Ficando em pé com dificuldade, estendi a mão para o chão na direção de Mortalha. A espada tremeu e veio até mim.
Estava andando de encontro a Uriel, mas quando me dei conta ele não estava mais na minha frente.
— Lucas – Diana gritou
– atrás de você!
Logo em seguida o demônio que a segurava, puxou seu cabelo com força a fazendo grunhir de dor.
Olhei para trás, me forçando a não correr para ajudar Diana, a tempo de ver Uriel correndo na minha direção. A raiva que eu tinha de meu irmão, misturada com a vontade de ver Diana a salvo pareceu me conectar com a última fração que havia sobrado do meu poder angelical. Pisquei os olhos que depois de abertos revelaram seu brilho azul celeste.
Uriel investiu com a lança, porém eu segurei seu ataque com toda força de anjo que havia me sobrado. A dor de fazer esforço com meu braço ainda quebrado veio à tona, mas eu não podia ceder. Não naquele momento.
Em um movimento rápido, cortei a garganta de meu irmão tão violentamente que Uriel largou a lança e levou as mãos ao pescoço no mesmo momento. As mãos dele ganharam um brilho branco mas logo o perderam. Os anjos tem um único problema com o poder de cura, ele só funciona se o anjo em questão estiver fora de combate e infelizmente para Uriel, esse não era o caso.
Meu irmão caiu de joelhos na grama, enquanto sangue dourado escorria de seu pescoço por entre seus dedos. Não era da minha política bater em homens derrotados, mas Uriel merecia. Juntei a força que ainda tinha e dei a cotovelada mais satisfatória da minha vida em meu irmão. Foi forte o suficiente o fazer ficar estirado no gramado.
Eu estava ensanguentado e com dores em lugares que eu nem sabia que doíam, mas mesmo assim empenhei Mortalha mais uma vez e a fiz atravessar o abdômen do meu irmão o prendendo a terra. Uriel gritou de dor, enquanto engasgava com o próprio sangue.
Meus olhos ainda brilhavam, a raiva ainda rugia pelas minhas veias. Eu estava tomando pelo ódio e mataria qualquer um que ousasse tocar em Diana mais uma vez. Olhei por cima do ombro para o demônio que segurava Diana, e ele entendeu o recado. A soltou na mesma hora.
Diana sorriu e eu comecei a correr na direção dela, estava louco para abraça-la, pedir desculpas...
Mas antes de eu sequer conseguir chegar meio metro perto dela, sinto uma lâmina pontiaguda atravessar minhas costas. Uriel tinha atirado a lança uma última vez com uma precisão impressionante para quem estava quase morto.
Ouvi a risada de Uriel baixa e sufocada atrás de mim.
Olhei para baixo, conseguia ver a ponta da lança saindo pela minha barriga.
— Lucas! – Consegui ouvir Diana gritar.
Cai de joelhos na terra não acreditando na minha negligência de dar as costas para um oponente mesmo que caído.
Levei a mão ao ferimento instintivamente olhando Diana correr na minha direção. O brilho dos meus olhos tinha enfim sumido junto com a força sobre-humana que eu havia adquirido.
Diana se ajoelhou ao meu lado, e chorando e colocou a mão no meu rosto.
— Não, não, não! Isso não está acontecendo.
— Você precisa r-remover a lança.
— Eu não consigo fazer isso. Não da!
— Diana p-por favor...
Ela assentiu com a mão sobre a boca tentando esconder o desespero. Senti a lâmina da lança sair das minhas costas e sangue fluir no lugar.
Meu corpo pendeu para frente mas Diana me segurou em seus braços e deitou minha cabeça no colo dela.
— I-irônico, não é? – Tossi meu próprio sangue.
— O que? – Ela sorriu por entre as lágrimas.
— Estamos exatamente do jeito que começamos. – A pronuncia do J saiu arrastada. — Diana eu...
— Não ouse terminar essa frase. Você não pode ir.
— Mas nós dois sabemos o que vai acontecer em seguida.
— Não! Você não pode ir, Lucas. Não pode.
— E-eu não tenho escolha...
— Quem vai me impedir de ser atropelada? Para quem vou fazer minhas panquecas? – Diana desabou no choro.
— N-não quero que você chore – tossi meu sangue mais uma vez – Diana eu....
Eu te amo, eu queria dizer mas não tinha forças para terminar a frase.
Ouvi um trovão ao fundo e a chuva forte começou a cair diluindo o sangue da minha camiseta branca.
Olhei Diana por uma última vez e fechei meus olhos.
— Não, não, não! Fica comigo, Lucas. – Ela encostou a testa dela na minha e abaixou o tom de voz. – Não me deixa não, anjinho. Por favor...
Conseguia ouvir os trovões, o barulho da chuva e Diana chorando, porém não conseguia responder. Meu corpo estava mole, cansado e tinha um buraco no meu abdômen do tamanho de uma bola de baseball. Eu estava morrendo.
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Anjo Meu
Fantasy🔹TRILOGIA ANJO MEU - LIVRO I🔹 "[...] ela estava concentradíssima em limpar meu ferimento. Seus olhos castanhos escuros estavam focados e sua expressão mesmo séria, não conseguia esconder a garota alegre e divertida que ela era; seus lábios, os qua...
