63 - Sem Segredos.

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- Eu tenho consulta hoje então preciso ir... - Eu acabei fazendo um gesto, apontando para porta e emendando com a abertura da maçaneta.

- Mas não era depois do almoço? - Imogen franziu a testa.

- Sim, mas como eu vou de ônibus, pensei em ir cedo e almoçar em Londres, e voltar á noite. Mas  só  se tiver tudo bem para você? Se você... Precisa de ajuda com alguma coisa?

- Eu não ouvi ônibus? Ouvi? - A pequena senhora ruiva parou em minha frente - Matt vai te levar, não?

- Não Im, eu não quero incomodar. Kevin não pôde vir... Acho que Matthew está dormindo, ele deve ter esquecido e, eu acho... Eu vou de ônibus mesmo.

- Você não vai sozinha para Londres. - Imogen entoou uma voz firme - Ed te deixou aqui porque você não pode ficar sozinha, me confiou sua vida e a vida do bebê de vocês, não posso fazer isso com ele. – Aparentemente Im não sabia de nada, nem que Ed achava não ser pai da criança que eu esperava e nem que Matt me odiava agora – Matthew!

Depois de dois gritos, Matt desceu as escadas com ar preguiçoso, como se ainda estivesse dormindo e parou onde a mesma fazia uma curva, se apoiando no corrimão.

- Filho, por favor, você pode levar Júlia até o Londres? Ela tem consulta para o bebê hoje e eu estou enrolada com algumas entregas.

- Eu já tinha dito que não precisava, eu vou sozinha, dou um passeio... Vai ser bom. Não precisa ir não Matt... Matthew, está tudo bem. - Finalizei sem jeito.

Matt olhou para mim com um semblante que lembrava o do Ed. Eles me odiavam. Esperava que Imogen não se desse conta do desconforto que estava no ar.

- Tudo bem mãe. - Ele revirou os olhos - Que horas?

- Júlia já está pronta e bem aqui na sua frente. O que acha de combinar com ela. Tenho que ir. Amo vocês.

Eu dei licença para Im, que saiu disparada para o carro, colocando a caixa que segurava no  banco de trás e assumindo a direção do mesmo. Ela ainda acenou antes de eu perdê-la de vista. Matt subiu a escada em direção ao quarto novamente. Seu olhar me lembrava o olhar do Ed. Os dois me odiavam agora. Esperei Matt por trinta minutos. Foram duas horas e trinta minutos de silêncio no carro. Almoçamos sem trocar uma palavra. E eu queria meu amigo de volta.

- Eu adorei esse cardápio. A pergunta é: porque você não me trouxa aqui antes?

Matt não respondeu. Continuamos em silêncio. Na  hora de pagar a conta, ele colocou o dinheiro dentro do  estojo e se levantou, sem ao menos esperar o troco. 

Mas dez minutos e chegamos. Aguardamos na sala de espera por 20 minutos, depois que eu cheguei a recepção e me apresentei. Matt entrou junto comigo no consultório.

- O irmão certo? – Dr. Hills estendeu á mão á Matt sorrindo.

Nós sentamos em frente ao Doutor que abriu meu prontuário.

- Seus exames chegaram e temos uma boa notícia: Tudo que era ruim deu negativo e tudo que era bom deu positivo. Fora esse problema da cicatriz e as lesões no útero, está tudo certo, parece que o abuso que você sofreu não trouxe maiores consequências para a gravidez.

Senti os olhos de Matt sobre mim. Claro que a história que eu havia traído o Ed, agora não combinava em nada com que o Dr. Hills acaba de dizer.

- Mamãe, pode ir para a sala se trocar, vamos ver como está esse pequeno.

Levantei, e coloquei a bolsa na cadeira, dei uma leve olhava para Matt. Sim, ele me olhava, sério. Ouvi o médico dizer ao Matt que ele poderia entrar assim que ele o chamasse. Depois dos exames mais íntimos para verificar a atual situação no útero, Dr. Hills chamou Matt para ouvir o coração do bebê e ver a ultrassonografia.

Photograph - Amores Imperfeitos [Ed Sheeran]Onde histórias criam vida. Descubra agora