Capítulo 36

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ARTHUR PICOLI

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ARTHUR PICOLI

Lição do dia: Nunca deixe uma criança sozinha por muito tempo.

Mesmo imaginando o que veria, ela ainda conseguiu me surpreender. Com excessão de uma das paredes, a cama, o guarda roupas, o tapete, a mesa, piscina de bolinhas, algumas bonecas, tinham partes pintadas, outras com bolas manchadas, claramente onde ela tinha tentado limpar. 

Assustada ela se encolheu perto da piscina de bolinhas, segurando um pano, que imagino ser a a própria toalha nas costas. Como era de se imaginar, Carla já foi logo se colocando do seu lado.

— Quem deixou você pegar as tintas? Se eu coloquei elas no alto, eram para ficar onde estavam... — Disse me alterando, olhando aquela aquela lambança — Nós não combinamos de brincar com as tintas quando eu comprasse a tela?

— F-foi — Respondeu com os olhos marejados, se escondendo atrás da mãe.

— Então, porque você fez isso?

— Foi só um poquinho — Respondeu fazendo bico.

— Um pouquinho? Olha em volta, Catarina!

— Amor... É só tinta...  — Argumentou Carla.

— Porque você pintou o Dummie de verde, Catarina? Isso é perigoso para ele — Questionei com uma das mãos na cintura, enquanto passava a outra pelo rosto, sabendo que sobraria para mim, dar um banho nele.

— É o H-hulk, papai — Respondeu a meliante com a maior cara de pau do mundo. Foi nessa hora que minha irritação foi toda pelo ralo. Quase soltei uma gargalhada, mas me contive ao me concentrar no teto.

— Tudo bem, mas não faz mais isso. Você podia ter caído da cadeira, se machucado... — Disse Carla ao se abaixar na altura dela, adulando. 

— Você pode começar a limpar essa bagunça, que amanhã viajamos cedo e não tem a menor possibilidade de sair e deixar isso assim.

— Vou pegar um balde com água e os panos e te ajudo a limpar, enquanto isso seu Pai vai dar um banho no Dummie — Falou a loirinha andando na minha direção — Amor, você está muito tenso, relaxa um pouquinho — Colocou uma mão no meu pescoço me dando um selinho. Senti um geladinho na área que ela tocou.

— Você não fez isso, Carla? — Indaguei passando meus dedos no lugar só para confirmar que ela tinha mesmo passado tinta em mim — Você tem quantos anos? — Perguntei. Catarina começou a rir. Levei a mão na parte de cima do guarda roupas para pegar um dos potes de guache.

— M-mãe, corre! O papai pegou a tinta — Me denunciou apontando com o dedo.

Ela não pensou duas vezes, antes de correr para a sala, tentando se manter a "salvo" enquanto dava voltas do sofá. Continuei correndo atrás; ao perceber que a minha filha tinha chegado perto demais, aproveitei a oportunidade e nos meios de vários gritos de "não" lambuzei os braços dela de laranja florescente.

O Amor Não Tem FimOnde histórias criam vida. Descubra agora