Michelli.
Sai da boca e fui direto pra casa, a pé mesmo, queria colocar a cabeça no lugar, o que não está sendo nada fácil. Foi muita informação pra um dia só, não sei nem o que pensar.
O Gui apareceu de moto andando devagar pra me acompanhar. Fingi que não estava vendo o mesmo. Sinceramente, o que eu menos quero no momento é falar com ele.
-Vamos conversar poxa- pediu enquanto pilotava.
Ignorei o mesmo completamente seguindo meu caminho. Agradesci mentalmente quando cheguei em casa.
-Passa aqui a noite- falei seca sem olhar pra ele.
Entrei em casa e escutei a moto ir embora com tudo. Suspirei desanimada e fui diretamente pro quarto.
Cai na cama e fiquei olhando pro teto um tanto pensativa. Meu pai resolveu que eu vou assumir um morro, sendo que não tenho muita experiência quanto a isso. Mas farei da certo. Não posso decepcionar ninguém.
Fico pensando se realmente ele terá coragem de matar aquela mulher, mesmo tendo sido uma ordem do meu pai, prefiro pensar que sim.
Vi a porta ser aberta e a Marcela entrar com um sorriso quadrado.
-E, que cara é essa em?- perguntou franzindo a sobrancelha.
-Por onde eu começo?- perguntei suspirando.
-Vai do começo que eu quero saber tudinho- ela pediu se sentando do meu lado.
Continuei imóvel, olhando pro teto, comecei a falar tudo, toda a história de hoje. A mesma ficou sem reação por alguns minutos.
-Puta que pariu. Tu vai virar dona de morro, patroa. E tem uma ex louco do teu namorado querendo fuder com a tua vida- falou tentando assimilar.
-É isso ai- confirmei me sentando sem ânimo algum.
-E eu achando que a minha vida que era uma loucura, mas com toda certeza, a sua supera- admitiu.
-Nossa, me sinto lisonjeada- fui sarcástica.
-Desculpa amiga, dessa vez não sei qual palavra de conforto eu poderia dar.
-Tudo bem, sua companhia basta, ja me sinto melhor- dei de ombros.
-Vamos fazer a noite das meninas, vai tomar um banho que vou fazer uma pipoquinha, brigadeiro e por um filme- pediu se levantando.
Dei um sorriso fraco, abracei a mesma por cinco segundos em seguida me soltei e fui pro banheiro. Fechei a porta, tirei toda a minha roupa, entrei em baixo do chuveiro e senti a água gelada cair sobre o meu corpo.
Fechei os meus olhos e fiquei lá parada por um tempo, sem reagir nem pensar, apenas sentindo a paz do momento. A anos atrás jamais imaginaria as reviravoltas que aconteceram em minha vida.
Passei sabonete, lavei e hidratei meu cabelo, nada melhor que um bom banho pra relaxar. Desliguei o chuveiro, me enrolei e sai do banheiro. Não havia ninguém no quarto.
Coloquei um pijama mega confortável que dá vontade de dormir assim que colocado. Arrumei meu cabelo, passei um perfuminho e desci até a sala.
Fiquei impressionada e ao mesmo tempo boba quando eu vi a Marcela se esforçando pra me agradar.
Tinha uma mesinha em frente ao sofá com refrigerante, brigadeiro, pizza e pipoca, combo perfeito para uma noite de filme, confesso que eu estava precisando.
-Vem, senta aqui. Vamos assistir como eu era antes de você- falou animada e eu sorri.
-Se eu não tivesse namorado, namorava com você Marcela- afirmei fazendo uma brincadeira.
-Olha que eu termino com o meu e fico contigo- deu risada dando continuidade a brincadeira.
Amo nossa amizade, o quanto uma faz a outra ficar bem. Me sentei no sofá e ela deu o play no filme. Comecei a comer na maior paz enquanto assistia.
Logo a minha mãe chegou já de pijama e se sentou começando a assistir também. A vibe está ótima, fazia tempo que não tínhamos momentos assim.
O Gui não mandou mensagem, e eu também não. Deitei a cabeça no colo da Marcela e fiquei assistindo até meus olhos se cansarem...
Acordei com a claridade em meu rosto. Já está de dia, peguei no sono sem nem perceber. A Marcela estava dormindo no outro sofá toda jogada.
A preguiça de levantar bateu, mas me levantei mesmo assim. Fui até o meu quarto, escovei os dentes e lavei meu rosto.
Meu celular tocou e era o Gui.
Ligação on.
-Teu pai pediu pra tu colar aqui na boca agora, tô indo aí te buscar, fica pronta logo.
Ligação off.
O mesmo desligou antes que eu pudesse responder. Tomei um banho rápido, me arrumei e desci pra sala onde ele já estava me esperando de cara fechada.
-Cê demora em- murmurou saindo.
Nem falei nada, não quero me estressar. Entrei no carro e o mesmo deu partida. Encostei a cabeça na janela e fiquei observando o caminho.
-Ta pronta pra comandar um morro?- perguntou sério.
-Não- neguei sem olhar pra ele.
-Pois é melhor se preparar. Eu vou te ajudar- afirmou
Não falei nada. Nem sei o que dizer na verdade. Em alguns minutos o Guilherme parou seu carro e eu desci sem esperar o mesmo.
Entrei na boca dando bom dia a todos, sou educada. Fui direto pra sala do meu pai e entrei sem bater. Ele tomou um puta susto e soltou um xingamento me fazendo rir.
-Que mania filha da puta vocês tem de entrar sem bater- resmungou irritado. -Senta ai- mandou.
Me sentei e fiquei em silêncio. Ele virou o notebook pra mim e eu comecei a ler o contrato, no final tinha uma assinatura.
-Isso quer dizer que aceitaram vender o morro?- perguntei chocada.
-É isso ai, o complexo do alemão é seu agora. Você toma posse amanhã, se prepara. Já organiza teu baile amanhã mesmo- falou animado.
-Não sei nem por onde começar, mas não irei decepcionar- falei ainda assimilando.
-Vou mandar o Gui ir te ajudar, não se preocupe. Lá vai continuar com os funcionários do antigo dono, mas se tu preferir troca tudo- avisou e eu concordei.
Ficamos conversando mais um pouco, tirei algumas dúvidas, que na verdade foram muitas. Não sei como irei dar conta, mas eu vou.
-Confesso que não queria te ver metida nisso, mas você tem um chamado, vejo e sinto de longe, não dá pra fugir de algo que foi destinado.
-É, eu sei, tentei ao maximo ficar longe, mas no fim tudo me leva a isso, ser patroa- concordei.
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𝓟𝓞𝓓𝓔𝓡𝓞𝓢𝓐
RomansaVulgo poderosa, pros mais íntimos é Michelli, não tô aqui pra agradar ninguém, então se você gostar tá gostado se não gostou o problema é teu. Não abaixo a cabeça pra ninguém, sei o certo e o errado, não preciso que me falem oque fazer. +16 [plágio...
