Essa arte é tão simples, mas não estou conseguindo terminar logo! Minha mente não para de ir até a Heloísa. Onde está aquela menina? E em meio a esses pensamentos, surge outro. Tento amarrar a ansiedade, mas já estou até molhando o teclado do computador com suor, por imaginar aonde nosso encontro vai levar no futuro. Vejo-me na vigília mês que vem sentada ao lado do Valdir, buscando a Deus juntos, evangelizando, ganhando almas... Ai, meu coração bate mais forte que as músicas que ouvia quando ia nas festas de setembro.
Coloco no job toda minha concentração, ou o quanto consigo concentrar, e termino em poucos minutos. Nem deu tempo do Valdir voltar ainda. Desligo tudo e encerro o expediente. Estou pensando em ir para casa a pé mesmo, pois talvez o Valdir demore. A fila nos bancos é sempre grande em começo de mês.
Entro no elevador e aproveito para dar uma olhada no celular. Sinto saudades da Heloísa. Ela nem mesmo recebe minhas mensagens. Saiu de todos os grupos e deve ter trocado de número. Ou me bloqueado permanentemente. Diabo desgraçado! Não vai me abalar! Está amarrado, e ainda que uma alma se perca, vou ganhar um milhão, para glória de Deus, e para sua humilhação!
Bato o cartão. Ouço tiros. Ouço gritos de pessoas. Ouço os telefones. Corro para a porta de vidro. Até deixo de pegar minha bolsa no armário.
Um tumulto em frente ao banco. Aproximo-me com curiosidade. Chego à vítima e fico em choque. E me ajoelho com lágrimas. Meu Deus! Meu Deus!
Todo o sangue saindo da cabeça me deixa um pouco zonza, mas não consigo desviar o olho. Ao lado dele há um buquê, e alguns metros depois sua carteira. Vazia. Logo chega uma ambulância e leva Valdir para o hospital.
Meu Deus! Ele precisa ficar bem! Não deixe ele morrer!
*
A única opção que me resta é voltar para casa. A pé, pensando. O Valdir vai sobreviver, eu determino em nome do Senhor Jesus. Mas e se ele não sobreviver? Meu primeiro namoro, meu primeiro emprego... Ah, e quem vai comandar a empresa? Os sócios dele são todos incrédulos. Não, isso não vai acontecer, pois o Valdir vai sobreviver. Vai sim... Snif!
Abro a porta de casa e não cumprimento minha mãe. Ela me dá um abraço e parece saber de tudo. Derramo lágrimas em seu ombro antes de contar tudo.
*
Está chegando minha hora marcada para fazer o cabelo. Agora não terei mais encontro, então para quê fazer o cabelo? E o vestido lindo que comprei para hoje, o que faço com ele? Ninguém dá notícias, nem me retornam lá do hospital. Por isso engulo o choro e vou ao salão, pois ainda que hoje não dê, amanhã vai dar certo nosso encontro, quando Valdir tiver alta.
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Quantas voltas
Ficción GeneralO preconceito começa dentro de casa, quando nem a mãe acredita que Ariana possa ser grande. Após se mudar para uma cidade maior em busca de novas oportunidades, conhece a fé no mesmo grupo de Arnaldo, o jovem mais bonito de sua igreja, mas também o...
