Quando, em certa ocasião, ocorreu a inauguração de um novo departamento, eu tive que, novamente, organizar todo o evento. O fato é que eu gostava dessa parte das minhas tarefas. Os eventos eram por minha conta. E isso me satisfazia.
No dia marcado, estávamos todos chiques. Os homens de terno e gravata. As mulheres bem arrumadas, de roupa social. Eu estava com um terninho bege muito bonito, que paguei o olho da cara, pois estava na fase de gastar o que não poderia.
Depois do evento, fomos todos a um restaurante chique para comemorarmos. Nessa ocasião, pudemos levar nossa família. Sentamos a uma mesa com vários outros colegas. O Takeshi sentou-se em outra mesa com amigos e... a namorada. Eu estava muito eufórica, maníaca, com certeza. Jantamos e eu fui até a mesa dele, dar em cima dele, na frente de todos. Ele era todo sorrisos. Ainda bem que não levei uns tapas. Todos eram muito civilizados. Entretanto, a namorada ficou muito desconfiada. O Davi não percebeu. Achou que eu simplesmente estava rindo para as pessoas na mesa.
O evento e as festanças passaram e voltamos à nossa rotina. Depois de um bom tempo, descobri que o Takeshi havia terminado o namoro. Aí, começou outra saga. Um colega nosso, que era ex cunhado dele começou a me cuidar para ver se nos encontrávamos na empresa. Toda a família ficou desconfiada que fosse por minha causa o fim do namoro deles de cinco anos.
Ainda bem que sempre que o colega ia no meu departamento, o Takeshi não estava. Mas, ele continuava indo lá, sempre que podia.
No meio desse rolo todo, eu resolvi fazer plástica no corpo: tirar a barriga esticada pelas gestações e diminuir as mamas. Tirei férias para fazer isso. Ocorreu tudo bem na cirurgia, mas o pós-operatório é bem sofrido. Durante quinze dias tinha que dormir dobrada, porque não era possível esticar a barriga, pois os médicos tiram muita pele. As mamas doem, porque elas ficam mudadas pelos cortes radicais, a fim de reduzi-las, como foi o meu caso.
Depois que voltei a trabalhar, eu usava uma cinta protetora, de espessura larga. Então, não dava para ver o quanto eu tinha diminuído, porque eu a usava por baixo da roupa. Todavia, quando eu pude usar roupa normal, fiquei me sentindo a top model. Desfilando para cá e para lá sem barriga e peitos pequenos.
Outro episódio inesquecível foi quando estávamos minha família e eu passeando no lago e passamos pelo Takeshi que estava correndo. Estava atacada aquele dia. Eu disse:
____ Esse eu conheço. ____ e apontei para ele, que imediatamente fez uma cara sinistra, quando nos viu.
E o Davi ficou irritado por eu ter me assanhado.
____ Conhece, é? ____ já demonstrou ciúmes.
Depois, no trabalho, nós no encontramos nas escadas e ele se recusou a me dar beijinhos no rosto. Fiquei sem entender. Então quando ele quase bateu na viga da escada, por ser muito alto, ele disse:
____ Ando enconstando no teto, vai ver são os chifres que eu ando levando. ____ falou com uma aspereza na voz, que não lhe era peculiar.
Não soube o que responder, mas tive certeza que ele também sentia algo por mim e era sim bem ciumento.
O meu problema era: e se eu ficar com ele e não for uma coisa séria da parte dele? E se para ele durar um ano ou cinco anos? Ou ainda, se eu mudar?
Começou a diminuir aquela euforia, então passei a raciocinar que eu não poderia deixar o Davi e investir em algo que talvez, somente talvez, fosse trazer-me dissabores futuros.
Se eu tinha certeza de alguma coisa? Não, absolutamente nada. Estava como que num barco à deriva. Então, depois de quase três anos de joguinhos, ele chegou para mim e disse:
____ Eu mudei. Quero outras coisas para minha vida. ____ não entendi na hora e continuei sorrindo. ____ Não é brincadeira, eu mudei.
Depois eu soube que ele estava saindo com uma garota e, no final do ano, começaram a namorar. Se doeu meu coração? Não. Só partiu meu coração em mil pedaços. Por mais que eu não quisesse assumir, eu não queria que acabasse. Difícil explicar a situação. Impossível traduzir em palavras a sensação tão grande de perda. Mas, pelo bem da minha família, eu precisava encerrar esse capítulo.
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Isadora
NonfiksiÉ possível uma pessoa vencer diante de obstáculos, como um transtorno de personalidade, causado por maus-tratos na infância? É possível alguém suportar uma grande dor e decepção? Isadora conta sua trajetória desde sua mais tenra infância. Por favo...
