Pela última vez

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Quando ele falou essas palavras meu coração quase saiu pela boca.
Eu sei que já passou muito tempo, mas eu nunca havia me apaixonado por ninguém assim. Queria ir, mas o medo de voltar e ele estar com outra era maior, o medo de ficar tão longe dele, era maior.
Eu sei que não podia prender ele, que mais cedo ou mais tarde ele encontraria alguém, formaria uma família, teria filhos...e toda essa ideia me apavorava. -

Quando vi uma lágrima escorreu pelo meu rosto, e a limpei depressa. Olhei para frente e todos me olhavam com muita atenção. Resolvi então dizer as seguintes palavras:

– Não, não existe ninguém que me prenda aqui. - eu falo e olho pro senhor Gustavo. - Eu vou! -

Eu não tinha certeza se queria mesmo ir, muita coisa estava acontecendo na minha vida, e não sabia se estava preparada pra abandonar tudo, mas acabei cedendo a carinha da minha irmã, que veio depressa até mim e me abraçou apertado.

Gustavo: Que bom, meninas! Sabem que tenho vocês como filhas, e tenho certeza que essa oportunidade será ótimo pra carreira de vocês! - ele sorri e abraça a gente.

Assinamos o contrato, nos despedimos de todos, e fomos pra casa. Daqui um mês viajaríamos, era muita informação pra um dia só.
Maiara ficou de ligar pros nossos pais e dar a notícia, eu não daria conta naquele dia. -

Toda essa ideia de ficar um ano longe da minha vida aqui, me assustava. Eu sei, passava a maioria do tempo nas estradas, e pouco em casa, mas eu estava num solo conhecido, sabia que a qualquer momento eu poderia voltar pro colo da minha mãe se as coisas apertassem.

Mas um ano...em um ano muita coisa pode acontecer. Sem contar que não podemos furar o contrato por qualquer coisa. Somente se fosse caso de doença ou gravidez, e eu sabia que nenhuma das alternativas iriam acontecer.
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Passado algumas semanas, demos a notícia para os amigos mais próximos e eles ficaram imensamente felizes por nós.

Maiara então resolveu fazer uma janta lá em casa de despedida, no domingo antes da viagem. Viajaríamos logo na segunda.

Eu queria o convidar, mas estava insegura. Eu queria me despedir, só que não suportava a ideia de que ia ficar um ano sem o ver. Eu já achava que ele estava com outra pessoa, e pensei que o chamando pra vir até aqui fosse atrapalhar tudo. Mas eu queria tanto o ver uma última vez, nem que fosse só ver, de longe, não precisava de conversa, apenas o ver.

Foi aí que as pessoas foram chegando pra janta, e eu tive a ideia de ir até o seu apartamento. Tava com medo do que poderia encontrar lá? Tava, mas eu tinha que falar com ele, nem que fosse pela última vez.

Maraisa: Gente, me perdoem! Mas eu preciso resolver uma coisa, eu não posso viajar desse jeito. Se eu não voltar a tempo de me despedir de vocês, saibam que eu amo vocês imensamente e de todo coração. - eu sorrio e algumas lágrimas escorrem. - É apenas um ano, vai passar rápido! - falei tentando me convencer. - Se cuidem tá? Logo logo a nanica tá de volta! - falei abraçando cada um e me despedindo.

Foi aí que Marília se aproximou de mim, e me questionou:
– Maraisa, onde é que tu vai? - ela me olha.

Maraisa: Eu vou encontrar uma pessoa, Lila. - eu sorrio. - Quero ver ele antes de viajar, eu preciso ver ele pra me dar forças!

Marília: Não é o Raimundo, né? - ela me olha com o semblante sério.

Maraisa: Claro que não, Marília! Da onde é que você tirou isso? - falo rindo. - Raimundo é passado.

Marília: Ah que susto! - ela suspira aliviada. - Vai encontrar essa pessoa então, vejo que te faz muito bem, pq só de falar dela, teus olhos brilharam nanica!

Maraisa: Eu preciso! - eu sorrio e a abraço. - Obrigada pela força. Eu amo você, amiga! Se cuida.

Marília: Eu amo mais! Se cuida lá também ein. Sempre vou te apoiar. - eu a abraço novamente, e sigo até a casa do João.

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