LIII - Lar doce lar

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Quando me materializei no centro de São Francisco mais uma vez, temi que o que Lúcifer tinha dito fosse verdade.
Caminhei até Gabriel que estava abaixado ao lado de Diana. Corri até ela e a tomei nos braços.

— Como ela está? – Larguei a cabeça de Lúcifer ao meu lado.

— Ela... está morrendo. – Disse Gabriel com pesar na voz.

— Não, não, não! Você não pode. – Passei as costas da mão suavemente no rosto dela.

Fechei os olhos e coloquei minha mão sob o ferimento. Minha mão ficou com um brilho branco saindo dela mas Diana não pareceu melhorar.

— O que? Não, não, não, não!

Fiz de novo o mesmo movimento. Novamente, sem efeito. Fiz mais uma vez, nada.

— Lucas – Gabriel colocou a mão no meu ombro – eu sinto muito, mas ela está...

— Não, não está! – Lágrimas escorreram pelo meu rosto. – Ela não pode.

Fechei os olhos e dei um beijo na testa dela. Lúcifer estava certo. Eu não consegui salvá-la. Tudo parecia sem sentido, sem cor, sem vida. Não quis continuar vivo em um mundo sem ela e então uma ideia surgiu na minha mente. Uma ideia muito arriscada e com certeza muito imprudente.
Peguei Diana no colo e me levantei do chão. Desembanhei Mortalha e ergui a espada para o céu. Um feixe de luz azul rompeu as nuvens.

— O que você está fazendo? – Perguntou Gabriel alarmado.

— A fonte. – Disse embainhando Mortalha mais uma vez. – A fonte de Josué. Ela tem poderes curativos fortes o suficiente para salvá-la.

— Não pode levá-la! Ela é humana. Lucas, se um anjo levar um humano para o céu, o anjo absorve todos os pecados do humano e pode se corromper e virar um demônio. E além disso, humanos não tem permissão para entrarem em solo celeste.

— É o único jeito. Não vou deixá-la morrer! – O desespero na minha voz era visível.

— Eu sinto muito, mas eu não posso deixá-lo fazer isso. Eu, como seu superior, te proíbo de levá-la ao Céu.

— Me impeça. – Olhei por cima do ombro para Gabriel.

— Lucas, essa é uma ordem direta. Não leve a humana para território celestial!

— E desde de quando eu sigo ordens, Gabriel?

Abri as asas e voei na direção do feixe de luz azul. Quando estava próximo as nuves, sumi no ar e me materializei no Céu. Eu deveria estar feliz de estar finalmente em casa, mas eu estava desesperado. Anjos aos montes me olhavam horrorizados com o que estavam vendo. Uma humana em território celeste. Passei por Miguel que me olhava perplexo demais para me impedir de fazer alguma coisa.
O Céu era um lugar lindo. O chão era feito de nuvens tão branquinhas que pareciam bolas de algodão. Ao longe, se estendia uma construção feita de pedras cinzas que lembrava muito um castelo. As árvores e flores – pelas quais meu pai era apaixonado – se estendiam por toda a extensão do chão. Tudo era muito delicado e cada detalhe enriquecia ainda mais a beleza do lugar.
Diana adoraria aquele lugar. As diversas espécies de flores e as árvores com copas coloridas era a cara dela, mas infelizmente ela não podia vê-las porque estava morta e por minha causa.

Anjo MeuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora