XII

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Ela imaginou que aquilo o deixaria um pouco abalado, mesmo tentando irritá-lo um pouco, sabia que o tinha satisfeito pela resposta. Viu um brilho surgir no olhar dele que nunca havia visto em pessoa alguma. Como um cometa, brilhante, puro e passageiro. E ao mesmo tempo, Darcy esboçou um sorriso tão singelo que fez com que Lizzy sorrisse também, e sem qualquer percepção de como estava agindo – e também fazendo, dada as consequências que aconteceriam nos instantes seguintes.

Ele tinha escutado o que queria. Nem Darcy com toda sua experiência e habilidade em saber se alguém estava mentindo ou não, conseguia saber se Elizabeth disse tudo aquilo apenas para fazê-lo acreditar e deixá-la em paz ou se havia sido de fato sincera. O coração dele batia tão rápido naquele instante, que nada mais fazia sentido. Ela diz a verdade, algo dentro dele gritava no mesmo ritmo em que seu coração batia. Repetia e repetia de um modo tão intenso que ao olhá-la sorrindo tão singela e docemente, que seus atos foram totalmente involuntários. Como se fosse mais do que certo puxá-la de encontro com seu corpo.

Como se fosse por direito, ele poder sentir o coração dela batendo na mesma intensidade e vontade que o dele.

– O que você está fazendo? – Ela tentou dizer, embriagada pela surpresa, torpor e pelo doce perfume que ele estava usando naquele momento.

E tudo nele estava chamando por ela e vice-versa. Não existia mais se ele era rico ou não, se era certo ou não, se a mãe dela pudesse acabar com todos os sonhos que tinha construído... Era somente Darcy e Elizabeth em alguma rua, à noite, e totalmente alheios ao resto do mundo.

– Estou fazendo aquilo que nós dois precisamos... – Ele sussurrou.

Lizzy escutou, com certa dificuldade, e percebia sem qualquer alarme, o quão próximo Darcy estava ficando perto dela. Seus rostos estavam quase se tocando, as mãos dele estavam acariciando a face dela de tal forma que Lizzy simplesmente fechou os olhos porque tudo aquilo era demais para ela.

Tantas sensações boas, tanta satisfação, tanto desejo e vontade.... Que no momento seguinte, pode sentir os lábios dele tocando os dela.

Era um toque doce e gentil, mas, contrário a tudo que sentia dentro de si. Enquanto era leve o toque dele, seu coração disparava e só conseguia pensar em como ele beijava tão bem e que queria mais e mais daquela sensação maravilhosa estando tão próxima dele.

As respirações ficavam cada vez mais rápidas, uma mão segurava-a pela nuca e a outra pressionava sua cintura, e nada disso parecia errado, apenas maximizava a necessidade que tanto ele quanto ela sentiam por aquele beijo.

Era o melhor beijo, o único e primeiro beijo que Elizabeth sempre quis ter com alguém que amasse. Era daquela forma que queria ser abraçada e ser tocada com tanta gentileza e carinho... Lizzy simplesmente estava entregue naquele momento e nem se importava com mais nada no mundo.

E tudo acabou no segundo em que os dois escutaram um carro buzinando próximos a eles. Era um homem que sorria para os dois como se aprovasse aquele "show" que pelo jeito eles haviam feito na rua.

Elizabeth, agora com toda a face avermelhada, empurrou Darcy a uma considerável distância e saiu apressadamente em direção à casa que estava tão próxima dela.

Darcy ainda demorou alguns segundos para associar tudo que estava acontecendo e depois que o carro sumiu, viu Elizabeth já ao longe, e correu com tudo para alcançá-la.

– LIZZY! – Darcy gritou no último instante quando ela estava fechando o portão, pelo jeito, de sua casa.

– SHIU! – Ela tentou fazê-lo com que abaixasse o tom, se sua mãe descobrisse... – O que foi!? – Ela estava irritada, envergonhada, cansada e, mesmo negando com todas as forças como um mantra em sua mente, apaixonada.

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