🚨 Aviso, esse capítulo é gigantesco! Aparentemente eu não tinha senso de divisão 🤣 Então divirtam-se😘
****
Acordei às cinco da manhã, tomei um banho, me troquei, e rapidamente estava pronta. O esquema foi o mesmo, ir de Fusion até lá, e começar tudo outra vez.
Nesse, a maioria dos competidores eram iniciantes ou inexperientes, na nossa categoria só havia seis carros, não era um evento valendo pontos, mas não podíamos perder terreno, ainda mais, sabendo que o patrocinador em potencial estaria ali.
O ponto de encontro era um posto de paradas de caminhão perto da rodovia.
Reconheci os carros da equipe do Tales, e do Carlos. Carlão, é o que eu chamava de dinossauro do rally, ele manjava tudo, mais de vinte anos na estrada, já tinha ido para o Dakar, Sertões e mais uma porrada mundo a fora, e justamente por isso, eu não o via há algum tempo, era difícil ele aparecer nos eventos menores, mas quando vinha, era perfeito para mim.
Assim que ele me viu, abriu os braços para mim e corri para ele, lhe dei um abraço, morrendo de saudade.
Ele estava como sempre com seus olhos atrás dos óculos redondinhos, ao estilo John Lennon, e seus cabelos grisalhos pesos num rabo de cavalo, a ponta era de motoqueiro, mas ele era bem mais que isso.
- Menina! Que saudade. Como anda? - Ele me soltou, para me olhar.
- Estou bem, e você? - Sorri para ele.
- Ah, sabe como é, veias entupidas, e queda de cabelo. Cada dia mais velho. - Riu ele.
Passei o braço por sua cintura. - Você é que nem vinho, Carlão, só melhora com o tempo. - brinquei.
- Ah tá. E você é uma mentirosa filha da mãe...- gargalhou esfregando meu cabelo com a mão enorme.
- Nada... Se o povo da minha equipe não precisasse tanto de mim, eu ia correr com você. - sorri para ele.
- Está convidada, garota. A hora que quiser.
Aquilo me deu até um arrepio de esperanca. - Vou cobrar. - dei uma piscadinha para ele.
Ele riu, e ouvi meu pai me gritando do outro lado do posto.
- Tá vendo, só? Não vivem sem mim. - me afastei depois de lhe dar um beijo no rosto dele. - Te vejo mais tarde.
Ele acenou para mim, e corri para perto do meu pai.
- Oi. - falei de má vontade, sabia que ele tinha implicância com qualquer um que eu gostasse.
- Será que dá para você parar de dar confiança para esse cara? - Falou, emburrado, com um tom agressivo que não era dele.
- Confiança, pai? Você tá me zoando, né? O cara é como um avô para mim. - fiquei chocada.
Ele nem me olhou. - Tá, vai lá ajudar o Nildo a aprontar o Afonso, que seu irmão tem que ir para pista daqui a pouco. - Fechou mais a cara, e voltou a debruçar sobre o Galak.
- Que sorte a dele. - falei, e saí, para ir atrás do Nildo.
Andei pisando duro de raiva. Nem consegui evitar que meus olhos ficassem cheios de lágrimas. Meu pai era muito ridículo.
- O que foi, garota? - Nildo me encarou enquanto eu lutava com as lágrimas irritantes.
- Nada, só o de sempre mesmo. - Passei os pulsos nos olhos, e respirei fundo. - Precisa de ajuda?
Ele apertou os lábios, acho que ele também sabia a droga que meu pai fazia comigo. Todo mundo vai, na verdade.
- Não, vai lá fazer aquela mágica nas planilhas, vai. - Sorriu, e me puxou para me dar um beijo no cabelo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Elise (Repostando)
Fiksi RemajaRespondona, grossa, encrenqueira que não leva desaforo para casa, e com ótimo gosto musical. Elise é a faz tudo de uma equipe de Rally. Viajando com seu pai, seu irmão e os caras da equipe desde os 14 anos, ela foi obrigada á se encaixar nesse meio...
