Filme de terror | 74

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Malu POV

A conversa rendeu, já passava das 19h, e estávamos todos sentados no chão da sala, Ju ao lado do Chris, Mauro deitado no chão com a cabeça no colo da Rafa, Picon apoiado no sofá, e eu estava entre suas pernas, acariciando sua mão em minha cintura, com as costas apoiadas em seu peito. Depois de jogarmos baralho, uno e cabra cega – o que foi uma péssima ideia, já que Mauro quebrou meu porta-retrato. Tomamos o sorvete e agora estávamos assistindo a um filme de terror.

– Ai, meu Deus do céu, a loira vai morrer, cuidado, Rafa – todos rimos, e eu cobri o rosto para não ver; nesse momento, pude sentir o Leo deixar um beijo em minha cabeça, ele é tão carinhoso.

– Você também é loira, querida – Rafa se defendeu, alisando o cabelo do Mauro.

– Mas eu sou loira tingida, e nem tá tão loiro meu cabelo – digo, pegando uma mecha para analisar.

– Xiiiiiii, eu quero assistir, suas fresca, tricota depois – Chris pediu, olhando a TV, concentrado.

– Boa, Chris, eu também quero – Mauro concordou e levou um tapa estalado na testa. – Ai, amor, isso dói, poxa.

– Desculpa, nenê, não era pra ser tão forte assim – minha amiga se desculpou, rindo.

– Amor, você tá bem? Tá com uma carinha... – Leo sussurrou ao pé do meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

– Tô sim, só to com um pouco de dor no estômago, nada de mais – virei o rosto para ele e o selei rapidamente, quando a campainha tocou.

– Quem será agora? A mamãe atrás da Ju, só pode – digo, levantando-me para ir novamente atender a porta.

– Atrás de mim não, eu falei que ia voltar tarde – Juliana disse, abraçando o Chris de lado, enquanto eu caminhava até a porta.

A pessoa estava meio desesperada, porque tocou novamente a campainha, impaciente, até que abri a porta, sentindo um frio percorrer todo o meu corpo ao ver quem estava ali.

– Lucas? O que você tá fazendo aqui? – Questionei séria, encarando-o.

– Oi, Malu... Posso... entrar? – Ele parecia buscar as palavras, enquanto me encarava descaradamente, analisando cada traço do meu rosto, como se verificasse se estava faltando pedaço.

– Não. O que tá fazendo aqui? Você não tava em Nova York? – Perguntei baixo, fechando um pouco a porta para que ele não entrasse.

– Eu cheguei hoje de manhã, dormi o dia todo, fui procurar o Mauro, e a mãe dele disse que ele tava aqui.

– Quem é, amiga? – Rafa gritou da sala.

– Ninguém, era engan... – T3ddy aproveitou que eu virei meu corpo, para responder a minha amiga, e empurrou a porta levemente, que lhe deu passagem, e entrou, caminhando até a sala.

Eu corri atrás dele, tentando-o fazer parar, mas ele me ignorou, estava sendo tão ridículo.

– Oi, gente, cheguei – ele disse com um sotaque afeminado, e o olhar do Leo para mim me deixou sem jeito.

– Mauro, ele tava procurando você – digo, interrompendo o abraço dos três: T3ddy, Chris e Mauro.

– Malu, você pode ir ali na cozinha comigo rapidinho? – Picon me chamou, e eu assenti, mesmo sabendo que levaria uma bronca. O segui até a cozinha, e ele estava de costas para mim, olhando o armário.

– Eu não tenho nada a ver com isso, Leo, eu nem sabia que ele tinha voltado pro Brasil – digo, já querendo chorar, meu interior estava uma confusão de emoções.

– Tudo bem, mas o que ele tá fazendo aqui, amor? Seu ex na sua casa essa hora?

– A casa não é só minha, e você não precisa ter ciúmes dele – digo em um tom triste.

– Não? Fala sério, tá escrito na sua testa que você ama ele – Leo se virou, encarando-me.

– Picon, o Lucas é meu irmão, por isso terminamos, a gente não sabia, mas eu sou filha do pai dele, somos irmãos por parte de pai, por isso não precisa ter ciúmes, a gente não vai ficar junto – limpei uma lágrima, que correu pelo meu rosto, ao relembrar essa história toda.

– Que papo é esse? Eu te pedi sinceridade, não menti pra mim, Mah.

– Eu não to mentin...do – me segurei na mesa para não cair, devo ter tido uma queda de pressão, fiquei tonta de repente, e o Leo me apoiou logo; depois me fazendo sentar na cadeira.

– Vamos no hospital, por favor? Você não tá bem, cara, é vômito atrás de vômito, agora tonturas, o que tá acontecendo, Malu? – Seus olhos verdes me olhavam fixamente, preocupados.

– Deve ser a pressão que caiu, eu tô bem, relaxa, vai passar, só preciso deitar um pouquinho, amor – digo, ainda me sentindo mal e me levantei, apoiando nele, indo para o quarto.

– Amiga, tá tudo bem? Você tá pálida de novo, Maria Luiza. – Eu iria mentir, mas Leo tomou a frente.

– Não tá não, Rafa, ela quase desmaiou na cozinha, com tontura.

– Tontura, como assim? Malu, você almoçou? Ela tem disso de não comer às vezes, vocês sabem, né? – Lucas se aproximou preocupado.

– Eu já disse que tô bem, que saco – bufei, caminhando em direção ao quarto, devagar com a ajuda do Leo.

– A gente só quer seu bem, sua grossa – Rafa me repreendeu.

Besides The Life - T3ddy | Lucas OliotiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora