Capítulo 44

718 36 16
                                        

Dias Depois

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Dias Depois

Uma forte tempestade varria Konoha, transformando a cidade em um cenário apocalíptico de trovões e ventos cortantes. Era tarde, e o prédio da Hikari estava praticamente deserto. Apressei-me até o elevador, ansiando pelo conforto do meu apartamento, uma xícara de chá quente e a tranquilidade da minha própria companhia.

Ao chegar ao estacionamento, o silêncio era quebrado apenas pelo som das gotas de chuva martelando o chão. Caminhei rapidamente até meu carro, mas meu ânimo foi esmagado ao ver o pneu completamente murcho.

— Ótimo... exatamente o que eu precisava. Só pode ser brincadeira... — Murmurei, frustrada, enquanto chutava o pneu.

Mesmo assim, tentei dirigir, mas não cheguei nem a dez metros antes de ser obrigada a parar. A tempestade já havia me encharcado no curto trajeto de volta à cobertura do estacionamento, e, apesar de todas as tentativas, meu celular não conseguia sinal. Encostei-me a um carro, impotente, a água fria escorrendo pelo meu rosto.

O som de um carro sendo destravado ecoou pelo estacionamento vazio. Meu coração deu um salto de alívio. Finalmente alguém! Porém, ao reconhecer o dono do veículo, meu alívio foi substituído por puro desespero. Sasuke Uchiha.

Com um ar impecável, mesmo sob a luz precária do estacionamento, ele avançava em seu carro preto, que parecia tão arrogante quanto o dono. Ao me ver, ele parou ao meu lado, abaixando o vidro com a calma de quem sabia que seria um incômodo.

— Furou o pneu da donzela? — Ele perguntou com um sorriso torto.

Cruzei os braços, mantendo a pose desafiadora.

— Está tudo sob controle.

— Ah, claro. O príncipe encantado deve estar a caminho para salvá-la, não é? - Disse com um sorriso de pura irônia

— Para sua informação, Uchiha, eu não preciso de príncipe encantado. Posso cuidar de mim mesma.

Ele arqueou uma sobrancelha, o sorriso se alargando com diversão.

— Sei. E como pretende fazer isso?

Antes que eu pudesse rebater, um trovão estremeceu o estacionamento, fazendo-me recuar instintivamente. Ele notou, é claro, e o sorriso em seu rosto ficou ainda mais cínico.

— Então, senhorita sabe-tudo, boa sorte. — Disse, engatando a marcha para sair.

— Idiota... — murmurei entre dentes.

Ele acelerou o carro para fazer aquele barulho ensurdecedor e começou a se afastar.

Revirei os olhos, irritada, e gritei:
— Babaca, arrogante, idiota.

Para minha infelicidade, ele ouviu. O carro parou bruscamente.

— Ah, não... — sussurrei para mim mesma, já sabendo o que viria a seguir.

Sasuke engatou a ré, parando o carro a uma certa distância. Ele desceu, fechando a porta com força. O som de seus sapatos contra o chão encharcado foi como um aviso.

— Disse alguma coisa, senhorita irritante? — Ele perguntou, a voz baixa, perigosa.

— Não disse nada. — Respondi rapidamente, erguendo o queixo.

Ele suspirou, contornando o carro. Em um movimento fluido, abriu a porta do passageiro e olhou para mim com impaciência.

— Entre.

— Não.

— Ayumi, entre no carro.

— Não preciso de carona, obrigada.

— Você é sempre tão teimosa assim?

— E você é sempre tão metido e insuportável? — rebati, erguendo a voz.

— Você quer mesmo ficar aqui sozinha, nessa tempestade?

— Sim! Vou chamar um táxi.

— O sinal está morto, senhorita sabe-tudo. Não vou ficar discutindo com você aqui. Entre no carro antes que você congele.

— Eu disse que não vou! Está com problema de audição?

Ele esfregou o rosto, claramente irritado, antes de me encarar com olhos que pareciam perfurar minha alma. Sem perder a paciência completamente, ele me pegou pelo braço com firmeza e me conduziu até o carro.

— O que você pensa que está fazendo?! — Protestei, tentando me soltar.

— Salvando você da sua própria estupidez.

Ele me colocou no banco do passageiro e fechou a porta antes que eu pudesse reagir. Entrou no carro, ligou o motor e ajustou o aquecedor.

— Idiota! — Disparei, batendo no painel.

— Mimada. — Ele retrucou sem desviar os olhos da estrada.

A tempestade parecia piorar enquanto ele dirigia pelas ruas alagadas.

— Por que tinha que ser você?

— Queria que fosse outro?

— Sim. Está obvio isso.

Ele balançou a cabeça como se não acreditasse no que eu dizia.

— Como pode ser tão petulante. Estou encharcado por culpa sua e não tem coragem de me agradecer?

— Não vou agradecer. Você que me empurrou para dentro do seu carro, seu idiota.—Tremi com frio.

— Não agradeça. Problema é seu, garota irritante.

Quando reconheci a entrada para o meu prédio, uma árvore caída bloqueava o caminho. Antes que eu pudesse sugerir uma solução, ele virou o carro e tomou outra direção.

— Sasuke, para onde está me levando?

— Para minha casa.

— O quê? Não vou para a sua casa!

— Não me importo com o que você quer. Com essa tempestade, não vou deixá-la sozinha.

Bufei, cruzando os braços.

— Não pedi sua ajuda, sabia?

— Não precisa pedir. Sua teimosia já é suficiente.

Finalmente chegamos a uma mansão imponente, com um design moderno e detalhes que exalavam luxo. A chuva transformava o jardim em uma visão quase cinematográfica, e, mesmo sem querer, fiquei impressionada.

— Isso é onde você mora?

— Bem-vinda ao inferno.

Ele abriu a porta para mim, esperando. Relutante, desci do carro.

— Não estou impressionada.

— Claro que não está. Teimosia não deixa.

Ao entrar, o calor da casa foi um alívio imediato. O contraste entre a chuva fria e o interior aconchegante me desarmou por um breve instante.

— Tire essas roupas molhadas antes de pegar uma pneumonia — ele disse, andando em direção a um corredor.

— E vestir o quê?

Ele parou e se virou para mim, os olhos brilhando com algo que eu preferia não decifrar.

— Vamos descobrir.

Meu Tio SasukeOnde histórias criam vida. Descubra agora