30 Banho do Alasca

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Voltamos para o Galak, e aproximadamente duas horas depois, chegávamos a casa dele, onde uma pizza quentinha nos esperava em cima da bancada. Ele fingiu estar desmaiando,  correndo para Fatinha pulando no pescoço dela.

- Meu Deus, mulher! Você é algum tipo de adivinha? –  Deu um beijo no rosto dela, e fiquei olhando para eles, rindo, talvez pensando que eu jamais conseguiria ser daquele jeito com ninguém da minha família.  – Foi mal, Elise, mas essa mulher tem uma linha direta com o meu estômago, e eu amo ela. - brincou.

Ela deu um tapa nas costas dele. – Para menino, me solta! – gargalhou fingindo estar brava – Não é difícil saber que você tá com fome... Você tá sempre com fome!

Concordei – Isso é verdade.

- Ele acha que a gente não conhece ele, Elise. – Ela deu uma piscadinha para mim.

Fatinha era um doce, e eu gostava de ver como Léo a tratava, ele era tão carinhoso com ela... Agradeci tanto quando ela disse que gostou de mim, não era uma tarefa muito fácil. Ela disse que era difícil ver uma garota lá tantas vezes, por isso ela nem dava bola, mas quando viu que nosso namoro era sério, ela ficou bem contente. No fundo, acho que ela via as merdas que ele fazia, e pela cara dela, ela não aprovava.

Nos sentamos a bancada, depois de passar o dia todo pelas trilhas, eu estava quase com tanta fome quanto ele.

- Ah, Léo. – Fatinha o encarou antes de sair da cozinha – Sua mãe ligou.

Ele bufou, e se virou para ela com a boca cheia de pizza. – O que ela quer?

- Disse que era só com você, e para você retornar quando chegasse. – Revirou os olhos.

- Tá, depois eu cuido disso. Valeu. – disse dando outra mordida na pizza. – Come aí com a gente, Fá. – Ofereceu, mas ela só sorriu, e se afastou.

Continuei comendo a pizza, mas era meio impossível ignorar o jeito que eles falavam da mãe dele. Por que será? O Léo nunca falava da família dele, mas devia ter motivo para isso. Eu mesma, não podia questionar nada.

Ele terminou de comer, e pegou o telefone do outro lado da bancada, enquanto eu terminava de comer, o observando.

Ele discou, respirou fundo e colocou o telefone no ouvido, tentando me ignorar.

- Oi mãe. – Encarou o prato vazio, ouvindo. – Tô bem. Estava correndo. – Revirou os olhos e respirou fundo - Ah, não sei... – Olhou para mim. – Que horas? Tá, se der eu apareço. Tá. Tá bom! Tá. Tchau.

Pisquei olhando para ele, quando ele desligou. Nunca vi uma conversa tão rápida, e irritante, porque pela cara dele, não foi muito agradável.

Terminei de mastigar o último pedaço da minha fatia de pizza, e ele apoiou o rosto nos pulsos olhando para mim, pensativo.

- Que foi? – perguntei incomodada com o jeito que ele estava me olhando. Eu odiava isso.

- To pensando aqui...

Ah Não... - Em que? O que sua mãe disse?

- Ela disse que vai fazer um almoço amanhã...

Eu gelei, eu sabia no que ele estava pensando. Ai meu Deus, conhecer a família dele?

- Se você não quiser, a gente não vai. – Me olhou sério.

- Você quer ir? – perguntei engolindo em seco.

- Você quer? – Insistiu.

- Você quer me levar? – Encolhi os ombros.

Ele riu. – Ai, assim a gente vai ficar perguntando até amanhã, e ninguém vai responder...

Elise (Repostando)Onde histórias criam vida. Descubra agora