Saí do banheiro tentando fazer tudo mais lentamente possível. Queria um milagre para que eu perdesse esse voo. E vou confessar que não acharia nada ruim um atentado explodindo o aeroporto inteiro. Ou uma chuva tão forte, que fosse capaz de não fazer nenhum avião levantar voo. Se eu estou exagerando? Talvez um pouco.
Mas alguma coisa me dizia que estava terminando tudo bem demais.
Vesti minha roupa, calcei meu tênis, penteei meu cabelo, passei uma make bem leve só para tirar a cara de sono e estava pronta. Respirei fundo algumas vezes, terminei de guardar minhas coisas, fechei a mala e saí do quarto. Meus pais estavam tomando café, em silêncio.
-Bom dia. -eu disse desanimada-
-Bom dia filha! -minha mãe deu um sorriso- Você tá com uma carinha tão ruim, chegou que horas?
-Não demorei muito lá não. -eu menti. Não queria minha mãe me enchendo o saco agora-
-Aproveitou muito? -meu pai perguntou e eu abri um sorriso ao me lembrar da noite passada-
-Aproveitei sim! -eu disse- Eles são incríveis. -eu disse e meu pai me olhou desconfiado. Deixa minha mãe sonhar que eu passei a noite com o Gabriel e não com os meus amigos hahaha-
-Que bom filha! -ele disse- Eles vão se despedir de você? -ele perguntou e eu ri sem graça-
-Vão sim pai. -eu me sentei e me servi- Tava pensando aqui, acho que vou deixar a chave com a Duda ou com a Alice para eles darem uma olhada no apartamento até a gente voltar.
-Eu acho uma ótima ideia. -meu pai respondeu e minha mãe o encarou séria. Ele deu de ombros-
-O que foi mãe? -eu perguntei-
-Até a gente voltar? -minha mãe perguntou- Que história é essa?
-Nós conversamos ontem. Eu e Malu voltamos para casa pra terminar de assinar a papelada do divórcio e eu decidir o que fazer com as academias. Depois nós dois voltamos pra cá. -meu pai disse calmo e minha mãe deu uma risada irônica
-A Malu não vai voltar. -ela disse e eu a encarei-
-O que? É claro que eu vou voltar. -eu disse
-Não! Não vai. -ela disse autoritária- Nós vamos vender esse apartamento. O mais rápido possível.
-Não vamos não. -meu pai disse
-Nós vamos vir morar aqui. Eu e a Malu. E não vai ser você quem vai impedir. -meu pai disse bravo-
-Isso é o que nós vamos ver na justiça. - ela disse com convicção e eu a encarei-
-Será quando que você vai entender que eu odeio Porto Alegre? -eu gritei- Se você quer me ver mal, triste, depressiva. Parabéns! Você tá destruindo a minha vida.
-Depois que você se mudou para cá, você está irreconhecível Malu. Você não conversava comigo dessa forma. Vocrê me respeitava. -ela disse no mesmo tom que eu-
-Ande de eu me mudar eu era uma criança boba, que não sabia merda nenhuma sobre a vida. E eu tive que aprender da pior forma possível, sabe por que? Porque você não me deixava viver. -eu gritei ainda mais alto e minha mãe se levantou-
-Chega! -meu pai disse sério- Eu não aguento mais isso aqui. Eu e a Malu vamos até Porto Alegre, vamos organizar nossas coisas e voltamos pra cá. Não vai ser você, nem a justiça nem ninguém que vai impedir isso.
-Ok! -foi tudo que a minha mãe disse-
Eu já estava com um péssimo pressentimento desde ontem a noite, eu sabia que não seria nada fácil conseguir vencer minha mãe pra voltar pra cá. Mas meu pai também não desistiria. Pelo menos era isso que eu esperava. Tomamos café em silêncio. Depois do café, eu fui terminar buscar minha mala e aproveitei para pedir um taxi.
Minutos depois eu estava trancando minha casa. Minha casa! O lugar onde eu me sentia bem. Trazia meus amigos, meu namorado e podia aproveitar sem estresse. Foi tudo por água abaixo
Descemos pelo elevador, eu me despedi do porteiro e o taxi já esperava a gente na porta.
A ''viagem'' até o aeroporto durou mais ou menos 30 minutos, eu estava angustiada, com um aperto muito forte no coração. Por mais que eu quisesse, eu esperava que ninguém aparecesse no aeroporto para se despedir de mim. Eu não sei se seria capaz de suportar.
