24 Colocando em prática

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Enfim, a vida começou a entrar nos eixos, aproveitei que meu pai estava sendo consolado na casa de algum dos meus tios, e chamei Léo para ficar comigo. Prestativo e carinhoso como ele estava sendo, ele caiu no meu papo e se despencou de Campinas até a minha casa.

Ouvi a Mercedes parar embaixo da janela da sala, e coloquei a cabeça para olhar meu lindo namorado saindo de seu carro esnobe, sorri para ele, um sorriso espontâneo e brincalhão depois dos tempos de trevas que eu estava vivendo.

- Oi, gordinha. – Ele me beijou na janela.

- Oi, Léo, entra aqui. –  chamei.

Ele entrou me dando um beijo de verdade – Você parece bem melhor... – sussurrou.

- Estou, acho que preciso sair um pouco daqui. – O abracei.

Ele me olhou surpreso. - Fico feliz que você queira sair da toca, gordinha. O que você quer fazer? – Ele se animou me apertando contra ele.

Olhei para ele e sorri malignamente. – Promete que vai dizer sim?

Ele cerrou os olhos, desconfiado. – Não sei...

Peguei sua mão, e o puxei até a garagem, abri o portão para a rua, e tirei a capa do Lestat.

Ele fez careta de preocupação.

- Ah, gordinha... Quer mesmo fazer isso? - Ele coçou a cabeça, estava na cara que ele não queria fazer aquilo.

- Quero.Você vai vir comigo? – O olhei determinada.

Ele caminhou até mim, e segurou meus ombros. – Elise, não acho que seja boa ideia... Dá um tempo para o seu pai... – Seus olhos eram calorosos e preocupados.

- Eu já dei tempo suficiente para ele, Léo... Tanto tempo que ele se esqueceu de mim... – Entendi o que ele estava tentando me dizer, ele queria que eu poupasse meu pai das ideias idiotas que eu tinha. Mas eu queria tomar meu lugar. O Du se foi... E ninguém tinha culpa por isso. Simplesmente me convenci de que era a hora dele. É assim que as coisas são. Ele não ia mais voltar, e eu tinha que lutar pelo que eu queria. Porque ele morreu sem tentar fazer outra coisa, sem deixar as corridas por causa do meu pai. Eu não deixaria isso acontecer comigo. – Se não quiser vir comigo, eu vou entender, Léo...

- Eu não vou deixar você fazer isso sozinha, Elise. – Seu tom era sério, e assenti para ele.

Abri o capô do Lestat, conectei a bateria, e dei a partida.

Ele entrou no carro, e saímos da garagem cantando pneus, rumo aos bairro onde fomos da última vez.

Durante todo o caminho, Léo não tirava os olhos de mim, enquanto eu dirigia sempre rápido demais pelas ruas. Ele nunca havia andado comigo. E ele assim como o Du, não estava acostumado a ser passageiro.

Entrei na estrada de terra, e estacionei na grama ao lado da trilha.

Soltei o volante, e passei as mãos nas coxas para enxugá-las do suor que quase pingava delas. Assim que o cheiro da poeira invadiu Lestat, tive que lutar comigo mesma para me manter firme ali e não chorar, me lembrando da última vez que estive ali com o Du.

- Elise, você não precisa fazer isso... – Léo falou calmamente, como um anjinho no meu ouvido.

- Eu preciso, Léo. – Olhei para ele, ofegante. – Sem isso... Eu não sou nada. É isso que me move, Léo... Eu quero correr.

Ele esticou o braço, e pegou a chave do contato. – Desce, vamos conversar. – Ele abriu a porta e caminhou até o meu lado. Fiquei pensando no que ele queria me dizer, respirei fundo, e desci do Lestat para encará-lo.

Elise (Repostando)Onde histórias criam vida. Descubra agora