XXXI - Eu sou seu anjo da guarda

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A Chave tinha sido supostamente encontrada e isso não era bom. Significava problemas e um encontro previsto porém indesejado com Lúcifer.
Diana demonstrava preocupação mas não com o fato de termos uma pista da Chave, parecia ser outra coisa.

— Cadê o Dyllan?

— No vizinho, porque?

— Não é bom ele ficar andando sozinho. Raquel?

— Sim?

— Você pode ir chamar o garoto?

— Sim senhor.

Raquel sumiu deixando apenas uma poeira dourada onde ela estava segundos antes.

— O que você tem? – Dei alguns passos na direção de Diana.

— A missão está quase no fim, e isso é bom porque você vai poder finalmente voltar para casa. Mas e se der errado? E se você...

Os olhos dela se encheram de lágrimas, e antes de Diana perceber, uma delas caiu pela sua bochecha. Não hesitei. Abracei Diana contra o meu peito, sentido a respiração quente e desregulada dela transpassar minha camiseta.

— Vai ficar tudo bem, ok?

— Como pode ter certeza disso? – Ela levantou a cabeça um pouco e olhou para mim.

— Porque eu sou seu anjo da guarda. Não posso exercer minha função se eu morrer. – Sorri. – Vai ficar tudo bem.

Encostei a cabeça de Diana novamente no meu peito e dei um beijo em sua testa.

— Espera um minuto – sorri – está triste porque vou voltar para o Céu?

Ainda encostada contra o meu peito, Diana começou a rir. Ela levantou a cabeça e com um sorriso nos lábios disse:

— É, eu estou sim. Vou sentir sua falta.

— Coragem sua. – Sorri.

— Você... vai sentir a minha?

— Vou. E muito. Por isso não quero voltar.

Eu havia soltado a bomba. Ela ainda sorria mas me olhava em silêncio. Ela sabia que eu tinha mais coisas a dizer e estava esperando eu as dizer.

— Eu não quero mais voltar, Diana. Lá não é o meu lugar, não mais.

— Onde é o seu lugar então?

— Aqui.

Subi uma das minhas mãos da sua cintura, até o rosto dela. Assim que meu polegar encostou na sua bochecha, enxugando uma lágrima, Diana fechou brevemente os olhos e os abrindo logo em seguida com seu olhar fixo no meu.

— Aqui? – Disse ela lentamente. – A Terra não é lugar para anjos.

— Não estou falando da Terra. Estou falando de você. Meu lugar é aqui com você.

— Eu não quero que você vá.

— E eu não quero ir.

Puxei Diana para mais perto e comecei a me aproximar ainda mais da boca dela. Nossas respirações já se confundiam quando ela fechou os olhos e esperou o beijo que nunca veio.
Ouvi o barulho da porta sendo aberta e passos logo em seguida. Diana abriu os olhos sem entender porque eu não a tinha a beijado, mas logo em seguida ela olhou para a porta e xingou algo. Olhei nos olhos dela mais uma vez e relutante, me separei de Diana.

— Quem é ela?

— Se chama Raquel. Longa história, maninho.

— Consegue fazer o salto, Major?

— Não senhor. O objeto está longe demais.

— Senhor? – Perguntou Dyllan.

— Vamos ter que ir de carro. Você vem?

— Não General. Tenho que voltar.

— General? – Perguntou Dyllan novamente.

— Uma perguntinha antes de você voltar, está em que Museu de los Angeles?

— Em um museu chamado Getty Center.

— Eu sei onde fica. – Disse Diana. – Dyllan, pega a mochila.  Vamos para Los Angeles.

— Ta, eu pego. Mas porque diabos ela estava chamando ele de senhor?

— Porque ele é um oficial do...

— Exercito. Mas no momento estou de licença médica.

— Você não era estudante de arqueologia?

— Ele faz isso nas horas vagas. Dyllan, a mochila. Agora!

— Tudo bem, tudo bem... já estou indo. Mas ele é estranho.

Assim que Dyllan foi para o quarto de Diana, Raquel assentiu para mim e sumiu deixando apenas o seu brilho dourado como o único indício de que ela esteve aqui.

Anjo MeuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora