81| Uma Fera ao ataque

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   Aproximamos da porta que dava vista ao fundo gramado da casa da minha família, o que de cara já revelava que grande parte dos convidados já estavam presentes; o que também deixava claro que o pedido de meu tio de que chegássemos dez minutos antes, foi para o ralo.

   Uma música baixa soava no fundo de todo o local, decorado especialmente para um almoço antecipadamente tradicional entre minha família e os amigos mais próximos de meu pai e Gina. 

   Ao lado de Kaanadan, que mantinha o braço firme em minha cintura, e de Giovanni com Andrea, descemos os três pequenos degraus, notando a atenção atraída do meu pai a nós. De primeira, Santiago Savoia franziu as sobrancelhas pela presença do Capo de Chicago, mas como se o assunto passado em conjunto do Governador e o Capo da Espanha — seus convidados —, fosse eu e Kaanadan, recusou uma atitude equivocada; agindo na verdade, com um sorriso largo ao vir em nossa direção.

   — Aqui estão eles!  — Bradou meu pai, apontando altamente para mim e em seguida ao alto ao meu lado. 

   Respirei fundo, discretamente, abrindo um sorriso gentil aos convidados.

   — Senhor Governador... — Apertei a mão do alto homem que entrava para o grisalho, recebendo o cumprimento de volta em resposta... — Manoel... — Fiz o mesmo ao Capo Espanhol.

   — Céu, quanto tempo! — O baixo homem bigodudo, exclamou ao soltar minha mão e vir para um abraço. Ao se afastar de mim, me olhou. — Não mudou nadinha, não é?

   — Não é como se fizesse tanto tempo que não me viu, não é, Man? — Ri, sabendo que me viu perfeitamente a alguns meses atrás, no meu casamento.

   O homem me olhou e com minha fala se virou a Kaanadan, que sendo bem mais alto que ele, abaixava a cabeça para fitá-lo; o que mesmo de óculos escuros, parecia dominante ao Capo mais velho. Isso fez Manoel dar alguns passos para trás, a fim de que a atitude de Kaanadan não soasse como autonomia sobre si.

   — E quem diria que Kaanadan Salvatore pisaria em terras Savoia, não é mesmo? — Manoel falou e estendeu a mão.

   Kaanadan estendeu a mão e o cumprimentou de volta. — Um prazer revê-lo, Senhor Marquez.

   Cortando quase que diretamente a provocação do espanhol, Kaanadan apenas ergueu a cabeça e olhou ao redor, o que fez Manoel olhar meu pai com um semelhante olhar rival — ainda desdenha Kaanadan...

   Se eles travaram brigas? Nunca pelo o que sei, mas existe uma regra que a máfia carrega muito bem: "O inimigo do meu inimigo sempre será meu amigo, mas o inimigo do meu amigo conseguirá ser meu maior adversário". E pelo o que sempre soube, Manoel e meu pai são amigos muito antes de ambos subirem no cargo que possuem hoje em dia.

   — Bom, esses são Giovanni e Andrea... — Corto a tensão, atraindo a atenção de todos a dupla que os olhavam de volta. — Padrinho de Kaanadan, e um amigo próximo.

   — Que não foi convidado... — Meu pai murmura.

   Andrea sorri, sabendo que foi para si. — Prometo que o chamarei para um jantar em minha casa, Sr. Savoia... Sabe, na minha tradição a gente leva muito a sério em retribuir uma atitude gentil, mesmo quando não somos recebidos de forma calorosa.

   Meu pai o fita sério.

   — Que tal batermos uma conversa à mesa? — O Governador é quem quebra o gelo, agindo como se de fato quisesse conter uma intriga logo cedo.

   É claro que eu apoiaria isso. — Parece incrível. — Falei logo em seguida, vendo os olhares dos envolvidos em mim. — E já que vão se juntar, irei atrás do meu grupo... — Me afasto um pouco. — Com licença.

PELA HONRA E PODER #LIVRO 1| TRILOGIA SAVOIAOnde histórias criam vida. Descubra agora