Capítulo Trinta e Oito

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Chamei minha amiga Lurdes para sairmos só nós duas. Precisava relaxar. Era final de ano e o Davi teve uma decepção muito grande com alguns "amigos", que o apunhalaram pelas costas e aquilo me afetou grandemente. Queria desabafar.

Costumávamos sair em três, nós duas,
juntamente com a Gládis; mas, naquele dia especificamente, quis sair somente com ela para um happy hour. Horário de verão, muito claro, apesar de já ser mais de dezenove horas.

Avisei-a com antecedência que sairia diretamente do trabalho e iria para sua casa. Cheguei e ela me ofereceu um cálice de vinho do Porto para degustarmos antes de sair. Mas um cálice bem pequeno. Enquanto isso,  aproveitei para desabafar meus problemas. Estávamos só nós duas, pois seu marido havia saído.

Contei a ela confidencialmente todo o ocorrido e ela me contou,  por sua vez, que essas pessoas já a teriam prejudicado também. Fiquei indignada. E papo vai, papo vem, passou a hora. Já eram quase vinte horas e trinta minutos quando resolvemos sair. Ela me perguntou educadamente aonde eu gostaria de ir. Dei umas três opções. Então, ela disse:

____ O que você acha de comermos uma comida chinesa? ____ perguntou-me, dando liberdade para recusa.

____ Claro! ____ concordei imediatamente. Sou louca por comidas étnicas.

____ Então vamos lá.  ____ Eu estava dirigindo. Fomos até o restaurante que não era longe de nossas casas. Éramos vizinhas. Ao chegarmos, ela se encaminhou ao fundo do restaurante, atrás dos biombos chineses. A decoração era toda chinesa e a comida uma delícia. Pensei: "Ela é maluca! Deve estar havendo uma festinha particular lá atrás, porque era possível ver que havia muitas pessoas no local." Entretanto, eu a segui.

Quando cheguei atrás dela, um grupo de pessoas conhecidas gritaram em uníssono:

____ Surpresa!!!

Levei alguns longos segundos para entender o que estava  acontecendo. Era uma festa para mim. Comecei a  chorar, reconhecendo tantos amigos queridos que estavam presentes.

De repente, o Davi aparece com um arranjo de flores lindas abraçando-me e beijando-me:

____ Feliz aniversário de vinte e cinco anos de casamento! ____ Falou emocionado. Tão lindo!

Ficamos abraçados por um tempo, então meu filho mais velho leu um texto dedicado a nós dois, que ele escreveu. Meu filho mais novo também fez uma homenagem e meu marido, que organizou tudo, louvou-me publicamente como sendo a mulher de sua vida.

O Davi abriu várias garrafas de espumante (minha bebida preferida) e distribuiu aos convidados. Nem acreditei como eles conseguiram me enganar direitinho. Depois da espumante,  começaram a chegar os pratos de comida típica. Deliciosa! Foi uma linda festa! Nunca me esquecerei. Foi a primeira vez que meu marido fez um festa surpresa para mim. Senti-me honrada e, principalmente, amada.

Os amigos convidados trouxeram presentes. Fiquei tão feliz, num período em que eu estava precisando de muito apoio, devido àqueles falsos amigos que tinham prejudicado nossa família. Eu poderia ter mil defeitos, mas não admitia que maltratassem um membro da minha família. Eu virava uma leoa para defendê-los.

A festa acabou tarde, mas valeu muito a pena. Inesquecível!

A festinha particular foi melhor ainda, com ele me mostrando o quanto me amava.

Atualmente...

Enfim, vendemos nossa casa, em que moramos por dezesseis anos, a fim de realizar outro sonho, como eu já dissera antes: viver na região serrana. Depois disso, fomos morar numa casa de aluguel, enquanto aguardávamos a casa ficar pronta.

IsadoraOnde histórias criam vida. Descubra agora