Supermercado | 75

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• Lucas Olioti

Despedi-me do Luba e entrei em meu carro, começando a dirigir para casa, mas me lembrei que teria de passar no supermercado para comprar algumas coisas, que estavam faltando. Mudei a rota e segui em direção ao mercado.

Estacionei o carro no estacionamento do supermercado e logo adentrei no estabelecimento, enquanto xingava mentalmente os funcionários que deixaram o ar-condicionado do mercado ligado. Estava com frio, o tempo havia fechado para chover, e estava ventando muito frio.

Caminhei pelos longos corredores, empurrando o carrinho, pegando alguns biscoitos da prateleira e colocando no carrinho, peguei também o pó de café, o açúcar e meu achocolatado, que havia acabado ontem. Estava caminhando em direção ao caixa, quando o som alto de um trovão ecoou, fazendo com que eu me assustasse, e algumas mulheres gritassem, fazendo-me assustar mais ainda.

– Essa chuva vai ser forte, eu to morrendo de medo, boa noite – disse a moça do caixa, olhando-me.

– É, parece que vai ser bem forte mesmo, o tempo fechou todinho – afirmei, colocando as coisas no caixa. Ao terminar, olhei para trás por mania, e meu coração quase saltou do peito.

– T3ddy? O que tá fazendo aqui? Sua casa é meio longe daqui, né – Malu observou, olhando-me, enquanto segurava uma cesta do mercado, com alguns produtos.

– Eu... tava na casa de um amigo, mas a sua casa também não é aqui perto – digo, sem tirar os olhos dela.

– Mas a Approve é... Eu tava trabalhando e aproveitei pra vir aqui comprar umas coisas, antes de chover – ela se explicou um pouco tímida, o que a tornava ainda mais linda.

– 25,75 – A moça do caixa nos interrompeu, peguei minha carteira e lhe dei uma nota de 50 reais.

– Seu namorado tá contigo aqui? – Questionei, mesmo com receio da pergunta, e respirei aliviado, quando ela negou. – Você tá melhor? Tá de carro?

– Tô melhor, sim, e não, vou esperar um táxi – ela disse e apontou para a moça do caixa, que estava com a mão esticada em minha direção, devolvendo-me o troco.

– Eu posso te dar uma carona se quiser, você sabe que táxi fica mais caro com chuva e, mais arriscado também, e alguns não trabalham – digo, afastando-me do caixa para que ela passasse suas coisas, e peguei minhas sacolas, esperando-a.

– Na verdade, não. Obrigada... Eu vou ligar pro Léo me buscar – ela disse, enquanto pegava o dinheiro da bolsa para entregar a moça do caixa, que já embalava suas sacolas.

– Tá bom então, vou indo... Qualquer coisa, você me liga, sei lá – avisei com uma expressão triste e me virei, saindo.

Caminhei até o estacionamento e coloquei as sacolas no banco detrás, quando ouvi outro som de trovão; dessa vez, consegui ver o raio e confesso que tive um pouco de medo.

Entrei no carro e saí do estacionamento, ouvindo a chuva cair no teto do carro, realmente a chuva estava muito grossa. Será que o Leonardo vai mesmo buscar a Malu? Claro que vai, quem vacilaria com ela? Ninguém.

Já estava um pouco longe do mercado, quando meu celular tocou. Encostei o carro e atendi sem olhar quem era.

– Alô?

– Oi. Lucas, desculpa incomodar, é que o Léo não vai poder vir me buscar, você tá muito longe? – A voz da Malu soou do outro lado da linha.

– Tudo bem, eu tô indo aí pra te buscar. – Afirmei e logo desliguei o celular, fiz o retorno com o carro e parei em frente ao supermercado.

Apertei a buzina duas vezes, e ela logo apareceu na porta do estabelecimento, abaixei o vidro e sorri, vendo-a se aproximar rapidamente, correndo da chuva.

– Sempre chove nas horas erradas – ela comentou ao entrar no carro e colocou as sacolas no chão, perto dos seus pés.

– Pois é, pior é que a chuva tá muito grossa, você vai pro apartamento da Rafa? – Questionei, começando a dirigir novamente depois que ela afirmou.

Besides The Life - T3ddy | Lucas OliotiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora