Capítulo 30

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— Yan! — eu o chamei assim que as portas principais foram fechadas atrás de nós. — YAN!

— Não! Nós não temos tempo, Josephine! Eu vou avisar o Dener! — ele rebateu ao dar passos raivosos pelo corredor principal.

— Por favor! Me deixa consertar! — eu pedi. Na verdade, eu estava pronta para implorar mesmo sem saber se, realmente, estraguei as coisas. E Yan rapidamente virou de volta para mim.

— Como? Você vai lá fora acabar com todos eles sozinha? — debochou Yan. — Não se mexa! Não faça nada!

— Você ia acertar nele? — eu insisti. — Como pode ter tanta certeza?

— Eu não tenho! Mas esse é o problema! — O tom de Yan ficava cada vez mais sério, e seus olhos arregalados, fixos em mim, me faziam querer chorar. — Você nem me deixou tentar!

Yan estava magoado, mas existe algo maior do que isso agora.

— Ele ainda seria a pedrinha fora do lugar, Yan! Você errando ou acertando não faria diferença! Os outros iam ouvir!

— Será? Bom, agora nós nunca vamos saber! — com uma última encarada, Yan me virou as costas e saiu apressado pelo corredor.

Merda!

Desajeitadamente, eu tirei as alças pesadas da mochila dos ombros e a deixei cair no chão, sem largar as facas.

— O que você está fazendo? O que você vai fazer, Josie? — Haven se enfiou na minha frente. Contrariando sua curiosidade, ela parecia entediada. — Não dá para você ouvir ele?

— Eu tenho que fazer alguma coisa.

— Você não vai nem falar com seu irmão? — ela tentou mais uma vez.

O que é isso? Por que raios ela não está surtando?

— Quê?

Não esperei por mais nada e me afastei das duas meninas quase correndo até as escadas.

No mundo normal, o inspetor Phil parecia sentir no seu âmago quando corríamos pelos degraus. Ele surgia com sua cara desapontada acompanhada de uma advertência e dizia: "Para quê tanta pressa? O mundo não acaba amanhã!". Éramos obrigados a, pelo menos, obedecer na sua frente.

Eu tenho uma notícia, inspetor Phil! O mundo realmente acabou em um desses "amanhã"!

Sem inspetor para diminuir minha velocidade, eu fui o caminho inteiro às pressas, mas tive dificuldade para subir a escada vertical dentro do armário do zelador com as mãos ocupadas.

Pisando no cascalho do telhado, eu calculei para onde ficava a outra escola e me aproximei perigosamente da borda lateral do prédio. Perfeito. Daqui eu tenho uma visão ótima da merda que pode acontecer.

Eu passei dois minutos olhando fixamente para lá. Com a imaginação, eu marquei por onde os monstrengos viriam, até Dener aparecer.

É claro que ele também viria até aqui.

— Alguma coisa? — sua voz ecoou depois do ranger da claraboia.

— Não.

Yan subiu logo depois dele, e parecia aliviado ao ver os arredores da escola livres de monstrengos.

— O que você acha? — o xerife soltou ao cruzar os braços e, de relance, me encarou. Estava falando comigo.

— Isso importa?

— Se eu perguntei — ele se virou para mim, sério. — Eu já sei o que o Walsh acha, só quero saber se vocês dois concordam mesmo.

Eles já conversaram tanto assim?

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