Apesar das brigas, eu sentia que havia muito amor e paixão entre nós. No entanto, ficava chateada quando ele ficava longe de mim, deixando-me à noite para fazer cursos após cursos, ou quando ficava jogando sinuca com os amigos até tarde, depois do curso.
Eu era conformada, ficava triste, mas não falava, sempre esperando uma reviravolta da parte dele. Eu não queria mais rupturas. Já havia sofrido muito.
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Cheguei naquele dia em casa, após a aula e minha tia me chamou.
____ Isadora, nós vamos ter que mudar de casa. ____ falou abruptamente. Eu não esperava por essa.
____ Sério? Mas e nós? ____ perguntei aflita.
____ Vocês vão ter que achar uma casa. ___ Fiquei sem chão.
____ Mas, todas as imobiliárias exigem fiador com duas casas. Como vamos conseguir alugar?
____ Vocês vão ter que dar um jeito. Nós não podemos mais ficar nessa casa. Está muito cara. Não vamos renovar o contrato. ____ Achei que ela foi um pouco dura comigo.
Depois disso, fui para a rua. Já estava escuro. Fui a um orelhão e liguei para minha tia Eron, que morava em outra cidade. Ela tentou me consolar, mas eu chorava sem parar. Não sabia como alugar outra casa. Ela sugeriu que eu procurasse um parente dele que morasse na cidade para nos ajudar. Então, resolvi falar com a tia dele, que morava perto da nossa casa. Era tranquilo para ir a pé.
Cheguei lá e, como sempre, fui recebida sem nenhum sorriso. Era o habitual dela. Na minha opinião, uma antipática.
Ela tinha criança pequena e estava cuidando das crianças. Falei para ela sobre o nosso problema. Em vez de primeiramente nos ajudar, ou pensar em uma saída, ela me passou um sermão. Mulher arrogante, que se acha dona da verdade.
Falou sem parar sobre o quanto ela tinha ajudado o Davi e ele não reconhecia. Falou que, antes de casar, ele cortava a grama para ela, além de fazer outros consertos em sua casa. Falou, também, que ele a ajudava com as crianças, que era um sobrinho querido e que agora nada mais fazia por ela. Resumindo, saí da casa dela arrasada e pior, sem uma solução.
Depois de perceber que ninguém nos ajudaria, fomos atrás de um local para locar. Procuramos muito. Achamos, por fim, um apartamento bem pequeno, de um quarto, com una cozinha, lavanderia, sala e um banheiro. O quarto era enorme com sacada e o resto era minúsculo. Ficava na mesma quadra em que morávamos; porém, era localizado numa avenida perpendicular à avenida principal.
Depois de vencida essa dificuldade, tínhamos que controlar os gastos, pois vivíamos com o que eu ganhava, uma vez que o Davi sustentava a família dele. E, à certa altura, tivemos que levar o irmão mais novo dele para viver conosco.
Por volta dessa época, minha avó se aproximou de mim e começou a me levar com ela a reuniões e congressos religiosos. Foi muito bom me aproximar de uma parte da minha família. Embora meus pais tenham se mantido distantes, eu falava com um dos meus irmãos, o mais velho dos três. Não posso dizer que não sentia falta, mas (não me entendam mal) eu não queria aquela família que me maltratava. Queria uma familia normal, que me desse o valor que eu merecia. Mas, isso era exigir demais. Eles se achavam no direito de me manter longe para pagar algum "crime", que na cabeça deles eu havia cometido.
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Isadora
No FicciónÉ possível uma pessoa vencer diante de obstáculos, como um transtorno de personalidade, causado por maus-tratos na infância? É possível alguém suportar uma grande dor e decepção? Isadora conta sua trajetória desde sua mais tenra infância. Por favo...
