Capítulo 113

284 16 7
                                        

Sasuke

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Sasuke

O cheiro de sangue e podridão ainda impregnava minhas roupas enquanto eu saía daquela cabana imunda. O ar frio da noite cortava minha pele, mas não me importei. Meu único foco era Ayumi.

Naruto e os outros ficaram para trás, cuidando do que restava de Sakura. Ele garantiu que a levaria para uma clínica em outra vila, longe o suficiente para que sua existência se tornasse insignificante para mim. Ela era um caso perdido agora—presa no inferno que ela mesma criou.

Não olhei para trás. Não havia mais nada ali.

Entrei no carro rapidamente, segurando Ayumi contra mim. Ela estava pálida, os olhos semicerrados, lutando contra a inconsciência. Kota dirigia rápido, desviando do tráfego com habilidade, enquanto eu sentia o peso dela contra meu peito.

— Aguente firme — murmurei, pressionando os lábios contra sua testa fria.

Ela não respondeu, mas seus dedos se moveram fracamente sobre minha camisa, como se quisesse me segurar.

O hospital logo apareceu diante de nós, e antes mesmo que o carro parasse completamente, já abri a porta e saí, carregando Ayumi em meus braços.

— Precisamos de ajuda! — minha voz cortou o silêncio do saguão, e em segundos, enfermeiros correram até nós com uma maca.

Coloquei Ayumi ali com relutância, minha mão ainda segurando a dela. Seus olhos me encontraram por um breve momento, e em meio à sua fraqueza, ela tentou sorrir.

— Sasuke...

— Não fale. Apenas descanse.

Mas ela ignorou, sua mão livre deslizando até a minha, fraca, mas determinada. E então, sussurrou:

— Nosso bebê...

Meu corpo inteiro congelou.

Eu já sabia, claro. Mas ouvir aquelas palavras saírem de sua boca naquele momento, tão delicadas e frágeis, me atingiu como um raio.

Fechei os olhos por um instante, tentando controlar a avalanche de emoções. Minha mão apertou a dela com força.

— Eu sei — murmurei, baixo. — E eu não vou deixar nada acontecer com vocês.

A porta da sala de atendimento se fechou, separando-nos.

E pela primeira vez em muito tempo, senti medo.

O tempo parecia se arrastar.

Eu estava parado do lado de fora da sala, os punhos cerrados, sentindo a respiração pesada no peito. Cada segundo longe de Ayumi era um tormento. Cada vez que uma enfermeira passava sem olhar para mim, sentia meu coração acelerar.

Ela estava fraca. Machucada. Meu filho...

Fechei os olhos, tentando conter a tempestade dentro de mim.

— Sasuke.

Levantei a cabeça e vi Itachi ali, parado ao meu lado. Ele não disse mais nada no começo, apenas me observou, sua presença uma âncora silenciosa no meio do caos que eu sentia.

— Ela vai ficar bem — ele disse, com aquela certeza tranquila que sempre teve.

Eu queria acreditar nisso. Precisava acreditar.

Minutos se passaram. Talvez horas. Não sabia mais. Mas então, a porta se abriu, e o médico apareceu.

— Uchiha Sasuke?

Eu já estava diante dele antes mesmo de terminar de dizer meu nome.

— Como ela está? — minha voz saiu mais ríspida do que o necessário, mas não me importei.

O médico fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras. Meu coração parou por um instante.

— Ayumi está bem. Fraca, mas sem risco. E o bebê... — ele fez uma pausa, olhando para mim diretamente — também está bem.

Aquelas palavras me atingiram como um golpe, mas de uma forma diferente. O peso que carregava nos ombros se desfez, como se algo tivesse quebrado dentro de mim. Meu corpo relaxou, e antes que eu percebesse, um som escapou da minha garganta.

E então, sem aviso, as lágrimas vieram.

Eu não chorava há anos. Não me lembrava da última vez. Mas ali, diante do meu irmão, do médico, e do alívio que me dominava, não me importei.

Me permiti sentir.

Me permiti chorar.

Uma mão firme pousou em meu ombro. Olhei para o lado e vi Itachi ali, sua expressão serena, mas com os olhos carregando algo que só ele entendia.

Ele sabia o que aquilo significava para mim.

Ele sabia o quanto eu perdi.

E o quanto, naquele momento, eu estava ganhando.

— Você sempre foi forte, Sasuke — ele disse, sua voz baixa, mas firme. — Mas ser forte não significa não sentir.

Engoli em seco, passando a mão pelo rosto, tentando recuperar a compostura.

— Não estou acostumado com isso — murmurei.

Itachi sorriu de leve.

— Acostume-se. Você vai ser pai.

Aquelas palavras me acertaram como um soco.

Eu ia ser pai.

A porta se abriu novamente, e uma enfermeira me chamou.

— Ela está acordada. Pode entrar.

Não hesitei.

Entrei no quarto e a vi ali, deitada, ainda fraca, mas seus olhos encontraram os meus imediatamente.

E no seu dedo, brilhando sob a luz suave do quarto, a aliança que eu lhe dei.

Eu me aproximei, pegando sua mão na minha.

— Você está aqui... — ela sussurrou.

— Sempre — respondi, baixinho.

Me sentei ao lado dela, deslizando o polegar sobre sua aliança. Meu próprio anel refletia a luz, um lembrete do que tínhamos, do que estávamos construindo.

Toquei seu ventre com a outra mão, sentindo o calor ali.

Nosso filho.

Nosso futuro.

E naquele instante, soube que, pela primeira vez em muito tempo, eu tinha tudo o que sempre quis.

Meu Tio SasukeOnde histórias criam vida. Descubra agora