Enquanto o pai de Pedro corria pelas ruas, transtornado e cheio de ódio, o destino lhe reservou um fim trágico. Um carro o atropelou com tanta força que ele morreu instantaneamente. A notícia de sua morte ainda não havia chegado a Pedro e Jão, que estavam enfrentando seu próprio pesadelo no hospital.
No hospital, Pedro estava desesperado enquanto os médicos levavam Jão para uma cirurgia de emergência. A bala estava alojada perigosamente próxima ao coração de Jão, e a operação era de alto risco. Pedro estava agoniado na sala de espera, observando cada segundo passar como uma eternidade. Ele tentava se manter calmo, mas a incerteza sobre o futuro de Jão o atormentava. As lembranças dos momentos felizes que passaram juntos inundavam sua mente, trazendo lágrimas aos seus olhos.
A cirurgia de Jão foi extremamente complicada. Ele teve três paradas cardíacas na sala de operação, e sua vida esteve por um fio. A equipe médica lutava desesperadamente para mantê-lo vivo. Os minutos se transformaram em horas, e Pedro sentia como se estivesse vivendo um pesadelo interminável. Ele andava de um lado para o outro na sala de espera, murmurando preces e tentando encontrar forças dentro de si.
Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, o médico apareceu. Pedro, tomado pelo medo, esperava o pior. O médico se aproximou com um semblante sério, mas suas palavras trouxeram alívio:
— A cirurgia foi muito complicada, e Jão quase não sobreviveu, mas conseguimos estabilizá-lo. Ele está desacordado, mas você pode ir vê-lo agora.
Pedro mal conseguiu conter as lágrimas enquanto seguia o médico até o quarto de Jão. Ao entrar, viu Jão deitado na cama, pálido e conectado a vários aparelhos, mas respirando. Pedro sentou-se em uma cadeira ao lado da cama e segurou a mão de Jão com força, sentindo a vida pulsar levemente através dos seus dedos.
— Eu sempre vou estar com você, meu amor. Sempre junto com você. — sussurrou Pedro, sua voz embargada pela emoção.
Enquanto Pedro falava, uma borboleta azul entrou pela janela do quarto e pousou suavemente sobre as mãos unidas deles. A presença da borboleta parecia um sinal de esperança e renovação, um lembrete de que, apesar de todas as adversidades, o amor e a força deles permaneceriam inabaláveis.
Pedro passou a noite ao lado de Jão, segurando sua mão e murmurando palavras de encorajamento. Ele relembrou os momentos felizes que passaram juntos, desde os primeiros encontros até os desafios que enfrentaram. A presença de Jão, mesmo desacordado, lhe dava forças para continuar lutando. As horas se arrastaram, mas Pedro não desgrudou de Jão, determinado a estar ao seu lado quando ele acordasse.
Na manhã seguinte, Jão ainda estava desacordado, mas seu estado era estável. Pedro recebeu a visita de um enfermeiro que lhe trouxe uma cadeira mais confortável e uma xícara de café. Pedro agradeceu, mas não conseguia desviar os olhos de Jão. Ele sentia que a qualquer momento Jão poderia acordar e queria estar presente para segurá-lo.
— Você é muito forte, Jão. Vamos superar isso juntos. — sussurrou Pedro, apertando levemente a mão de Jão.
Enquanto isso, no andar de baixo do hospital, um médico explicava à polícia o ocorrido. A notícia da morte do pai de Pedro se espalhou pelo hospital, mas Pedro ainda não sabia. A equipe médica decidiu contar para Pedro, pois sabiam que ele era forte e ficaria bem.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Jão começou a dar sinais de que estava acordando. Seus dedos se moveram levemente, e Pedro percebeu. Ele se aproximou ainda mais, segurando a mão de Jão com força.
— Jão, estou aqui. Acorda pra mim, meu amor. — disse Pedro, tentando conter as lágrimas.
Lentamente, Jão abriu os olhos. Ele piscou algumas vezes, tentando focar a visão. Quando finalmente conseguiu ver Pedro claramente, um sorriso fraco apareceu em seu rosto.
— Pedro... — murmurou Jão, com dificuldade.
— Estou aqui, Jão. Não vou a lugar nenhum. — respondeu Pedro, com a voz trêmula.
Pouco depois, o médico entrou no quarto para verificar o estado de Jão. Ele explicou que a cirurgia foi um sucesso, mas que Jão precisaria de muito descanso e cuidados nas próximas semanas. Jão ouviu atentamente, ainda fraco demais para falar muito. Pedro fazia perguntas e anotava mentalmente todas as instruções, determinado a cuidar de Jão da melhor forma possível.
— Ele vai precisar de muita paciência e apoio. — disse o médico. — A recuperação será longa, mas ele é forte.
Depois que o médico saiu, Pedro decidiu que era hora de contar a Jão sobre a morte de seu pai. Ele sabia que seria um choque, mas preferia que Jão soubesse por ele.
— Jão, tem algo que eu preciso te contar... — começou Pedro, hesitante.
Jão olhou para ele, com um misto de preocupação e curiosidade.
— Meu pai... ele... ele morreu ontem à noite. Foi atropelado enquanto fugia. — disse Pedro, com a voz embargada.
Jão ficou em silêncio por um momento, absorvendo a notícia. Ele sabia que o pai de Pedro não era uma pessoa fácil, mas nunca desejou um fim tão trágico para ele.
— Sinto muito, Pedro. — disse Jão, com sinceridade.
Pedro assentiu, tentando conter as lágrimas.
— Eu também. Mas agora, a única coisa que importa é que estamos juntos e vamos enfrentar tudo isso lado a lado. — respondeu Pedro, apertando a mão de Jão.
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Simples e Romântico
FanficJoão Vitor ou apenas Jão, é uma jovem do interior de São Paulo que acaba se apaixonando por seu vizinho. Será que esse casal vai ter um final feliz?