Capítulo Vinte e Três - Segunda Parte

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Durante parte do ano de 2001, o Takeshi trabalhou comigo; porém, a minha quedinha por ele estava ficando séria. Quando eu saía, deixava-o como meu substituto, na supervisão do setor. E fazia o que eu podia para ajudá-lo. O problema é que meu humor mudou de novo. De depressiva, eu passei para eufórica. E ficava parecendo uma boba perto dele: rindo e fazendo palhaçada...

Um dia, passei numa loja de artesanatos feitos em pedra e amei as esculturas, jogos e uma infinidade de coisas lindas. Imediatamente, pensei em dar um presente. E para quem? Para ele, claro! Aí pensei: "Se eu der presente só para ele, vai dar muito na cara". Então, resolvi dar para mais dois que estavam trabalhando comigo. Enfim, três pessoas. Comprei para a colega, uma escultura pequena; para outro colega, um jogo de dominó feito de pedra-sabão. E para o Takeshi, um aparador de livros em forma de globos de pedra-sabão.

Quando cheguei no trabalho, entreguei os presentes. Ela, a colega, ficou meio desconfiada. Mas os homens amaram. O Takeshi ficou tão feliz que não parava de beijar meu rosto. Ficou numa alegria, que eu nem imaginava. Nem preciso dizer que minha quedinha por ele aumentou. E aumentava cada dia mais.

Mas, esse não foi meu único problema naquele ano. O Guilherme apresentou problema na escola de não aprendizagem. Fui a uma reunião com a professora e a pedagoga. A professora estava muito nervosa e dizendo que ele deveria ser maltratado em casa para estar com problemas de aprendizagem. Talvez ela estivesse com medo que eu a culpasse por ele não estar aprendendo. Eu não a culpei em nenhum momento. Agi com elegância, como diz uma amiga minha. Pelo contrário, comprometi-me com a escola que eu o levaria a uma psicopedagoga.

Levei-o. A psicopedagoga levou uns dois meses, ou mais, para avaliá-lo. Ela o deixava no meio de um monte de brinquedo e ia conversando com ele. Outras vezes, ela o avaliava com exercícios escolares. No final da análise, ela chegou à conclusão que ele tinha um ano e meio de atraso na parte cognitiva. Então, se ele estava com sete anos, a idade mental dele era de cinco anos e meio. Ela sugeriu que a escola o reprovasse, para que ele pudesse acompanhar a próxima turma.

O Guilherme, nessa fase, ainda tinha outra dificuldade: muito ciúme do irmão. Era perigoso até, porque ele batia no Giuseppe e era muito irritado. Não tinha controle das suas emoções. Nós o levamos a dois neurologistas. Não chegaram a nenhum diagnóstico. Somente diziam que ele não tinha nada. Levei-o a outro médico, um terceiro, que deu um remédio para agilizar o cérebro dele, chamado Ritalina, que melhora a atenção e a concentração, além de reduzir comportamento impulsivo. A Ritalina também alivia a sonolência diurna excessiva. Além disso, foi feito uma tratamento natural para ele, com remédios homeopáticos.

E no meio de tudo isso, eu fui consultar novamente com o meu neurologista e ele me informou que não poderia fazer mais nada por mim. Que eu deveria procurar um psiquiatra e deu uma indicação. Fiquei indignada. Não achava que precisava de tratamento psiquiátrico. Por fim, ele me convenceu que eu deveria fazer uma visitinha ao dr. Willy.

O psiquiatra era um senhorzinho muito simpático e meio maluco, mas eu gostei dele. Forneceu-me muita explicação sobre como funcionam os neurônios e os neurotransmissores principais do cérebro (a noradrenalina, a dopamina e a serotonina), todos responsáveis pela nossa felicidade. Ele me receitou um medicamento, que explicou ser um estabilizador de humor, ou seja, com ele, veio outro diagnóstico...

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