Helena perdeu seus pais em um trágico acidente, ainda muito nova. Desde então, trabalha duro para sustentar a casa e oferecer uma vida digna à sua irmã, Alice.
As dificuldades a fizeram ter sede de vitória e traçar um plano para sua vida: se formar...
— Não, Paulo... — Afasto-o. — O que você pensa que está fazendo? — Alice... — Ele me olha em um misto de decepção e constrangimento. — Me desculpe, mas eu não consigo mais conter esse sentimento. Eu gosto de você. — Ele segura minhas mãos. — Você me fascina.
Suspiro.
— Paulo, eu estou com o Israel e eu o amo. Você sabe disso. — Me desvencilho de suas mãos. — Eu sei. E não me sinto nada confortável com essa situação... — Então finja que nada disso aconteceu. — Interrompo-o. — Eu farei o mesmo. — Alice... — É melhor assim, Paulo. Com licença.
Saio e, sem olhar para trás, vou até meu carro.
No caminho para casa, a cena de nosso beijo não sai de minha mente.
Ligo o rádio e tento focar minha atenção no trânsito, mas as palavras de Paulo ecoam em minha mente insistentemente: "Eu gosto de você. Você me fascina."
Estaciono o carro na garagem do prédio e logo avisto Israel. Sinto meu peito doer de culpa.
— Oi amor. — Ele sorri, caminhando em minha direção. — Oi. — Selo seus lábios. — Estava me esperando? — É claro. Você demorou hoje. Aconteceu alguma coisa? — Muito trabalho. Estou exausta. — Eu imagino. — Ele acaricia meu rosto. — Já terminou seu expediente? — Já, sim. — Você já vai para casa ou quer subir comigo? — Quero subir com você. — Ele sussurra em meu ouvido, me envolvendo pela cintura.
Sorrio e subo até meu apartamento em sua companhia.
— Oi Camélinha! — Oi querida. — Ela sorri, enquanto beberica seu chá na sala. — Nossa, você demorou hoje. Oi de novo, Israel. — Oi, Dona Camélia. — Fez muitas fotos, filha? — Nem me fale. — Jogo minha bolsa em cima da cama e volto para a sala. — Passamos o dia todo fotografando, estou um caco. — E ainda dizem por aí que vida de modelo é fácil. — Pois é, mal sabem que nem tudo são flores, flashs e glamour.
Camélia sorri.
— Bom, agora que você já chegou, posso ir dormir sossegada. — Ela se levanta e beija minha testa. — Boa noite, minha querida. — Boa noite, Camélinha. Durma com Deus. — Amém. — Ela se vira em seguida para Israel. — Juízo, heim? — Pode deixar. — Ele sorri.
Camélia vai para seu quarto, nos deixando à sós.
— Amor, vou tomar um banho rapidinho. — Me espreguiço. — Você me espera? — Preferia ir junto com você, né? Mas, tudo bem... — Ele faz um bico. — Eu te espero. — Para de ser safado. — Bato fraco em seu braço, rindo.
Israel me puxa pela cintura e beija meus lábios.
— Está tudo bem? — Claro. Por quê? — Não sei. Você está estranha. — Impressão sua. — Beijo a ponta de seu nariz. — Já volto, ok? — Ok. Vou preparar um lanche para você, enquanto isso. — Te amo!
Tiro minha roupa e entro no chuveiro. Enquanto a água quente cai sobre meu corpo, tento não pensar em Paulo.
Falho.
Me lembro de sua boca colada à minha, seus braços firmes me envolvendo pela cintura, seu coração acelerado como o meu.
"Sinto que preciso te alertar. Paulo já saiu com absolutamente todas as modelos dessa agência. Jura seu amor e devoção, mas depois de conseguir o que quer, ele simplesmente as descarta. Não deixe aqueles lindos olhos azuis despedaçarem seu coração. E cuidado, pelo visto você é a nova vítima dele."
As palavras de Julia me trazem de volta à realidade.
Não posso acreditar nele, não devo. E não vou.
— Cadê meu lanche? Estou varada de fome. — Saio do banho com os cabelos ainda molhados e trajando minha camiseta preta dos Beatles e um short de moletom cinza. — Tcharam! — Israel coloca o prato com um delicioso e enorme lanche sobre o balcão. — Uau! Tudo isso para mim? — Você merece. — Ele pisca e, escorado no balcão, vangloria-se. — Ouvi dizer que é igualzinho ao da Ritz. — Existe namorado mais perfeito que o meu? — Seguro seu rosto com as mãos e lhe beijo. — Acho que não. — Ele ri.
Me sento em um banco da cozinha e dou início a "difícil" tarefa de devorar o lanche.
— Meu Deus, estava divino amor. — Me jogo no sofá e o puxo junto, logo após comer. — Gostou mesmo? — Você manda muito bem!
Israel sorri e me beija.
— Já quer ir dormir? — Não. Quero ficar com você. — Sorrio, mordendo meu lábio.
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Acordo em minha cama, mesmo não tendo adormecido nela. Me espreguiço e logo que me viro, vejo um bilhete em cima do criado-mudo:
"Bom dia princesa. Você estava dormindotãobonitinha que não quis te acordar. Tenha um ótimo dia e desce aqui na recepção para me dar um beijo depois. Te amo."
Me levanto sorrindo, dou um beijo de bom dia em Camélia e vou até o banheiro.
Enquanto escovo os dentes, ouço o interfone tocar.
— Pronto. — Dona Camélia atende. — Ahn... Como é, Israel?
Silêncio.
— Não... Nós estamos descendo. Obrigada, filho.
— O que houve, Camélinha? — Aponto na porta, com a escova na boca, estranhando seu tom. — Tem uma moça lá embaixo procurando por você. — Por mim? Quem é? — Segundo ela, é sua irmã.