"O fato é que, como qualquer área da ciência, o conhecimento sobre o transtorno bipolar não é um conjunto coerente, claro e límpido, mas uma colcha de retalhos composta de informações quase sempre contraditórias, que impedem uma visão clara do todo."
____Teng Chei Tung
Nada mais, nada menos que Takeshi. Sim. O próprio. Estava todo meloso para o meu lado. Tirava um tempinho todos os dias para dar uma espiadinha. Eu continuava cada vez mais caída por ele.
Chegou também o momento em que a casa ficou pronta e, para a nossa alegria, pudemos nos mudar para a nova casa. Era enorme, mas a o quintal ainda não estava terminado. Tinha calçada somente ao redor da casa. Faltavam a garagem, uma edícula e as calçadas até o final do terreno, para cobrir 55 m de comprimento e uma parte seria de grama.
O Davi continuava a trabalhar com o irmão dele na loja. Porém, ele sentia que tinha algo de errado, pois começou a me seguir. Tínhamos dois carros na época. Eu ficava com um, a fim de ir trabalhar e ele com outro.Certo dia, ele foi verificar com quem eu saía do prédio do trabalho. Ficou me espionando. No entanto, eu sempre saía com minha amiga Lúcia. Era minha companheira de todas as horas.
Depois, o Davi me contou que tinha feito isso e que percebeu que eu tinha medo dele, porque ele costumava gritar comigo e, quando ele gritava, eu não falava de meus sentimentos, nem o que eu costumava fazer. Dessa forma, gerava muita desconfiança por parte dele.
O Giuseppe tinha três quando mudamos. Minha mãe cuidava dele, mas quando meu pai sofreu um derrame, ela teve que cuidar do meu pai. Foi necessário eu arrumar uma secretária do lar, para cuidar das crianças e da casa. Ela era ótima. Cuidava de tudo mesmo: fazia comida, fazia o serviço, fazia as crianças comerem direitinho e ajudava nas tarefas da escola. O Guilherme estava na segunda série e o Giuseppe ia para o jardim.
O Guilherme, com toda a dificuldade, estava se esforçando para acompanhar a turma. Embora ele tivesse dificuldade em entender coisas abstratas. Porém em coisas concretas, ele ia bem.
Foi um período difícil no sentido que eu e o Davi brigávamos muito e muitas vezes na frente das crianças. Ele perdia completamente o controle. Esmurrando as portas. Nessa época, resolvi fazer outro curso na faculdade: curso de Direito. Na mesma faculdade que o Takeshi. Comecei o curso à noite. E, como ele estava mais adiantado, nós nos encontrávamos poucas vezes lá. Certo dia na biblioteca, ele ficou fazendo de conta que estava procurando algo nas estantes, enquanto eu estava estudando, para ver se eu iria falar com ele. No entanto, eu dei uma de orgulhosa e não fui. Eu fazia jogo de sedução: avançava um pouco e recuava.
Ele deixou escapar um dia que gostava dos meus olhos por serem claros. Ele disse que gostava de olhos coloridos. Eu fiquei radiante, diante dessa descoberta. Assim, iniciou-se um joguinho. Eu ia vê-lo em todas as oportunidades no seu departamento e ele ia me ver quase todos os dias, com uma desculpa qualquer, ou às vezes, sem desculpas. Eu continuava eufórica, ou como dizem os médicos, na mania (termo comumente usado no transtorno bipolar).
Mas, a pergunta que não quer calar é: Onde iria parar essa história?...
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Oi meninas, não esqueçam seus votinhos, por favor. É muito importante para um escritor. Não se assustem com o desenrolar da história, tudo tem um porquê.
Beijos
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Isadora
SaggisticaÉ possível uma pessoa vencer diante de obstáculos, como um transtorno de personalidade, causado por maus-tratos na infância? É possível alguém suportar uma grande dor e decepção? Isadora conta sua trajetória desde sua mais tenra infância. Por favo...
