Dominic liderou um grande grupo para fora da sala; aos poucos, as pessoas tensas se arrastavam de cabeça baixa porta a fora, ignorando o olhar julgador de Dener e, aos poucos, ficávamos os "buscadores" na sala. Nós sabíamos que tínhamos o que conversar depois das saídas de ontem e eu, que já estava presa com Josh deitado nas minhas pernas, assim fiquei.
— Agora, vocês podem me contar o porquê dessa porcaria no seu pescoço? — o xerife estendeu a mão para o meu pescoço, claro, porque a gaze branca na minha pele não passaria despercebida, mas eu não quero dar detalhes, não quero por para fora tudo o que meu cérebro traiçoeiro me força a lembrar e não vou.
— Eu estou bem — eu respondi, mesmo sabendo que ele não liga realmente, e logo listei: — Nós pegamos comida o suficiente para alguns dias e crianças monstrengos são rápidas.
— Eu vou reformular a pergunta — ele resmungou. — Isso que você está tampando, representa algum perigo para nós?
Representa? Eu espero que não.
— Não — eu disse e me esforcei para parecer convincente, mas Dener apertou os olhos desconfiado.
— Hm — o homem sonorizou. — O que você disse sobre as crianças?
Mesmo que Dener não acredite, ele não tem com o que se preocupar, não é? Não é como se, depois de tanto tempo, eu fosse virar um monstrengo, não é? Vai ver deu certo e Seth Cohen salvou minha vida, ou vai ver nem precisava, não é?
Com tantas perguntas, eu apenas voltei a fazer cafuné em Josh, ignorando a pergunta feita por último.
— São rápidas — Seth o respondeu. — Como crianças normais, é fácil se enganar!
— Ótimo! A cereja do bolo! — o xerife bufou — E o que vocês conseguiram?
— Muitos enlatados e alguns quilos não perecíveis — novamente, Seth o respondeu.
— É muito bom que você está sendo útil, Seth! É pelo peso na consciência? — Dener volta a resmungar e o garoto lamenta, revirando os olhos.
— Ah, fala sério, Xerife! — Haven reclama. — Isso não é tão importante!
Seth encara a menina, preguiçosamente, mas em agradecimento pela defesa.
— É claro que é! Seth vai ser muito útil enquanto o mundo não volta ao normal, porque depois disso... depois disso ele sabe muito bem onde vai passar bons anos!
Dener não vai largar esse osso tão cedo e eu espero que Seth esteja ciente disso.
— O que vocês conseguiram, xerife? — Yan atravessa a conversa para o assunto importante.
— Exatamente o que eu fui buscar! — se gabou o xerife, andando para outro lado da sala, atrás das bolsas e logo as arrastou para o meio. Dener não precisou reavivar em nossas memórias o que ele foi buscar, apenas abriu o zíper de uma das malas, mostrando uma diversidade imensa de armas.
Eu gostaria de relatar as diferenças dos objetos, mas meu estômago embrulhou e a bolsa virou um grande borrão preto.
Eu achei que a ficha tinha caído, mas não, ela vai caindo aos poucos, te torturando e te despedaçando sem dó; é a realidade batendo na sua porta e, essa realidade, desde o dia do caos, não esquece de ninguém.
É uma sensação horrível. Me veio a certeza de que todo mundo vai morrer e, apenas posso torcer para ir primeiro.
O que eu estou pensando? Estamos vivos! Eu estou viva, mas só consigo pensar em morte! Nas pessoas que morreram, nas pessoas que estão matando lá fora, nas que eu matei. Eu matei.
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DEVIR
Novela JuvenilDE.VIR [S.M] 1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se. 2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina. Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia. Vida ou m...
