Capítulo 77

333 22 8
                                        



Ayumi

A manhã transcorreu em meio ao aroma quente do café recém-passado. Harumi se movimentava pela cozinha, lançando olhares curiosos para mim enquanto mexia distraidamente.

O silêncio se instalou por alguns instantes. Sentei-me no sofá, sentindo o peso da noite ainda em cada músculo do meu corpo. Harumi não tardou a me analisar de cima a baixo, seus olhos se estreitando ao notar as marcas que Sasuke havia deixado em minha pele. Ela suspirou, cruzando os braços, e por fim, quebrou o silêncio.

— Você precisa me explicar isso — disse, apontando para mim com a colher.

Tomei um gole do café e ergui uma sobrancelha.

— Isso o quê?

— Não se faça de desentendida, Ayumi. Você sumiu, e agora reaparece com o Uchiha cheio de marcas e com um anel no dedo? — ela inclinou a cabeça, me avaliando com suspeita. — Até onde eu sabia, vocês se odiavam.

Soltei um suspiro e dei de ombros.

— Bom, agora não nos odiamos mais.

Harumi piscou algumas vezes, como se tentasse absorver a informação. Então, seu olhar se desviou para a minha mão esquerda. A aliança brilhava sutilmente à luz da manhã.

— Vocês estão noivos?! Como assim?! — ela exclamou, jogando a colher sobre a mesa. — Você não me contou nada!

— Eu tentei, mas você não atendeu minhas ligações — me defendi, tentando esconder um sorriso.

Ela bufou e cruzou os braços.

— Mas ele não era seu tio?

Meu corpo ficou tenso, e meu sorriso desapareceu. Respirei fundo antes de responder.

— No passado, sim. Mas não temos laços de sangue, Harumi. Isso já ficou para trás.

Ela me olhou com uma mistura de incredulidade e preocupação.

— Não importa. Ele ainda foi casado com sua tia. E você dormiu com ele quando ele ainda morava com ela.

Revirei os olhos.

— Eles não eram casados de verdade, apenas moravam juntos.

— Mesmo assim, Ayumi! Você era mais nova, e ele já era um homem feito. Não acha estranho que depois de anos vocês ainda continuem com isso?

— Não acho — respondi, firme. — Nós nos amamos.

Harumi suspirou profundamente, esfregando as têmporas.

— E sua tia, Sakura? Ela sabe disso?

Desviei o olhar.

— Não tenho contato com ela.

Ela ficou em silêncio por um momento, me analisando. Por fim, disse com um tom mais baixo:

— E ele? Nunca teve outras mulheres antes de você? Não tem medo de que alguma resolva reaparecer e ele queira voltar?

Estreitei os olhos para ela.

— Aonde quer chegar, Harumi?

— Eu só estou preocupada com você, amiga — disse, sincera. — Só quero que esteja ciente de onde está se metendo.

Sorri, suavizando minha expressão.

— Não se preocupe. Eu confio nele. E não foi algo do dia para a noite. Nós já temos um tempo juntos.

Harumi bufou, derrotada.

— Ok, você venceu... Mas tente manter os pés no chão e não se entregar completamente.

Ri e a puxei pelo braço.

— Já estou entregue. Agora vamos tomar um café da manhã decente?

Saímos do apartamento e fomos até uma charmosa cafeteria em Konoha. Entre goles de café e pedaços de pão quente, conversamos sobre tudo: as saídas dela com nossos amigos, os desafios no trabalho e a rotina na HikariTech. Falei sobre Itachi, sobre como sentia sua falta. Também mencionei que havia parado de me envolver com Naruto.

O tempo passou voando entre risadas e... confissões. Depois, aproveitamos para passear por algumas lojas. Harumi não resistiu a algumas compras, e eu também não. Era uma das coisas que sempre fazíamos juntas: gastar dinheiro sem culpa. Almoçamos em um restaurante sofisticado, repleto de gente bem-vestida e conversas abafadas. Entre um prato e outro, o assunto sempre acabava voltando para minha relação com Sasuke.

À tarde, decidimos ir a um salão de beleza. Fazia tempo que não tirávamos um tempo para cuidar de nós mesmas. Durante a sessão de manicure, meu celular vibrou. Era Sasuke.

Sasuke: Amor, hoje à noite tenho um encontro com um amigo em um barzinho. Que tal você levar Harumi junto?

Olhei para Harumi, que estava ocupada escolhendo a cor do esmalte.

— Ei, vamos a um barzinho hoje à noite?

— Essa era minha ideia de diversão — respondeu sem hesitar.

— Eu, você, Sasuke e um amigo dele.

Harumi ergueu uma sobrancelha, interessada.

— Com todo respeito, amiga, se for gato igual ele, eu topo.

Ri e balancei a cabeça.

— Igual não rola. Esse já é meu.

— Igual não quero — brincou. — Ele é bem arrogante, mas se a aparência for boa, já vale a pena.

Respondi a Sasuke.

Eu: Ela topa.

Sasuke: Ótimo. Nos encontramos mais tarde. Beijo.

Fiquei animada para a noite que viria. Se fosse tão divertida quanto nosso dia, sabia que haveria muitas histórias para contar depois.

Meu Tio SasukeOnde histórias criam vida. Descubra agora