5 UFC do rally

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🚨 Aviso, esse capítulo é gigantesco! Aparentemente eu não tinha senso de divisão 🤣 Então divirtam-se😘

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Acordei às cinco da manhã, tomei um banho, me troquei, e rapidamente estava pronta. O esquema foi o mesmo, ir de Fusion até lá, e começar tudo outra vez.

Nesse, a maioria dos competidores eram iniciantes ou inexperientes, na nossa categoria só havia seis carros, não era um evento valendo pontos, mas não podíamos perder terreno, ainda mais, sabendo que o patrocinador em potencial estaria ali.

O ponto de encontro era um posto de paradas de caminhão perto da rodovia.

Reconheci os carros da equipe do Tales, e do Carlos. Carlão, é o que eu chamava de dinossauro do rally, ele manjava tudo, mais de vinte anos na estrada, já tinha ido para o Dakar, Sertões e mais uma porrada mundo a fora, e justamente por isso, eu não o via há algum tempo, era difícil ele aparecer nos eventos menores, mas quando vinha, era perfeito para mim.

Assim que ele me viu, abriu os braços para mim e corri para ele, lhe dei um abraço, morrendo de saudade.

Ele estava como sempre com seus olhos atrás dos óculos redondinhos, ao estilo John Lennon, e seus cabelos grisalhos pesos num rabo de cavalo, a ponta era de motoqueiro, mas ele era bem mais que isso.

- Menina! Que saudade. Como anda? - Ele me soltou, para me olhar.

- Estou bem, e você? - Sorri para ele.

- Ah, sabe como é, veias entupidas, e queda de cabelo. Cada dia mais velho. - Riu ele.

Passei o braço por sua cintura. - Você é que nem vinho, Carlão, só melhora com o tempo. - brinquei.

- Ah tá. E você é uma mentirosa filha da mãe...- gargalhou esfregando meu cabelo com a mão enorme.

- Nada... Se o povo da minha equipe não precisasse tanto de mim, eu ia correr com você. - sorri para ele.

- Está convidada, garota. A hora que quiser.

Aquilo me deu até um arrepio de esperanca. - Vou cobrar. - dei uma piscadinha para ele.

Ele riu, e ouvi meu pai me gritando do outro lado do posto.

- Tá vendo, só? Não vivem sem mim. - me afastei depois de lhe dar um beijo no rosto dele. - Te vejo mais tarde.

Ele acenou para mim, e corri para perto do meu pai.

- Oi. - falei de má vontade, sabia que ele tinha implicância com qualquer um que eu gostasse.

- Será que dá para você parar de dar confiança para esse cara? - Falou, emburrado, com um tom agressivo que não era dele.

- Confiança, pai? Você tá me zoando, né? O cara é como um avô para mim. - fiquei chocada.

Ele nem me olhou. - Tá, vai lá ajudar o Nildo a aprontar o Afonso, que seu irmão tem que ir para pista daqui a pouco. - Fechou mais a cara, e voltou a debruçar sobre o Galak.

- Que sorte a dele. - falei, e saí, para ir atrás do Nildo.

Andei pisando duro de raiva. Nem consegui evitar que meus olhos ficassem cheios de lágrimas. Meu pai era muito ridículo.

- O que foi, garota? - Nildo me encarou enquanto eu lutava com as lágrimas irritantes.

- Nada, só o de sempre mesmo. - Passei os pulsos nos olhos, e respirei fundo. - Precisa de ajuda?

Ele apertou os lábios, acho que ele também sabia a droga que meu pai fazia comigo. Todo mundo vai, na verdade.

- Não, vai lá fazer aquela mágica nas planilhas, vai. - Sorriu, e me puxou para me dar um beijo no cabelo.

Elise (Repostando)Onde histórias criam vida. Descubra agora