Haven pediu a ajuda de Josh para levar minha mochila até a cantina, já que os alimentos seriam guardados na despensa e ele se prontificou a ajudá-la, mesmo não querendo desgrudar de mim, meu irmão saiu garantindo que logo estaria de volta.
— Agora, você pode me dizer que porra aconteceu com seu pescoço? Que machucado é esse, Josephine? — Yan recomeçou e eu respirei fundo. Essa conversa não vai ser fácil.
— Foi um arranhão.
Os olhos de Yan se arregalaram, seu queixo caiu e sua respiração começou a falhar.
— O-o quê?
Eu o contei tudo com riqueza de detalhes, tudo o que eu senti, tudo o que eu pensei, o que eu fiz, o que Seth fez. O que eu fiz.
Yan ficou assustado, deixou uma lágrima escorrer e, então, ficou bravo, impaciente. Eu tentei o tranquilizar, porque estou aqui agora, mas isso o entristeceu, porque não sabemos por quanto tempo.
O medo é como um filtro no meio dos seus pensamentos. Você pode pensar em milhões de possibilidades positivas, mas assim que o medo entra, ele barra todas. E os olhos de Yan estavam longe de refletirem possibilidades positivas.
— Você não deveria ter ido — disse por fim.
— Talvez não mesmo — eu dei de ombros.
Não tenho argumentos para usar contra os pensamentos que passaram pelo seu filtro e, é verdade, talvez eu não devesse ter ido mesmo, mas eu fui e eu voltei.
— Você vai para a enfermaria, tem certeza? — Yan perguntou.
Pensei na enfermaria como uma resposta rápida para Josh, mas é o melhor lugar para eu ficar agora, então concordei.
— Lá deve ter alguma pomada que ajude e tem uma maca para deitar, então, sim!
— Certo — Yan ponderou, respirou fundo e colocou as mãos no bolso, se perdendo pelo chão.
— Yan? — o cutuquei.
— Eu enterrei ela, eu enterrei eles — Yan soltou, inquieto, umedeceu os lábios e subiu o olhar receoso para mim e se explicou: — Eu queria fazer isso com você e teria sido mais fácil, mas não podíamos esperar!
Hyelim?
— Tudo bem — sussurrei, tentando interromper a explicação de Yan.
— Nós cavamos cinco covas nos fundos da escola; Sr. e Sra. Peach, Ollie, Nadin e Lim, nessa ordem!
Eu não estou brava, mas isso me pegou de surpresa! Nem percebi meus olhos se encherem, o que eu poderia dizer?
Enterrada. Isso é bom, não é?
— Tudo bem, Yan! — eu forcei um um leve sorriso para ele.
Hyelim ficaria uma fera se soubesse que perdi seu enterro, mas ela entenderia. Ela sempre entendeu.
— Foi um lixo! Nenhum pouco perto do que eles mereciam e eu nem me esforcei para isso! — ele contou. — Eu só conseguia pensar que não queria cavar mais uma para você!
— Está tudo bem! — eu repeti. — Não se preocupe, eu estou bem!
— De verdade? — Yan reforçou. Não.
— Sim!
Ele deu tudo de si para acreditar, mesmo ainda abalado. Yan acabou de enterrar o namorado e a melhor amiga e eu o atolei de explicações, somado à possibilidade de que ainda eu ainda posso virar um monstrengo! Então, eu o puxei para um abraço, sentindo seu afago nos meus fios curtos.
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DEVIR
JugendliteraturDE.VIR [S.M] 1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se. 2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina. Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia. Vida ou m...
