A Chave tinha sido supostamente encontrada e isso não era bom. Significava problemas e um encontro previsto porém indesejado com Lúcifer.
Diana demonstrava preocupação mas não com o fato de termos uma pista da Chave, parecia ser outra coisa.
— Cadê o Dyllan?
— No vizinho, porque?
— Não é bom ele ficar andando sozinho. Raquel?
— Sim?
— Você pode ir chamar o garoto?
— Sim senhor.
Raquel sumiu deixando apenas uma poeira dourada onde ela estava segundos antes.
— O que você tem? – Dei alguns passos na direção de Diana.
— A missão está quase no fim, e isso é bom porque você vai poder finalmente voltar para casa. Mas e se der errado? E se você...
Os olhos dela se encheram de lágrimas, e antes de Diana perceber, uma delas caiu pela sua bochecha. Não hesitei. Abracei Diana contra o meu peito, sentido a respiração quente e desregulada dela transpassar minha camiseta.
— Vai ficar tudo bem, ok?
— Como pode ter certeza disso? – Ela levantou a cabeça um pouco e olhou para mim.
— Porque eu sou seu anjo da guarda. Não posso exercer minha função se eu morrer. – Sorri. – Vai ficar tudo bem.
Encostei a cabeça de Diana novamente no meu peito e dei um beijo em sua testa.
— Espera um minuto – sorri – está triste porque vou voltar para o Céu?
Ainda encostada contra o meu peito, Diana começou a rir. Ela levantou a cabeça e com um sorriso nos lábios disse:
— É, eu estou sim. Vou sentir sua falta.
— Coragem sua. – Sorri.
— Você... vai sentir a minha?
— Vou. E muito. Por isso não quero voltar.
Eu havia soltado a bomba. Ela ainda sorria mas me olhava em silêncio. Ela sabia que eu tinha mais coisas a dizer e estava esperando eu as dizer.
— Eu não quero mais voltar, Diana. Lá não é o meu lugar, não mais.
— Onde é o seu lugar então?
— Aqui.
Subi uma das minhas mãos da sua cintura, até o rosto dela. Assim que meu polegar encostou na sua bochecha, enxugando uma lágrima, Diana fechou brevemente os olhos e os abrindo logo em seguida com seu olhar fixo no meu.
— Aqui? – Disse ela lentamente. – A Terra não é lugar para anjos.
— Não estou falando da Terra. Estou falando de você. Meu lugar é aqui com você.
— Eu não quero que você vá.
— E eu não quero ir.
Puxei Diana para mais perto e comecei a me aproximar ainda mais da boca dela. Nossas respirações já se confundiam quando ela fechou os olhos e esperou o beijo que nunca veio.
Ouvi o barulho da porta sendo aberta e passos logo em seguida. Diana abriu os olhos sem entender porque eu não a tinha a beijado, mas logo em seguida ela olhou para a porta e xingou algo. Olhei nos olhos dela mais uma vez e relutante, me separei de Diana.
— Quem é ela?
— Se chama Raquel. Longa história, maninho.
— Consegue fazer o salto, Major?
— Não senhor. O objeto está longe demais.
— Senhor? – Perguntou Dyllan.
— Vamos ter que ir de carro. Você vem?
— Não General. Tenho que voltar.
— General? – Perguntou Dyllan novamente.
— Uma perguntinha antes de você voltar, está em que Museu de los Angeles?
— Em um museu chamado Getty Center.
— Eu sei onde fica. – Disse Diana. – Dyllan, pega a mochila. Vamos para Los Angeles.
— Ta, eu pego. Mas porque diabos ela estava chamando ele de senhor?
— Porque ele é um oficial do...
— Exercito. Mas no momento estou de licença médica.
— Você não era estudante de arqueologia?
— Ele faz isso nas horas vagas. Dyllan, a mochila. Agora!
— Tudo bem, tudo bem... já estou indo. Mas ele é estranho.
Assim que Dyllan foi para o quarto de Diana, Raquel assentiu para mim e sumiu deixando apenas o seu brilho dourado como o único indício de que ela esteve aqui.
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Anjo Meu
Fantasia🔹TRILOGIA ANJO MEU - LIVRO I🔹 "[...] ela estava concentradíssima em limpar meu ferimento. Seus olhos castanhos escuros estavam focados e sua expressão mesmo séria, não conseguia esconder a garota alegre e divertida que ela era; seus lábios, os qua...
