Acordo no meio da noite com uma forte dor no pé da barriga, me encolho na cama e viro para o lado onde ficava o abajur, estendo a mão e acendo a luz, com muito esforço me levanto na cama e vou em direção do banheiro, mas paro no meio do caminho quando sinto minhas pernas molhadas e o medo encher meu peito, não quero olhar para trás porém tenho que fazer isso.
Viro-me em direção da cama e vejo uma poça de sangue misturado com água, logo penso no meu bebê. Seguro o choro e tento me manter calma, pego meu celular e vejo que são duas da madrugada, não poderia acordar Cinthia nem papai, eles acabaram de deitar-se. Disco o número de Lucas e seguro as lágrimas, a dor estava cada vez mais forte.
- Lucas. – Digo assim que percebo que ele atendeu o celular. – Vem para cá, rápido.
- O que aconteceu? – Ele responde.
- Eu te explico no caminho do hospital. – Digo e sinto uma dor muito forte e acabo gemendo de dor.
- Me espera na porta da sala, eu já estou indo. – Ele desliga o celular.
Pego minha bolsa onde tinha meus documentos, coloco meu chinelo e pego um casaco e de camisola mesmo saio do quarto, desço as escadas com um pouco de dificuldade, passo pela sala e abro a porta da sala com cuidado para que ninguém acorde.
Vejo o carro de Lucas virar na esquina, me aproxima mais da rua, mas a dor se intensifica e eu acabo caindo de joelhos, me encolho de dor e abraço meu próprio corpo. Sinto as mãos de Lucas me pegando no colo e me colocando dentro do carro, continuo encolhida sentindo aquela dor que rasgava meu peito, no fundo eu já sabia, não era preciso de ninguém me avisar, meu filho estava indo embora e eu não poderia fazer nada.
- Mariana, fala comigo. – Ouço Lucas me chamar enquanto sinto o carro se mexendo.
- Eu estou acordada. – Sussurro. – Acordei com uma forte dor na barriga, me levantei com dificuldade e no caminho para o banheiro, percebi que minhas pernas estavam molhadas, quando olhei para cama vi uma poça de água e sangue. – Completo.
- Vocês vão ficar bem. – Ele respondeu enquanto parava em frente ao hospital.
- Amor, você não percebeu. – Digo fraca assim que ele abre a porta para me tirar do carro.
- Mariana, fica comigo. – Ouço ele gritar comigo em seu colo.
Ele entra no hospital gritando por ajuda.
- Desculpa, estamos indo embora. – Sussurro antes de desmaiar.
Abro os olhos com dificuldade, acho que me sedaram muito bem, olho ao redor e vejo Lucas deitado em outra cama que havia ali, passo minha mão pela minha barriga e sinto uma lagrima escorrer pelo meu rosto.
- Amor. – Sussurro. – Me desculpa, é tudo culpa minha. – Começo a chorar.
Coloco minhas mãos sob os olhos e choro mais ainda, jogo a cabeça para trás e me permito chorar mais ainda. Sinto alguém mexer no meu cabelo, mas não abro os olhos, logo a pessoa coloca sua cabeça em cima da minha barriga e começa a chorar também, então abro os olhos e coloco minha mão em sua cabeça, começo acariciar seus cabelos.
- A culpa é minha. – Ele sussurra. – Você passou muito nervoso por minha causa.
- Maycon havia dito que era de risco. – Suspiro. – Sabíamos que isso iria acontecer.
- Mas ainda tinha um pouco de esperança. – Ele ergue sua cabeça e me dá um selinho. – Não se culpe por isso, você não poderia ter feito nada para segurá-lo.
Ele dá uma pausa e se deita na mesma cama que eu, Lucas passa seus braços ao redor do meu corpo e me puxa para si.
- Eu ainda amo você. – Ele diz pausadamente. – Entendeu? Não te amo menos por isso e não te odeio por isso. Estou feliz por você estar viva.
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Mariposa
Teen FictionMariana é uma jovem que sofre de uma doença onde seus ossos, do braço esquerdo, são frágeis. Filha de Denis e enteada de Cinthia, Mari segue a vida tomando seus remédios e vitaminas na esperança de ter uma vida normal. Porém, Mari terá que tomar a...
