É possível uma pessoa vencer diante de obstáculos, como um transtorno de personalidade, causado por maus-tratos na infância? É possível alguém suportar uma grande dor e decepção? Isadora conta sua trajetória desde sua mais tenra infância. Por favo...
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E na hora de saber o sexo, foi possível ver que era um menino. Foi um drama escolher o nome. Só tínhamos nomes para menina. Eu queria um nome diferente. Italiano. Bem pensado. Escolhemos Giuseppe.
O médico marcou o dia do parto: dezoito de outubro de 1999. Eu estava com trinta e um anos. Faria mesmo uma cesariana. E eu morrendo de medo de amamentar e correr o mesmo perigo.
Mas o médico foi paciente. Ensinou a tomar sol nos seios, a massagear o peito no banho e qual remédio passar em caso de necessidade. Todos estavam na expectativa de um novo bebê na família. Meu irmão tinha uma menina. Eu já tinha um menino. Agora viria mais um garotão para compor o time.
Por falar em irmão, vou retroceder um pouco na história, para esclarecer um fato muito importante. Meu irmão mais velho dos homens, pois eu era a mais velha de todos, ajudava meus pais e meu irmão mais novo em tudo. Na realidade, sustentava-os. Mas, começou a passar dificuldades financeiras e um dia chamou a mim e ao Davi para irmos à sua casa, para conversarmos sobre esse assunto.
____ Isadora, você sabe que eu sustento o pai e a mãe. Mas agora as coisas estão muito difíceis. Tenho a minha família também. Eu sei que você também tem a sua, mas estou precisando de um tempo para me reerguer financeiramente. ____ falou taciturno.
____ Você está precisando que nós o ajudemos? ____ interroguei-o.
____ Não. Para ser bem sincero, eu preciso que vocês sustentem o pai e a mãe, além do nosso irmão mais novo, que é maior de idade, mas não trabalha. Porém, é jovem ainda. Tem muito o que aprender ____ respondeu-me firmemente, de uma forma que não deixava dúvidas.
____ Bem, não esperávamos por essa. Nós já temos os nossos compromissos. Vamos ter que nos ajustar. ____ O Davi falou chateado.
Concordei tacitamente. Não havia o que fazer. Saímos preocupados, pois já tínhamos nossas dívidas. Fiquei pensando tristemente que minha mãe mal falava comigo e quando falava era para me insultar e me tratar mal. Ela achava mil motivos para me desaforar. Eu ouvia tudo calada. E quando eu estava deprimida, ela desdenhava, dizendo que eu não tinha força de vontade.
Pois bem, decidimos que não daríamos dinheiro para eles, mas que faríamos compras no supermercado, suprindo-os todo o mês. Comprávamos de tudo, desde comida até materiais de limpeza e afins.
Quando começamos a realizar essas ações, foi como se acontecesse um milagre: minha mãe começou a me tratar bem. Passou a falar de um jeito carinhoso. Não sei se acordou pelo que estivera fazendo e vendo minha atitude, mudou seu proceder anterior, ou se era por interesse.
Voltando ao presente, ela até fez um moisés para o Giuseppe azul claro, todo enfeitado de babados. Ficou coisa mais linda.
Enfim chegou o dia tão esperado para ir ao hospital. Tomei banho e coloquei uma bata jeans bordada. Pegamos a malinha de bebê dele, com um enxoval dentro completo para atendê-lo, enquanto estivéssemos no hospital.
A cirurgia foi às sete e meia da manhã. Passei um pouco mal e tiveram que colocar oxigênio para eu respirar normalmente. O Davi e o Guilherme estavam lá na expectativa de ver o bebê.
Quando o tiraram, ele chorou normalmente e me mostraram. Ele era perfeito. Nasceu branquinho e sem sofrimento. Fiquei mais calma, enquanto terminavam a cirurgia.
Depois que fui para o apartamento, pois era uma clínica chique e tinha uma enfermeira só para nós, eles me levaram o Giuseppe para eu vê-lo e amamentá-lo. Todo arrumadinho. Uma fofura. Nasceu com cinquenta centímetros e quase quatro quilos. Isso porque nasceu antes do esperado, dali a dez dias, pois se fôssemos esperar, ele nasceria mais gordinho.
Deram-me o bebê para eu amamentar. Eu tinha leite o suficiente e consegui amamentá-lo. Que sensação deliciosa poder amamentar o filho! Sentir o cheirinho dele. Olhar para o rostinho. Não tem preço. E o filho se aproxima muito mais da mãe dessa forma.
Depois de alimentado, colocaram-no em um bercinho. O Guilherme e o Davi não paravam de olhá-lo. Estavam em êxtase. Depois , chegou minha mãe, louca de alegria pelo novo neto. Uma coisa ela tinha de bom. Era maluca pelos netos. Ela o trocou e cuidou dele, para me ajudar.
E começaram as visitas. Todos se encantavam com ele. Era muito cabeludo. E o cabelo arrepiado. Ou seja, ficaria encaracolado. Eu o achei muito parecido com meu pai, que era um homem bonito; enquanto o Guilherme tinha os meus olhos grandes, mas era parecido com o pai.
Transbordávamos de alegria com esse nascimento. Ele ganhou muitos presentes, além dos que já havia ganhado no chá de bebê, que eu fiz com as amigas.
Eu estava muito feliz, apesar do cansaço normal nessa fase.
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