Darcy foi para a sala, silenciosamente, e viu Henry sair com tudo e bater a porta com força. Instantes depois era possível escutar Lizzy chorando.
Ele estava confuso, o que havia acontecido?
Não queria se intrometer naquele momento delicado, mas, sabia que se ele não esteve em um momento difícil para ela como aconteceu no passado, ali era o momento para se redimir.
Subiu as escadas lentamente, sem fazer muito barulho, até que chegou no quarto dela e bateu a porta.
- Lizzy, eu...
Seus olhos se encontraram e naquele instante ele perdeu o fio da meada, não sabia o que queria dizer, só sentiu uma necessidade louca em abraçar aquela garota. E assim o fez, em segundos quebrou toda a distância entre eles e apertou o corpo dela contra si, tentando sentir o máximo dela nele próprio.
- Você escutou, não é? - a voz dela era baixa
- Desculpa, não queria...
- Tudo bem, não tem como existir gritos silenciosos...
Ele sentiu que ela queria mudar de assunto, mas, ela viu como Darcy a encarava e parou de falar.
- O que aconteceu?
- Não quero falar disso, por favor... - ela saiu do abraço e massageou os pulsos dela, naquele instante Darcy ficou paralisado em choque.
Ele não tinha checado como ela estava por inteiro, até então, somente olhado (verdadeiramente) para ela, mas, agora ele podia ver as marcas bem vermelhas em volta das mãos e em um dos braços.
- Ele MACHUCOU VOCÊ? - Darcy levantou e ficou frente a frente com ela, acabando com qualquer espaço pessoal. Lizzy se contraiu com seus gritos, e isso só fez o coração dele quebrar mais um pouco.
- Darcy... - ela encarava o chão.
- Olhe para mim e responde.
- Eu sou frágil, qualquer coisa marca fácil na minha pele, sabe? Ele segurou normal e aí está assim, nada de mais. - ela sabia que se tentasse explicar a situação em geral, Darcy iria procurar Henry e mata-lo.
- Elizabeth, se você não quer que eu o mate, diga a verdade. - os olhos dele a compeliam de um jeito tão intenso que, ela não conseguia quebrar aquela conexão.
Ela suspirou e sentou na cama novamente. Sem querer, começou a chorar.
- Eu disse que precisava tomar um banho após nossa ida ao parque hoje, tudo parecia bem, normal... apesar de eu estar me sentindo uma merda pelo o que aconteceu ontem. - Darcy fingiu que entendia o que ela dizia, mesmo morrendo de vontade de questiona-la sobre o que aconteceu - Ele concordou, e eu nunca tinha deixado ele subir no meu quarto, nunca deixei... Era falta de respeito com o dono, eu tinha explicado, mas... Ele resolveu não me escutar e quando eu estava saindo do banho, ele bateu com muita força na porta... gritando de raiva...
- Ele viu a minha carta - Darcy disse entendendo tudo.
- Ele agarrou meu braço pra me mostrar se era verdade tudo aquilo que estava escrito, se era algum tipo de brincadeira e queria saber a razão de isso estar no criado-mudo do meu quarto. Eu... antes de tudo, pedi pra ele devolver a carta, ela era tão... especial para mim, e ele ficou furioso. Segurou meus pulsos com uma mão e a outra... rasgou a carta - Lizzy chorou mais ainda, colocando suas mãos no rosto, envergonhada.
- Lizzy, não tem problema.
- Tem problema, eu amava aquela carta, ela me deu tanta força por um tempo que eu simplesmente... precisava dela para me relembrar das coisas boas que eu tinha vivido, para nunca esquecer.
- Ele tinha feito isso antes? Com você? - Darcy analisava delicadamente cada marca nos pulsos dela, imaginando como faria para matar o cara sem que ela soubesse.
- Não, nunca, mas eu entendo ele.
- Você enlouqueceu? O cara te machucou, não é compreensível esse fato, apesar da situação!
- Eu estava amando outro enquanto estava namorando ele, você não ficaria irritado?
- Claro, bateria um carro, socaria a parede, mas nunca você!
Ela acariciou o rosto dele momentos depois e, quando ele menos imaginou, ela o beijou, um beijo terno e tranquilo, como se toda a confusão tivesse finalmente se dissipado, permitindo que eles pudessem respirar.
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Casos & Descasos
RomanceElizabeth Bennet vive uma vida contraditória, ama estar longe de casa e não quer saber de corresponder as expectativas que sua mãe tem para ela e suas irmãs. Estava muito bem em Harvard, que ficava bem longe de casa, até que teve que voltar... No me...
