Enquanto Elizabeth estava em direção aos Estados Unidos, Darcy e todos os outros continuavam na Inglaterra.
Darcy voltara quieto e pensativo para própria casa após o fiasco que fora sua tentativa de fazer com que ela desistisse de ir para lá. Quando chegou em casa, Georgiana o olhou esperançosa
- E aí?? Conseguiu impedi-la??
- Não.... Eu acho que vou deitar um pouco, estou com muita enxaqueca – Darcy a viu fazer uma expressão de tristeza e foi direto para seu quarto, não queria escutar qualquer discurso de pena que sua irmã criasse para fazê-lo se sentir melhor.
Em seu quarto, Darcy deitou na cama do jeito que estava e ficou encarando o teto.
Por que isso foi acontecer?
Por que me apaixonar por alguém que não me quer? Será que é um castigo de Deus, por nunca ter correspondido o mesmo para todas que sempre disseram me amar?
Por várias longas horas Darcy só conseguia questionar o porquê de Lizzy ser do jeito que era, se ela iria aceitar a oportunidade de ficar na casa dele e o que ela estaria pensando de tudo que Darcy havia dito naquela carta...
Seus pensamentos foram interrompidos quando o telefone tocou. Darcy suspirou ao ver que era ninguém menos que Bingley.
- Não, nada de festas em bares para esquecer ela, e nem mesmo cogite na possibilidade em me apresentar alguma "amiga" sua, Bingley – Darcy suspirou e vomitou todas aquelas palavras.
- Uau, meu amigo, e quem disse que eu faria uma coisa dessas com você? Por mais que soe estranho, eu não quero que encontre outra pessoa.
- Hã? Como assim?
Darcy, por um instante, imaginou conhecer outra mulher e ficou pensando como seria as coisas se, de fato, esquecesse Elizabeth. Será que havia alguém, além dela, com uma determinação tão forte? Com um sorriso tão lindo? E com uma teimosia que ultrapassava os limites?
- Darcy? Alô? Ainda tá aí?? – A voz de seu amigo o trouxe à razão
- Estou sim. Desculpe, o sinal do telefone caiu
- Bom, vou repetir novamente. Lizzy é agora minha família também. E por mais que eu sinta que você não ache que uma amizade possa ser considerada como família, te considero meu irmão. E se há uma chance de tornar isso mais oficial ainda... Eu mais que torço para que aconteça! Espero que tudo se resolva entre vocês, não importa quanto tempo demore.
- Não sei se Jane sabe disso, mas, Lizzy me disse que não tinha planos para voltar. Então, pode demorar bastante – confessei
- Sério?? Você tem certeza?? – a voz de Bingley ficou trêmula – Não, Jane não sabe, mas já suspeitava... Desde que ela deixou a Lizzy na Rodoviária não parou de chorar. Ela tinha esperança que você conseguisse impedir essa viagem.
- Eu também tinha, mas, conhecendo Elizabeth, já sentia que minha tentativa seria inútil. – suspirei profundamente e por alguns instantes, nós deixamos o silêncio dominar. – Começo a questionar se o melhor agora não é seguir em frente e tentar esquecê-la, porque não vejo mais como ela iria querer voltar e resolver ficar comigo.
- Darcy, não quero que pare sua vida por causa dela, então sim, vejo que você deva seguir em frente com sua vida, mas, não precisa esquecer ela. Pense em tudo de bom que ela trouxe a você, e guarde isso no seu coração.
- Já está guardado, meu amigo. A parte difícil é seguir em frente sem ela, mas, farei o meu melhor. Fico um pouco mais feliz que tenha deixado nas mãos dela a chave da mesma casa em que eu fiquei quando fui para Harvard. Ela terá um lugar só dela, isso já me deixa bem mais aliviado.
- Será que ela vai ficar lá? Ok que essa é a segunda vez que ela vai para lá, então conhece bastante gente... Mas, ficar em dormitórios sempre tem um lado negativo...
- Tenho esperança que ela vai sim. É tudo que me restou disso.
- Eu tenho que agradecer a ela, por tudo que fez com você, Darcy. Ela acordou seu coração, meu amigo. Você voltou a se permitir mais, deixar seu coração fazer as escolhas, me deixa muito feliz te ver assim.
- Mas, a que custo, Bingley? Mudei, e não tenho ela. Meu coração fez todas as escolhas desde que admiti que estava apaixonado por Elizabeth, e não consegui nada. Ela optou seguir em frente, ela decidiu não ficar, mesmo depois de eu ter pedido para que ela ficasse.
- Darcy, eu... Sinto muito mesmo.
- Não é sua culpa, amigo. Eu só não consigo ainda ver qualquer benefício em deixar meu coração escolher as oportunidades, em ser levado pela emoção no lugar da razão, como fiz por tantos anos.
- Não é vida, Darcy. Razão alguma faz seu coração acelerar e te dar certeza de que é bom estar vivo, isso quem te dá é a emoção. E todos nós precisamos dela, até você.
- Eu sei disso, Bingley. Contudo, aceitar isso ainda está sendo complicado para mim, preciso de tempo.
- Tudo bem, só espero que faça a decisão correta.
- Eu farei. Mas, agora, preciso descansar, estou morrendo de dor de cabeça – finalizei.
- Claro, Darcy. Melhoras, meu amigo, e a gente se vê.
...
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Casos & Descasos
RomanceElizabeth Bennet vive uma vida contraditória, ama estar longe de casa e não quer saber de corresponder as expectativas que sua mãe tem para ela e suas irmãs. Estava muito bem em Harvard, que ficava bem longe de casa, até que teve que voltar... No me...
