HARD TO SAY ( Difícil dizer) como diz a música da banda Chicago. Difícil explicar para alguém o que aconteceu comigo em abril de 2009, dez anos atrás.
E a psicóloga continuava esperando que eu respondesse à pergunta:
____ Isadora, como você foi parar em Dubai? ____ interrogou de maneira firme.
Eu simplesmente olhei ao redor. Em frente a ela as duas poltronas cinzas, com almofadas vinho. Em um canto, uma mesinha com brinquedos para trabalhar com crianças. À esquerda, um balcão com gavetas, onde ela guardava os prontuários. Sei. Não precisam me dizer que estou enrolando. Vai ser a parte mais dificil a ser contada.
____ Eu fiz um empréstimo no meu banco, na época, em torno de uns doze mil reais, sem ninguém saber. Fiz um visto, reservei o hotel num bairro em Dubai, chamado Deira, onde não era tão caro. Comprei as passagens de ida e de volta. Tomei todas as providências para a viagem, como o passaporte e tudo o mais. Então, falei para toda a família que iria para os Emirados Árabes Unidos, mas que me hospedaria em um hotel em Dubai.
Planejei também ficar em São Paulo por uma semana, na casa de uma amiga. Compraria os dólares em São Paulo e passearia pela cidade, durante esse período, pois não a conhecia. Amava andar de metrô e poderia aproveitar bem a oportunidade.
Depois de largada essa bomba, minha mãe ficou uma fera comigo. Meu marido ficou doido de preocupação.
O Davi tinha um curso na capital e teve que viajar no dia da minha viagem, devido a isso. Então, no dia da minha viagem, deixei as crianças com a empregada e pedi ao meu irmão que me levasse à rodoviária. Embarquei no ônibus, ouvindo minha mãe me maldizer. Nem se dando conta que, no fundo, ela era totalmente culpada pelo que estava acontecendo comigo.
Viajei durante a noite. E passei a noite inteira maquinando como me livraria do Davi, porque, na minha cabeça, ele estava roubando o meu salário, pois o meu dinheiro estava sumindo.
Mirabolei também um plano de como eu faria para me casar com um sheik. Congratulei-me pela excelente solução "lógica" à qual eu havia chegado.
Quando cheguei na rodoviária em São Paulo, minha amiga me encontrou e me levou à sua casa. Um apartamento muito legal num bairro ótimo. Entrei pela porta do apartamento e analisei o local: um corredor levava diretamente à sala de estar, mas passava pela porta da cozinha, que não era grande, mas era confortável, com lavanderia conjugada. Havia três quartos: a suíte do casal, que não tinha filhos, um quarto de visitas e um quarto que fora transformado em um escritório.
Ela me instalou no quarto de visitas, que consistia numa cama de solteiro, encostada à parede com janela, um armário, uma escrivaninha no lado oposto à cama e um criado. Senti-me à vontade na casa deles, apesar do marido dela ser cheio de não-me-toques. Eu não estava nem aí. Para mim, o único objetivo era usar essa viagem para "resolver" minha vida pessoal e, talvez, a financeira.
No dia seguinte, eles foram trabalhar e fiquei no apartamento descansando. Pus um biquíni e fui para a piscina do prédio. Nadei, mas a água estava gelada, então aproveitei para tomar sol.
Eu estava com um corpo esbelto com bum bum e peitos em cima do pedido, vestia um M. Tinha feito lipoaspiração e retirado todas as gordurinhas indesejáveis. Estava com quarenta anos, mas com uma aparência de trinta. Apostando nisso, eu tinha certeza que encontraria meu sheik maravilhoso. Tinha lido muito a respeito da vida deles.
Enquanto estava em São Paulo, aproveitei bem a cidade. Passeei na Avenida Paulista, fui à Rua 25 de Março, ao Mercado Municipal e às lojas do Bom Retiro. Aproveitei para comer o famoso sanduíche de mortadela no Mercado Municipal. Encantei-me com tudo. Comprei roupas lindas e baratas. Conheci parques e aproveitei para andar de metrô. Fuque uma semana na capital paulista.
Outra coisa que eu fiz de interessante foi: ir a um spa. Trataram-me feito rainha, com direito a massagem com óleos por todo o corpo por mais ou menos uma hora e, depois, banho de ofurô. Saí de lá renovada. Fui a um pequeno shopping e pedi uma escova no meu cabelo. Alisaram muito bem. Ficou perfeito para a viagem. No caminho, um menininho me vendeu rosas na cor champanhe, enquanto o táxi parava num semáforo. Comprei e levei para minha amiga, agradecendo a hospitalidade.
Quando chegou o dia do meu voo, fui a Guarulhos, fiz o check in, despachei as malas e aguardei no saguão. Quando deu o horário, embarquei e tentei relaxar ao máximo, mas como eu não dormia, fui para os fundos do avião, a fim de conversar com os comissários de bordo, que estavam ocupados servindo a todos, mas assim mesmo davam- me atenção.
Fiquei extasiada de ver lá de cima o deserto do Saara, as florestas africanas. Como eram áreas muito grandes, deu para ter uma ideia de que local estávamos sobrevoando e também com informações privilegiadas que obtive dos comissários. O comandante da aeronave também avisou que teve que mudar de rota, devido a turbulências no caminho rotineito. Estava viajando com a companhia Emirates Airlines. Uma companhia rica, que oferece tudo que há de melhor para os passageiros.
Parecia tudo dentro da normalidade. Uma viagem como outra qualquer. Mas, as aparências enganam. Eu estava completamente surtada, achando que iria viver um conto de fadas, ou uma história da cinderela moderna.
***********
Não fiquem tristes. Estou meio doentinha. Devido à tontura e à dor de cabeça, vou ter que adiar o restante da viagem a Dubai para amanhã.
Por favor, não esqueçam os votinhos e amo seus comentários. Digam-me o que estão pensando. Isso me fará muito feliz.
Beijo enorme. Amo vocês.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Isadora
SachbücherÉ possível uma pessoa vencer diante de obstáculos, como um transtorno de personalidade, causado por maus-tratos na infância? É possível alguém suportar uma grande dor e decepção? Isadora conta sua trajetória desde sua mais tenra infância. Por favo...
