XLV

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- Darcy, imagino que Lizzy já tenha falado sobre a mamãe pra você... - Jane o olhou preocupada enquanto arrumava os pratos e os dois sentavam-se à mesa.

- Hm, por cima, comentou sim - Darcy só de pensar nisso ficava incomodado, ele sempre teve raiva do tipo de gente que só admirava pessoas como ele, pois, havia dinheiro. Enquanto Darcy tivesse dinheiro em sua conta bancária, a mãe de Lizzy e Jane iria ser a mais amável possível, igual Bingley dizia que ela era com ele. Apesar de tentar ao máximo conter sua raiva sobre esse tipo de gente, Darcy sabia que Lizzy não gostava da situação que nem ele, por isso ela resistia mais ainda....

- Jane.... Eu acho que é melhor eu ir sozinha para o hospital. Papai na situação que está.... Não quero a mamãe criando guerra agora. Ou melhor, eu e ela criando guerra na frente dele.

- Mas, Lizzy, eu quero ir. - Darcy pôs sua mão na perna dela, isso por debaixo da mesa, e em resposta ela o olhou com atenção - Não quero te deixar sozinha lá.

- Darcy, não acho que...

- Lizzy, para de drama uma vez na sua vida! Darcy quer ir, já sabendo como mamãe é! É o papai que tá no hospital, se precisar, ignore ela.... Tanto faz, só deixa ele ir com você. - Jane interrompeu Elizabeth e a encarou irritada.

- Você realmente precisa tirar umas férias daqui, as meninas devem ter extrapolado... - Lizzy falou surpresa, enquanto comia o prato feito pela irmã. - A propósito está uma delícia, viu? - Lizzy disse no mesmo tom em que usava para agradar a mãe só para que um assunto morresse...

- Obrigada, eu... - Jane iniciou até que percebeu o que a irmã fazia - Elizabeth, para de ser idiota! Quando terminarem, vão querer carona até o hospital?

- Não, Jane, você sabe que eu gosto de andar. - Lizzy respondeu

- Mas, Darcy deve estar cansado...

- Eu posso ser mais velho que vocês, mas, não tanto assim.... Uma boa caminhada não faz mal a ninguém, Jane - ele sorriu para as duas.

- Tudo bem, então, vocês que sabem.

Jane murmurou que iria para seu quarto e os deixou sozinhos.

- Você não precisa me acompanhar, sabe disso, nè? - Lizzy falou delicadamente.

- Mas, eu quero ir, de verdade.

- Bom, não diga depois que eu não tentei te alertar...

- Não irei - Ele sorriu e levantou. Levando os pratos para o lava-louças. - Quer ir agora?

- Claro, estou morta de saudades do meu pai.... Você sabe.

- Então vamos.

Eles arrumaram as coisas da cozinha, Lizzy pegou sua bolsa e uma das cópias da chave de casa e eles atravessaram a rua, em direção ao hospital da cidade. Enquanto caminhavam, resolveram ficar em silêncio como meio de refletir tudo que estava acontecendo até ali, já que os dois ainda tinham muito que se resolver.

Um tempo depois...

Jane havia dito a Lizzy que seus pais estavam na ala de UTI, e após entregar documentos de identificação, ela e Darcy seguiram a enfermeira até o quarto onde seu pai estava internado. De frente para a porta de vidro, pode ver sua mãe dormindo na poltrona próxima à cama, onde seu pai estava ali.

Darcy segurou a mão de Lizzy com mais força até que eles adentraram no cômodo, que quando viu os pais dela, resolveram separar o contato, para que houvesse menos destaque naquele carinho...

- Elizabeth, é você? - a voz fraca do pai de Lizzy fez com que a ficha caísse para ela. E toda a insegurança, medo e preocupação do que poderia acontecer com seu querido pai, fez com que ela corresse e o abraçasse.

- PAI! Eu fiquei com tanto medo... Por que.... Não faz isso nunca mais, por favor! - Darcy percebeu as lágrimas dela, e tentou ficar o mais longe o possível, para dar privacidade aos dois.

Enquanto eles conversavam, a sra. Bennet acordou e aos poucos percebeu o que estava acontecendo. Ao invés de falar com sua filha, ela foi em direção a Darcy.

- E você, quem é? - ela o examinou de cima para baixo.

- Sou Darcy, amigo das suas filhas e de Bingley... - ele respondeu baixinho e sem encará-la, pois, sabia o que ela deveria estar percebendo agora.

- Ah, Darcy?! Nossa, não imaginava que minha querida Elizabeth teria tão bom gosto... O senhor tão bem arrumado, e amigo de Bingley! Fico tão feliz e...

- Mamãe? A senhora pode deixar ele em paz? A gente está aqui pelo papai... - Lizzy disse o mais calmo que conseguia.

- Darcy? Mas, esse não é o amigo de Bingley? - o pai de Elizabeth disse ao olhá-lo. E aí Darcy começou a questionar se realmente não era melhor ele ter ficado na casa dela, a esperando...

- Sim, papai. Ele veio comigo. - Lizzy sorriu.

- Então, vocês estão juntos? - Sr. Bennet olhava ele e depois para a filha, tentando analisar suas reações.

- Eu... - Darcy iria negar, pois, sabia o quão incomodada ela estava com tudo aquilo, porque eles não deveriam ser o foco naquele momento...

- Sim, é claro que estão, meu querido! Nem precisa perguntar, é só olhar para os dois! Tão apaixonados! E eu achando que Elizabeth iria ser solteirona e morar conosco até nossos últimos dias... - a mãe de Lizzy disse toda pretensiosa, o interrompendo.

Lizzy suspirou e olhou para Darcy, que não conseguiu reagir. Apesar de já entender a personalidade daquela mulher, sabia que Elizabeth estava tentando ao máximo se acalmar, então faria o mesmo. Eles sorriram minimamente e o pai dela bufou.

- E eu sou o último a saber? - ele reclamou, olhando para eles.

- Não pai, é que o senhor nos deu um susto, não deu tempo... - Elizabeth respondeu carinhosamente, enquanto acariciava o cabelo do pai. - Mas, o importante agora é a sua saúde. O médico disse mais alguma coisa?

- Não filha... Nada! - Reclamou sra. Bennet, enquanto o pai desviava o olhar preocupado da filha. - Não sabemos o que fazer, porque o hospital é pequeno...

- Não se preocupem, eu e Lizzy chamamos um amigo meu, que é médico em Londres, ele vem aqui para Derbyshire amanhã. Dependendo da sua situação, sr. Bennet, o senhor irá conosco para Londres...

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