Dois meses e meio depois de ganhar o Lestat novo, eu já havia retirado todos os pontos, e feito algumas sessões de fisioterapia, mas contrariando o médico que me pediu pelo menos três meses, já não dava mais para continuar daquele jeito, eu ainda fazia um esforço para ficar com a tipóia de vez em quando, só para não ouvir eles falando na minha cabeça.
Voltei as competições, navegando com o Léo, e as coisas começavam a entrar nos eixos. Meu pai melhorou muito, e voltou a mexer nos carros em casa, embora não conseguisse ainda voltar as corridas. Eu estava me empenhando nos cursos, e nas preparações para correr. Além de treinar com Léo. Depois de muito pensar, resolvi mandar o novo Lestat para a preparação, aproveitei ele normal por algum tempo, dirigindo pela cidade, e até a Mandy quis dar uma volta nele comigo.
No fim de setembro, fiz minha última corrida navegando com o Léo, passei meu posto para o Cristiano, o Cris, ele nos acompanhou durante algumas corridas, era sobrinho do Ivan, e apesar de muito quietinho, era muito dedicado. Ele tinha 24 anos, era um rapaz franzino, moreno de olhos desconfiados. Conversei com ele algumas vezes, debatemos planilhas, e ele estava tendo treinamento com o Fábio. A minha única preocupação, era o comportamento do Léo. Eu não queria que ele tratasse Cris, como ele fazia com o Vini no começo. Então tive que mediar as coisas entre eles. Eu sabia melhor que ninguém, como o Léo podia ser insuportável quando queria. E com alguém tão quietinho e inexperiente... Era tudo o que ele precisava para botar as asinhas de fora.
Nesse meio tempo, eu praticamente não fiquei em casa. Léo, tinha resolvido me dar uma semana no mês para eu ficar com meu pai e minha tia, mas não parava de me encher o saco com a história ridícula de casar. Eu já estava perdendo a paciência.
Acho que era uma noite de segunda, tínhamos acabado de voltar de uma corrida, e fomos conversar com o Vini pelo Skype. Ele estava tão diferente, até a cara dele era a de um estudante sério. Ele nos cumprimentou com um enorme sorriso.
- E aí, casal monstro... Como estão? – Ele riu.
- Muito bem, Vini. E você? Tá tão sério... O que aconteceu aí? – brinquei.
- É, pimentinha, isso se chama virar adulto. Acho que vocês dois nunca vão saber o que é isso... – Ele riu.
- Acho que ela, não mesmo. – Léo resmungou do meu lado, e dei uma cotovelada nele.
Vini gargalhou do outro lado.
- Ué, se você é adulta, fala pra ele porque você não quer casar comigo...
Quase tive um ataque de raiva por ele estar falando aquilo na frente do Vini.
- Ih cara, tá difícil aí hein? – Ele riu.
- Não sei onde você ouviu que pra ser adulto, tem que casar. Você casou, Vini? – resmunguei.
- Já vi que as coisas estão do mesmo jeito aí, né? – ele brincou.
Léo riu para ele.
- Bom, eu tenho que ir, gente. – Ele sorriu se despedindo – E parem de brigar... Vocês são muito fofos pra ficarem brigando... – Léo revirou os olhos.
Realmente, ou a gente era fofo, ou era o casal monstro, ele tinha que se decidir.
- Tchau, cara. Té mais. – Léo se despediu dele, e dei um tchauzinho
Assim que ele desligou, o encarei. – Léo, para com isso... Você já tá me irritando... Tô falando sério! Você não tem outro assunto, não? – Esbravejei.
Ele riu. – O que te custa casar comigo, Elise? – Fez beiço.
Baixei a cabeça passando a mão pela testa, irritada. – Léo, eu não quero casar. É a única coisa que eu não quero na vida! Será que é tão difícil assim, você entender?
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Elise (Repostando)
Teen FictionRespondona, grossa, encrenqueira que não leva desaforo para casa, e com ótimo gosto musical. Elise é a faz tudo de uma equipe de Rally. Viajando com seu pai, seu irmão e os caras da equipe desde os 14 anos, ela foi obrigada á se encaixar nesse meio...
