estar apaixonado, você vai lá e transa com a primeira que aparece? Qual o sentido disso? — Eu precisava provar a mim mesmo que ainda estava no controle de tudo. — Ele dá partida no carro. — E se te interessa saber, não transamos. — Não? — Não.
Mordo o lábio, segurando o riso, e me ajeito no banco.
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— Família, cheguei! — Abro a porta do apartamento com um sorriso no rosto. — Bem vinda, Senhora Gama. — Alice faz uma reverência. — Palhaça. — Dou uma risada e a abraço. — Oi Camélinha! — Me sento ao seu lado no sofá, e lhe aplico um beijo na bochecha. — Oi meu amor. — Cunha, entra aí. A casa é sua. — Alice convida Caíque e completa: — E não é no sentido figurado. — Obrigado, Alice. — Caíque sorri. — Oi dona Camélia, como vai? — Vou bem filho, graças a Deus.
Ele beija sua mão.
— À propósito, preciso te agradecer direito por tudo o que fez por mim. Mal conversamos desde que saí do hospital. — Não tem nada que me agradecer. Tenho certeza que a senhora faria o mesmo por mim.
Camélia sorri.
— E aí, como está a vida de casado? — Alice cutuca Caíque com o cotovelo. — É... Estava indo bem. — Ele cerra os lábios e me olha.
Eu desvio meu olhar e começo a conversar com Camélia.
— Como você está se sentindo? — Estou ótima, filha. Me sinto dez anos mais nova. — E como estão as caminhadas? — Progredindo. Já estou dando três voltas completas no quarteirão! — Olha só! Estou orgulhosa! — Irmã, nós já voltamos. — Alice avisa, indo em direção à porta e puxando Caíque pela mão. — Onde vocês vão? — Caíque vai me ajudar a escolher alguns ingredientes para novas receitas. Ele é fitness, já percebeu? — Ela pisca, antes de sair. — Doidinha. — Camélia comenta, sorrindo.