DE.VIR [S.M]
1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se.
2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina.
Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia.
Vida ou m...
Tudo aconteceu rápido, tão rápido que eu não acompanhei com clareza.
Bruscamente eu me soltei de Yan e virei para trás.
O amontoado de pessoas que assistia os reencontros, abriram espaço e eu finalmente pude ver.
Um deles tinha passado por nós, como Jonah tinha feito, e estava parado exatamente atrás de Hyelim.
Ela não se mexeu, os pequenos movimentos mostravam apenas seu corpo tremendo e se esforçando para segurar o choro em olhos marejados.
E então, tudo ficou, dolorosamente, em câmera lenta.
O monstro, sem piedade, abocanhou seu ombro. A fazendo, além de sentir, assistir a cena a milímetros de distância e gritar de agonia.
Hyelim foi mordida.
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Hyelim. Foi. Mordida.
— HYELIM — soltei já correndo até ela, tropeçando entre os corpos no chão com a visão embaçada.
Não consegui pensar no que fazer, eu só queria afastá-lo dela, parar a sua dor!
Então, com a palma da minha mão, eu empurrei o rosto medonho na altura de sua testa, mas ele tinha cravado os dentes de forma certeira na carne dela e os enterrava cada vez mais.
Vamos! Largue!
Desesperada, precisei colocar mais força enquanto ouvia minha amiga berrar de dor e, quando, finalmente, consegui o afastar e tirar os olhos do rosto espremido em dor de Hyelim, vi que ele havia levado entre os dentes parte de seu ombro.
Uma parte grande.
— NÃO, NÃO, NÃO! — eu o assisti mastigar horrorizada, com os olhos a transbordar nojo e desespero.
Ele engoliu, e doeu profundamente porque eu sabia exatamente o quê.
Hyelim já não tinha mais forças para gritar e a ouvir ranger em agonia era ainda pior. Seu corpo pesou contra mim e em reflexo a segurei, mas durante o processo larguei a ferramenta que ainda segurava.
O monstrengo insistente avançou novamente até nós e tudo o que consegui foi empurrá-lo com um única mão.
Era o Sr. Rodriguez, nosso professor de literatura.
Mas Hyelim pesava cada vez mais em meu braço, soluçando entre o choro, gemendo e eu só consegui empurrar o Sr. Rodriguez mais uma vez antes de cair amortecendo o corpo frágil de Hyelim.
Com a visão embaçada, vi Yan rapidamente passar por nós e lidar com o Sr. Rodriguez.
Finalmente, pude voltar minha atenção a ela, mas não consegui engolir ainda mais o choro.
— Lim... — a chamei. — Lim, por favor...
Notei seu rosto se contorcer acentuadamente e ela engasgou, atrapalhada entre o choro e uma tentativa de fala. Meu coração apertou.