Enfim, a vida começou a entrar nos eixos, aproveitei que meu pai estava sendo consolado na casa de algum dos meus tios, e chamei Léo para ficar comigo. Prestativo e carinhoso como ele estava sendo, ele caiu no meu papo e se despencou de Campinas até a minha casa.
Ouvi a Mercedes parar embaixo da janela da sala, e coloquei a cabeça para olhar meu lindo namorado saindo de seu carro esnobe, sorri para ele, um sorriso espontâneo e brincalhão depois dos tempos de trevas que eu estava vivendo.
- Oi, gordinha. – Ele me beijou na janela.
- Oi, Léo, entra aqui. – chamei.
Ele entrou me dando um beijo de verdade – Você parece bem melhor... – sussurrou.
- Estou, acho que preciso sair um pouco daqui. – O abracei.
Ele me olhou surpreso. - Fico feliz que você queira sair da toca, gordinha. O que você quer fazer? – Ele se animou me apertando contra ele.
Olhei para ele e sorri malignamente. – Promete que vai dizer sim?
Ele cerrou os olhos, desconfiado. – Não sei...
Peguei sua mão, e o puxei até a garagem, abri o portão para a rua, e tirei a capa do Lestat.
Ele fez careta de preocupação.
- Ah, gordinha... Quer mesmo fazer isso? - Ele coçou a cabeça, estava na cara que ele não queria fazer aquilo.
- Quero.Você vai vir comigo? – O olhei determinada.
Ele caminhou até mim, e segurou meus ombros. – Elise, não acho que seja boa ideia... Dá um tempo para o seu pai... – Seus olhos eram calorosos e preocupados.
- Eu já dei tempo suficiente para ele, Léo... Tanto tempo que ele se esqueceu de mim... – Entendi o que ele estava tentando me dizer, ele queria que eu poupasse meu pai das ideias idiotas que eu tinha. Mas eu queria tomar meu lugar. O Du se foi... E ninguém tinha culpa por isso. Simplesmente me convenci de que era a hora dele. É assim que as coisas são. Ele não ia mais voltar, e eu tinha que lutar pelo que eu queria. Porque ele morreu sem tentar fazer outra coisa, sem deixar as corridas por causa do meu pai. Eu não deixaria isso acontecer comigo. – Se não quiser vir comigo, eu vou entender, Léo...
- Eu não vou deixar você fazer isso sozinha, Elise. – Seu tom era sério, e assenti para ele.
Abri o capô do Lestat, conectei a bateria, e dei a partida.
Ele entrou no carro, e saímos da garagem cantando pneus, rumo aos bairro onde fomos da última vez.
Durante todo o caminho, Léo não tirava os olhos de mim, enquanto eu dirigia sempre rápido demais pelas ruas. Ele nunca havia andado comigo. E ele assim como o Du, não estava acostumado a ser passageiro.
Entrei na estrada de terra, e estacionei na grama ao lado da trilha.
Soltei o volante, e passei as mãos nas coxas para enxugá-las do suor que quase pingava delas. Assim que o cheiro da poeira invadiu Lestat, tive que lutar comigo mesma para me manter firme ali e não chorar, me lembrando da última vez que estive ali com o Du.
- Elise, você não precisa fazer isso... – Léo falou calmamente, como um anjinho no meu ouvido.
- Eu preciso, Léo. – Olhei para ele, ofegante. – Sem isso... Eu não sou nada. É isso que me move, Léo... Eu quero correr.
Ele esticou o braço, e pegou a chave do contato. – Desce, vamos conversar. – Ele abriu a porta e caminhou até o meu lado. Fiquei pensando no que ele queria me dizer, respirei fundo, e desci do Lestat para encará-lo.
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Elise (Repostando)
Fiksyen RemajaRespondona, grossa, encrenqueira que não leva desaforo para casa, e com ótimo gosto musical. Elise é a faz tudo de uma equipe de Rally. Viajando com seu pai, seu irmão e os caras da equipe desde os 14 anos, ela foi obrigada á se encaixar nesse meio...
