Capítulo 33

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Ainda na cama, durante a madrugada, Naruto me pegou fitando o nada

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Ainda na cama, durante a madrugada, Naruto me pegou fitando o nada. Eu estava distraída, perdida em pensamentos. O vazio em meu peito parecia maior do que qualquer prazer momentâneo pudesse preencher. Nem mesmo Naruto, com toda sua intensidade, conseguia alcançar aquele lugar.

— Ei... no que você está pensando?— perguntou ele, com o tom despreocupado de sempre, mas seus olhos refletiam algo mais curioso.

— Em nada. — menti, virando o rosto para longe.

— Sei... Mas sabe, Ayumi... Eu nunca toquei no nome dele por respeito, mas posso te perguntar uma coisa?

— Depende, Naruto. Se eu não falo sobre ele, já sabe que não quero ouvir nada. — cortei, a voz fria e afiada como uma lâmina.

Ele suspirou, mas não recuou.

— Eu sei, mas... Você e o Sasuke já ficaram? Naquela época, quando você estava em Konoha?

Senti o estômago revirar. Por que ele tinha que perguntar isso? E justo agora?

— Qual o motivo dessa pergunta idiota?

— Nada demais. Só uma curiosidade que eu tenho há mais de dez anos.

— Curioso, não é? Pois bem, não quero que fale sobre Sasuke comigo.

— Mas ele era seu tio.

Aquela palavra ecoou na minha mente. Era. Como se ele não existisse mais. E, para mim, não existia.

— Era, como você disse. Não o vejo há anos e nem quero.

— Nem sua tia Sakura? Você sabia que eles se separaram dois meses depois que você foi embora?

Fiquei em silêncio. Eu realmente havia cortado todos os laços. Não sabia de nada disso.

— Não. — sussurrei, quase para mim mesma.

Naruto respirou fundo, ajustando-se na cama. 

— Ayumi, não tenho nada a ver com isso, sabe? Se vocês ficaram ou não. Era só uma curiosidade minha, porque... Bem, eu disse algo para o Sasuke uma vez. Algo que ficou na minha cabeça até hoje.

— O quê?

— Eu disse que, se você fosse minha sobrinha, eu não perderia a oportunidade. Ele entendeu exatamente o que eu quis dizer, e eu vi o quanto aquilo o irritou. E também naquela noite na minha casa, quando a Tenten ficou bêbada e soltou umas verdades, ele ficou furioso. Não era um ciúme qualquer, Ayumi. Ele estava...

— E o que isso tem a ver agora, Naruto? Já falei que não fiquei com meu tio!

Naruto ergueu as mãos como quem se rende, mas havia um sorriso convencido no canto dos lábios.

 — Ficou, sim.

— Não diga besteiras.

— Ele não ficaria furioso assim por qualquer pessoa, Ayumi.

Suspirei, sem responder. Meu silêncio dizia mais do que eu gostaria.

— Eu sabia! — exclamou ele, aproximando-se mais na cama, os olhos brilhando como se tivesse acabado de desvendar um mistério. — Vocês ficaram.

— Sim, Naruto. Ficamos.— confessei, cortante. — Mas não quero falar sobre isso.

— Calma, gatinha. Não estou aqui para te julgar. Só que... caramba. Sasuke é um sortudo, sabia?

— Sorte? Que sorte o quê, Naruto? Não diga idiotices.

Ele riu, mas seu tom era sério. 

— Ayumi, você era tão novinha naquela época, mas já era impossível de ignorar o seu corpo, um belo par de seios, a bunda toda empinadinha. Ele se apaixonou, tenho certeza.

— Não diga bobagens, Naruto. Sasuke não é o tipo de homem que se apaixona.

— Ah, eu conheço o Sasuke desde moleque. Ele sempre foi uma pedra de gelo: frio, arrogante, calculista. Todo marrento. Mas, Ayumi, você fez ele se perder. Ele não era assim com a Sakura. Ela o amava, sim, mas ele... Ele só estava ali porque achava que era o certo. Nunca foi por amor, nem por ela, nem por ninguém.

— Você não sabe do que está falando.

— Sei, sim. Você mexeu com ele de um jeito que ninguém mais conseguiu. Ele sabia disso, e, sinceramente, acho que você também sabia.

Virei o rosto, tentando ignorar as palavras dele. Naruto ficou em silêncio por alguns segundos antes de continuar.

— Faz tempo que eu não o vejo. Mas, sabe... mesmo que ele fosse um idiota com você, acho que ele nunca te esqueceu.

— Não quero saber, Naruto. — disse firme, virando de costas para ele. Sasuke está morto para mim.

Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos. 

— Ok, gatinha. Eu entendi. Mas, se algum dia quiser falar sobre isso, sabe onde me encontrar.

Fechei os olhos, tentando afastar o peso daquela conversa. Sasuke era uma ferida que eu não queria revisitar. Não agora. Não, nunca.

Meu Tio SasukeOnde histórias criam vida. Descubra agora