Chegando no aeroporto, fomos direto fazer check-in. Depois eu me sentei em uma daquelas cadeiras e meus pais estavam um pouco mais afastados de mim em pé ''conversando''.
Faltava apenas 10 minutos para chamar meu voo e até agora ninguém tinha aparecido para se despedir. E como eu disse, isso me aliviava um pouco.
-Cadê seus amigos? - minha mãe disse se aproximando de mim-
-Não sei! -eu dei de ombros e voltei a mexer no celular e chamaram nosso voo
-Vamos não quero ser a última a entrar. -ela disse e eu me levantei-
Caminhei até a porta da de embarque até ouvir alguém me gritar.
-Malu, espera a gente! -era a voz da Bia-
Eu travei! Não acredito que eles vieram. Ai meu Deus, eu amo demais esses loucos.
-Anda Malu, vem cá dá um abraço na gente. -o Renan gritou e eu saí correndo até eles-
-Eu juro que pensei que vocês não fossem vir. -eu já estava com lágrimas nos olhos-
-Pensou errado Malu. A gente jamais abandonaria você. -a Alice disse
Até a Duda estava alí, só faltava uma pessoa: O Gabriel! Talvez ele não tenha aparecido para não me magoar, para não se magoar e eu entendia. Mas eu queria poder beijá-lo pela ultima vez. Tentei não pensar nisso. Me despedi primeiro da Duda e do Gustavo. Disse algumas coisas pra eles e pedi pro Gusta cuidar muito da minha pequena desbocada.
Depois do Thi e da Alice, eu nunca fui tão grata a duas pessoas como eu era a esses dois. A Alice esteve comigo desde o começo. Ela nunca me rejeitou ou me julgou como errada por tudo que aconteceu. Não tem ninguém nesse lugar que me considerava mais.
Depois de me despedir da Alice eu me aproximei da Bia. Ah, a Bia! Nos odiamos desde a primeira vez que nos vimos. E agora? Agora eu vou ser madrinha do filho/filha dela.
-Eu vou morrer de saudades de você. -eu disse abraçando ela-
-Nem me fale! Quem é que vai cuidar de mim? -ela disse com lágrimas nos olhos-
-São só alguns dias. Eu prometo voltar logo logo pra cuidar de você e do nosso baby. -eu disse acariciando sua barriga-
-Promete? -ela disse já chorando- Ai desculpa, são os hormônios.
-Prometo sim Bia. E vou trazer um monte de presentes para o nosso baby. -eu a abracei novamente-
E por ultimo me restou o Renan. Ele estava sentado afastado um pouco de todo mundo. Olhei pra minha mãe e ela apontou pro relógio. Me aproximei do Renan e ele me olhou.
-Sabe, parece que foi ontem que eu conheci sua mãe no facebook procurando um lugar para você morar. Nós dois conversamos, descobrimos que ela era amiga da minha mãe, que elas haviam estudado juntas. Parece que foi ontem que você entrou no meu apartamento. Cheia de marra, mas no fundo sendo só uma garotinha com medo do mundo.
Parece que foi ontem que nos beijamos pela primeira vez, que brigamos, que nos olhamos com cumplicidade e com amor. E tudo que eu menos queria era tá aqui me despedindo de você. -ele disse me olhando nos olhos e eu pude sentir uma lágrima escorrer no meu rosto-
-Por favor..-eu disse mas ele me interrompeu-
-Se eu pudesse, eu faria qualquer coisa pra evitar essa partida sua. Eu amo você Malu. -ele disse e eu o abracei- Queria poder ter aproveitado meu tempo melhor com você. Mas eu fui tão idiota. Tão babaca. Me perdoa por tudo. -ele disse eu segurei seu rosto
-Re, nós aproveitamos da forma que foi propício para nós dois. -eu fazia carinho em seu rosto e chorava ao mesmo tempo- Eu também amo você.
Você é essencial na minha vida. E eu nunca, nunca, nunca vou me esquecer de você. -ele se aproximou de mim e beijou minha testa me abraçando em seguida-
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Permita-se |
Teen FictionSinopse: Maria Luíza ou Malu como prefere ser chamada, é uma garota rica, que sempre teve tudo que quis e precisou. Porém, sempre foi muito tímida, conservadora e fechada, o que não a ajudava muito no quesito amizade. Agora, aos 18 anos, ela vê sua...
