Nos materializamos na sala da casa que eu já estava acostumado a chamar de minha. Foi doloroso olhar a casa e pensar que eu nunca mais a olharia outra vez.
Coloquei Diana no chão cuidadosamente e a olhei. Não queria deixá-la.
— Está entregue, mocinha. Não faça outra coisa estúpida. – Sorri, embora estivesse falando sério.
— São lindas! – Diana havia me ignorado completamente.
Olhei por cima do ombro e tive um pequeno vislumbre das minhas asas. Alterei o peso do meu corpo de um pé para o outro e me remexi pouco a vontade. Não sabia lidar muito bem com elogios
— Ah, obrigado.
— Então... você tem o que queria. Sua punição acabou, você pode finalmente voltar para casa. – Diana não parecia feliz.
— Enquanto a isso, Diana, olhe eu...
— Estou feliz por você. De verdade. Eles são sua família. Tudo bem que vocês tentam se matar com frequência mas que família não briga? Só sinto que eu tenha que deixar você ir.
— Era disso que eu estava falando. Não quero deixá-la. Não quero voltar.
— Mas precisa. – Disse ela com lágrimas nos olhos. – Você precisa me deixar, precisa... – ela pressionou os lábios um no outro e virou o rosto – você precisa ir embora.
Não hesitei. Andei na direção dela e a envolvi em meus braços. Foi o suficiente para ela desabar no choro. Eu estava prestes a falar algo para Diana quando a voz de Miguel soou na minha cabeça. E ai está, uma das coisas que eu não senti falta quando fui derrubado em combate: a Conexão Celeste ou Conexão Angelical.
“Deus quer que você faça o relatório da missão a ele.
Eu sei disso, respondi.
Pessoalmente.
Eu sei.
E é para você vir logo. Segundo nosso pai, você está demorando demais.
Quer por favor calar a boca?
Eu adoraria não me dirigir a você, mas sou obrigado a fazer isso.
Vá para o inferno, Miguel.”
E desfiz a Conexão.
Segurei o rosto de Diana suavemente a fiz olhar para mim.
— Quer dar uma volta?
***
Levei Diana até o outro lado da Ponte Golden Gate, ao Monte Tam. A cidade era ainda mais linda de noite. Todas as luzes acesas e o mar refletindo a luz da lua, faziam São Francisco parecer um pedacinho do paraíso. A vista seria ainda mais bonita se a Golden Gate não estivesse partida ao meio.
— Culpa sua?
Ela apontou na direção da ponte. Diana havia parado de chorar mas seus olhos ainda estavam um pouco vermelhos.
— Pode-se dizer que sim.
Um silêncio cortante tomou conta do lugar. Só se ouvia o barulho do mar quebrando nas arrebentações.
— Não queria que tivesse sido assim...
— Preferia não ter me conhecido?
— O que? É claro que não. Não foi isso que eu quis dizer. Eu não queria ter que voltar.
— Então não voltei.
— Não é simples assim, Diana. Não posso simplesmente ficar aqui.
— Então é isso? Está desistindo?
— Não estou desistindo.
— Está sim! – Gritou.
— Diana...
Andei na direção dela, mas ela hesitou andando dois passos para trás, se afastando de mim.
— Me desculpe eu só... – disse ela com a voz trêmula – pode me levar para casa?
Não, eu queria dizer. Vamos conversar, temos que resolver isso. Mas só pioraria a situação. Ela já estava abalada demais e eu não queria piorar isso. Relutante, levei Diana para casa e voltei para o Céu. Era hora da reunião de família.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Anjo Meu
Fantasy🔹TRILOGIA ANJO MEU - LIVRO I🔹 "[...] ela estava concentradíssima em limpar meu ferimento. Seus olhos castanhos escuros estavam focados e sua expressão mesmo séria, não conseguia esconder a garota alegre e divertida que ela era; seus lábios, os qua...
