Desentendimento

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       Era uma tarde chuvosa, a atmosfera carregada de tristeza e melancolia, enquanto amigos e familiares se reuniam para o velório e enterro de Iza. O som constante da chuva era interrompido apenas pelos murmúrios de consolo e pelas lágrimas silenciosas. Pedro estava ao lado de Jão, segurando a pequena mão de João Pedro, que observava tudo com olhos curiosos e confusos.

       Pedro olhou para trás e avistou uma figura familiar se escondendo atrás de uma árvore. Ele se inclinou para Jão e sussurrou disfarçadamente:

       — Fica aqui com João Pedro, eu já volto. Preciso dar uma respirada.

       Pedro começou a se afastar discretamente, mas a pessoa atrás da árvore percebeu que ele estava se aproximando e tentou fugir. Pedro foi mais rápido e, em poucos segundos, estava cara a cara com Geovana. Ambos estavam encharcados pela chuva, mas isso não importava naquele momento.

       — O que você está fazendo aqui? — Pedro perguntou com raiva contida.

       Geovana, com um olhar desafiador, respondeu:

        — Só vim verificar se agora Iza morreu mesmo.

         A briga verbal rapidamente esquentou, e as palavras se tornaram ameaças.

         — Você vai pagar caro pelo que fez, Geovana. Isso eu te garanto! — gritou Pedro.

        Cansada das acusações e da raiva de Pedro, Geovana sacou uma faca da bolsa e, num movimento rápido e desesperado, apunhalou Pedro na região da barriga. O grito de dor de Pedro ecoou pelo cemitério, chamando a atenção de todos os presentes.

      Os olhares se voltaram para a origem do som, e viram uma mulher encapuzada com uma faca ensanguentada na mão e Pedro caído no chão. Jão correu desesperadamente até Pedro, enquanto Geovana fugia na confusão.

      — Pedro! — Jão gritou, abaixando-se ao lado dele. Ele rasgou um pedaço da camisa de Pedro e pressionou contra o ferimento para estancar o sangue.

      — Jão... eu... — Pedro tentou falar, mas a dor era intensa demais.

       — Não fala nada agora, Pedro. Vamos te levar ao hospital. Fica comigo, por favor — Jão implorava, com lágrimas nos olhos.

        Ambulâncias foram chamadas, e em questão de minutos, Pedro foi levado às pressas para o hospital mais próximo. Jão, Mariana e João Pedro seguiram o mais rápido possível, o coração de Jão batendo acelerado com medo de perder Pedro.

       No hospital, as horas pareciam se arrastar. Jão, Mariana e João Pedro estavam na sala de espera, a tensão palpável no ar. Jão não conseguia parar de pensar em Geovana e no que ela havia feito. A imagem de Pedro caído no chão, ensanguentado, não saía de sua mente.

       Finalmente, um médico apareceu na sala de espera.

        — Família de Pedro? — ele perguntou.

       Jão e Mariana se levantaram rapidamente.

        — Ele está estável. A facada foi profunda, mas por sorte, não atingiu nenhum órgão vital. Ele vai precisar de tempo para se recuperar, mas vai ficar bem.

       O alívio tomou conta de Jão, que abraçou Mariana e João Pedro com força.

      — Obrigado, doutor. Muito obrigado — disse Jão, as lágrimas agora de alívio.

       Pedro foi transferido para um quarto, onde Jão e Mariana puderam finalmente vê-lo. Ele estava pálido e cansado, mas vivo.

        — Eu... eu estava tão preocupado, Pedro — disse Jão, segurando a mão dele.

       Pedro sorriu fracamente.

        — Eu sei, Jão. Obrigado por estar aqui. E desculpa por te preocupar assim...

       Jão balançou a cabeça.

       — Não tem do que se desculpar. Vamos superar isso juntos, como sempre.

      Enquanto Pedro descansava, Jão jurou a si mesmo que Geovana pagaria pelo que fez. Mas por enquanto, seu foco era a recuperação de Pedro e garantir que ele ficasse bem. A luta ainda não havia acabado, mas juntos, eles eram mais fortes.

      O dia seguinte trouxe novas esperanças e desafios. Pedro estava se recuperando lentamente, mas a ameaça de Geovana ainda pairava sobre eles. Jão sabia que não poderia deixar isso impune, mas também sabia que precisava ser cauteloso.

       A justiça precisava ser feita, mas de uma maneira que não os destruísse no processo. E enquanto Pedro se recuperava, Jão começou a planejar o próximo passo, determinado a proteger sua família e a garantir que Geovana não machucasse mais ninguém.

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