DE.VIR [S.M]
1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se.
2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina.
Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia.
Vida ou m...
Minha barriga roncava alto depois de horas sem comer e a falta de distração não ajudava em nada.
Essa manhã havia sido uma típica manhã Long; minha mãe já estava tomando café tranquilamente quando eu acordei atrasada, Josh, esparramado jogando no sofá da sala, tinha inventado alguma coisa para faltar aula e me fez um sanduíche que, infelizmente, não tive tempo de comer, mas, como uma boa irmã mais velha, tive tempo para irritá-lo com uma foto.
Josh pirou quando percebeu a câmera aberta no meu celular, me agarrou e só me soltou quando apaguei a foto, por sorte, eu ainda consigo recuperar da lixeira.
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Em parte, eu entendo Josh. É esquisito ter uma câmera apontada para você, prestes a capturar uma foto da qual você vai ser o objeto principal, mas estavamos juntos e, se eu imaginasse que aquela poderia ser a última vez que o veria, eu teria comido o sanduíche lentamente e teria abraçado ele até dizer chega.
Josh foi uma surpresa para nós e eu demorei um pouco para processar, talvez eu tenha ficado tão assustadoramente feliz que as mudanças prestes a acontecer passaram batidas. Hyelim estava tão empolgada quanto meus pais e Yan, ainda criança, me explicou o que seria ser a mais velha, coisa que eu só entendi depois que Josh nasceu.
Assim que o terceiro mês se completou, George Long, meu pai, estava em agonia para saber o sexo e, sob a condição de um nome com a inicial J, minha mãe, Jane, concordou.
No dia do nascimento de meu irmão, eu estava a mil e, assim que o vi, o chamei de Josh. Eu não lembro porque ou como, apenas fiz. Meus pais ficaram tão perdidos com a naturalidade do momento que resolveram deixar como apelido, o nomeando Joshua. Joshua George Long, com o complemento egocêntrico do papai.
Josh sempre gostou do próprio nome quando pequeno, passou uns anos sem conseguir pronunciar corretamente, mas sempre gostou; até fazer os terríveis nove anos. Com nove anos, além de não gostar do nome, também passou a não simpatizar com fotos, então, eu passei a chamá-lo de Joseph e a tirar fotos sem ele perceber, para mostrar que podia ser pior, apenas fazendo o que uma boa irmã faria.
Acontece que Joseph cresceu um monte dos nove para os dez anos. Ele tinha acabado de descobrir piadas com trocadilhos, com a ajuda do papai, e não parava de fazer. O garoto estava tornando a conversa com ele um desafio, inquieto e formando suas opiniões, quando começava a falar não parava mais, mas, apesar da fase complicada, ele sempre me ouviu bem, talvez a gente se entendesse na inquietude.
— O que está acontecendo na sua barriga? — Hyelim me olha preocupada e eu seguro a vontade de rir envergonhada. Foi tão alto assim?
— É fome, acabei não comendo antes da aula — minha resposta não a surpreendeu. Eu chego atrasada às vezes.
— Claro que não comeu. Eu tinha um chocolate na bolsa, mas ela ficou no armário — contou me fazendo choramingar, um chocolate já ajudaria bastante!